Cantor famoso em prisão domiciliar vai passar lua de mel em Dubai
O cantor gospel que deveria estar preso em sua residência acabou indo passar sua lua de mel no Oriente Médio
Nem sempre a realidade de uma condenação corresponde à imagem que o público costuma imaginar. Quando se fala em "prisão domiciliar", a expectativa é de recolhimento rigoroso, limites bem definidos e fiscalização constante. Segundo o colunista Carlos Carone do Metrópoles, no caso do ex-cantor gospel André Luís dos Santos Pereira, porém, os acontecimentos posteriores à sentença trouxeram questionamentos. Condenado por estelionato e associação criminosa, após um esquema que teria provocado prejuízo próximo de R$ 300 mil a grifes internacionais como Prada, Gucci e Burberry, ele passou a cumprir pena em casa por decisão da Justiça do Distrito Federal, em 20 de outubro de 2023.
As condições impostas incluem restrição de saída da comarca sem autorização judicial, obrigação de informar eventual mudança de endereço e cumprimento das determinações da Vara de Execuções Penais. Ainda assim, conforme informações apuradas pela coluna, em 7 de setembro de 2024 ele realizou uma cerimônia de casamento em um hotel às margens do Lago Paranoá. No dia seguinte, embarcou para lua de mel em Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Entre 8 e 14 de setembro, publicações nas redes sociais exibiram passeios no deserto e hospedagens em hotéis de alto padrão.
"Ponte aérea judicial"
Mesmo com a determinação de que o apenado não pode residir fora da comarca sem autorização expressa, o casal estabeleceu residência no condomínio Wave Alphaville, em São Paulo. Segundo a coluna, o ex-cantor realizaria viagens mensais ao Distrito Federal para manter vínculo formal com a capital. Procurada para comentar eventual fiscalização, a Secretaria de Administração Penitenciária informou apenas que "não divulga dados da situação processual de custodiados".
A origem do caso remonta a 22 de outubro de 2021, quando policiais militares abordaram três homens em São Bernardo do Campo e encontraram cartões de crédito, celulares e um notebook. A 5ª Delegacia de Polícia da Área Central do DF identificou um esquema que simulava transferências bancárias em reuniões realizadas em escritório comercial. Em 6 de setembro de 2021, mais de R$ 151 mil teriam sido utilizados na Prada; dois dias depois, cerca de R$ 124 mil na Gucci. Segundo a investigação, os comprovantes apresentados existiam apenas no papel, e os valores não foram compensados.