Byung-Chul Han, filósofo: 'Somente com a condição de estar sempre aberto à dor, venha ela de onde vier, você poderá estar aberto à felicidade'
Em uma sociedade marcada pelo hedonismo e pelo prazer, a dor parece ser uma emoção a ser evitada a todo custo. O que ninguém te diz é que precisamos dela.
O filósofo Byung-Chul Han afirma que a humanidade moderna desenvolveu uma espécie de fobia da dor, impulsionada pela obrigação de ser feliz. O excesso de positividade que nos cerca e a exigência de estarmos sempre felizes nos forçam, de certa forma, a negar a dor. Isso nos entorpece e nos esvazia.
Em "A Sociedade Paliativa", ele fala desse caminho hedonista que nós, como sociedade, começamos a trilhar. Uma cultura que nos convida a desfrutar 100% do nosso tempo e que faz com que a dor se torne "completamente sem sentido e inútil".
Ele argumenta que o imperativo neoliberal "seja feliz" não é um convite ao bem-estar, mas uma ordem para a performance emocional. Você precisa estar bem porque é assim que você produz. Sorria, porque sofrer é uma falha pessoal. Mas e se a dor e o sofrimento fossem necessários para a nossa própria felicidade?
Segundo Han, a felicidade não é a ausência de sofrimento, mas algo muito mais complexo do que uma equação de tudo ou nada. Como ele explica em seu livro, "a verdadeira felicidade só é possível em fragmentos. É precisamente a dor que impede que a felicidade se torne um mero objeto".
FELICIDADE TEM QUE SER EXPERIÊNCIA E NÃO EXIGÊNCIA!
Segundo Nietzsche, dor e felicidade são "dois irmãos, gêmeos, que crescem juntos ou que permanecem pequenos juntos". Para Han, um é impossível sem o outro, já que a felicidade não é um estado permanente nem cumulativo. Ela deve ser uma experiência, não uma exigência.
É algo que aparece e desaparece, e isso não diminui o va...
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