Giselle Itié diz que escolheu não se calar sobre suas dores: ‘Quem está escutando também está se curando'
Em cartaz com a peça ‘TOC TOC’, atriz reflete sobre os desafios de ser mãe solo, mulher e artista em um ambiente de julgamentos
Giselle Itié reflete sobre os desafios da maternidade solo, saúde mental e exposição pública, destacando a importância de compartilhar vivências para promover acolhimento, cura coletiva e empoderamento feminino.
A vida como mãe solo, artista e mulher em um ambiente marcado pela superexposição pode impactar diretamente a saúde mental. A atriz Giselle Itié reconhece que equilibrar a vida dessa forma, em meio às redes sociais e expectativas de posicionamentos constantes nunca foi simples. “Para mim, é muito difícil. É sempre um esforço extra, sempre estar alimentando”, afirma.
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Ao Terra, a atriz, atualmente em cartaz no teatro com a peça TOC TOC, conta que a exposição constante não acontece de forma espontânea. “Realmente, não é algo que vem sempre naturalmente pra mim”.
Muitas vezes, se posicionar pode vir com um custo. “Às vezes, você acredita que vai ser bacana passar uma informação, uma posição política, mas isso não é muito bom, porque você perde seguidores”, exemplifica.
Giselle se posiciona abertamente sobre causas femininas, a exemplo de seu podcast Exaustas, que apresenta ao lado de Samara Felippo e Carolinie Figueiredo.
Mesmo que o saldo de um posicionamento não seja positivo, ela afirma que escolheu não se calar e transformou suas vivências com maternidade e saúde mental em discurso. “Eu comecei a falar sobre situações e traumas que eu passei pelo simples fato de ser mulher, assim como todas nós”. Esse movimento nasceu de um conhecimento coletivo, para ela.
“Eu estava num manifesto e comecei a escutar outras mulheres falando das suas dores. Eu me senti super incluída, super acolhida”, lembra. A partir daí, a fala passou a ser um processo de troca importante. “Quem está falando também está se curando, e quem está escutando também está se curando”, pontua.
O processo tem raízes profundas no passado, para Giselle. “No matriarcado, nossas ancestrais usavam muito essas rodas de falar e se escutar”.
Diante das dificuldades com a saúde mental em meio à maternidade e exposição, ela preferiu dar voz aos sentimentos: “Como eu me senti acolhida, eu falei: eu quero fazer isso também. A gente tem que se unir”, conta, dizendo que compartilhar sua vivência é uma forma de apoiar outras mulheres.
Nos palcos
Essas reflexões atravessam também seu trabalho nos palcos. Em cartaz em São Paulo com a peça TOC TOC, Giselle integra o elenco da comédia que aborda o transtorno obsessivo compulsivo a partir do humor. “A comédia tem esse trabalho de falar sobre temas espinhosos de uma forma mais leve”, afirma. “É pra isso que funciona a arte também, pra fazer refletir.”
Ao falar sobre a vida profissional, a atriz chama atenção para o modo como mulheres ainda são lidas em ambientes de poder. “Eu falo de uma forma consciente, objetiva, e aí eu sou vista como marrenta, grossa”, diz. “Quando um homem fala, ele é o assertivo, o líder.” Segundo ela, esse padrão atravessa situações aparentemente simples. “A gente nem percebe, mas está sempre pedindo licença pra ser quem a gente é”.
Entre o palco, a maternidade e a exposição ao público, Giselle Itié diz que segue tentando equilibrar os aspectos. A atriz reforça que falar sobre saúde mental não é apenas um ato individual. “É um movimento de escuta, de acolhimento e de cura coletiva”, resume.
