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Festival Poesia no Centro quer destacar pluralidade do gênero reunindo autores do Brasil e do mundo

Evento realizado pela livraria Megafauna ocorre neste fim de semana no Teatro Cultura Artística; veja a programação completa e saiba como participar

15 mai 2025 - 14h57
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Existe poesia para todo tipo de leitor, mesmo que você acredite não gostar do gênero. É isso que quer mostrar o Festival Poesia no Centro, evento realizado pela livraria Megafauna que vai ocupar parte do Cultura Artística entre esta sexta-feira, 16, e o domingo, 18, com autores do Brasil e do mundo.

A programação principal, batizada de Palco e de curadoria de Rita Palmeira, será no auditório do teatro reaberto em 2024 e terá 13 mesas de debate, incluindo nomes como Oswaldo de Camargo, Francisco Alvim, Ana Martins Marques, Adelaide Ivánova e Fabrício Corsaletti.

Cinco estrangeiros marcam presença no festival: Uljana Wolf, da Alemanha, Roberta Iannamico, da Argentina, Tracy K-Smith, dos Estados Unidos, Patricia Lino, de Portugal, e Stephen Sexton, da Irlanda.

A entrada é gratuita, mas restrita à capacidade do auditório, de 150 pessoas. Confira abaixo a programação completa.

A fachada do Teatro Cultura Artística na Rua Nestor Pestana, reaberto em 2024. O espaço receberá o Festival Poesia no Centro neste fim de semana.
A fachada do Teatro Cultura Artística na Rua Nestor Pestana, reaberto em 2024. O espaço receberá o Festival Poesia no Centro neste fim de semana.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão / Estadão

Um segundo espaço apelidado de Megafone terá tom mais descontraído e ocupará o bar do festival, também dentro do Cultura Artística, com uma programação composta por convidados e por poetas selecionados a partir de uma chamada aberta que recebeu mais de 200 inscrições. São dez mesas organizadas com curadoria da poeta Bruna Beber.

"Desde que abrimos a Megafauna, flerto com a ideia de fazer um festival literário em São Paulo. De certa forma já estávamos ensaiando algo nesse caminho com os eventos literários que realizamos ao longo de todo o ano na livraria — em especial com uma série de encontros mensais que leva o nome do festival e que realizamos há dois anos na Megafauna", ", diz Irene de Hollanda, que divide a direção da livraria e do Poesia no Centro com Fernanda Diamant.

A Megafauna foi inaugurada em novembro de 2020 no térreo do Copan, também no Centro, e no ano passado abriu sua segunda unidade, no Cultura Artística, a apenas 500 metros de distância da primeira. As lojas fazem parte de uma oferta crescente de livrarias de rua e instituições culturais na região central, que inclusive inspirou um "esquenta" com encontros e oficinas realizados entre os dias 5 e 16 de maio.

"Quando comecei a pensar no formato do festival, logo entendi que dialogar com essas organizações poderia tornar esse projeto muito mais interessante. Nasceu daí a ideia do Circuito Poesia no Centro, que inaugurou o festival com uma programação em cinco livrarias de rua, dois museus, duas unidades do Sesc e uma biblioteca pública. É uma forma de ocupação do centro de São Paulo com a poesia", explica Irene.

Por que a poesia?

A vontade de realizar um festival voltado à poesia partiu da ligação que a organização da Megafauna já sentia com esse gênero, mas também do desejo de tirá-lo de um espaço marginal e pouco acessível. "A poesia tem fama de ser mal compreendida, de ter espaço secundário nos eventos de literatura. No entanto, vejo que esse recorte fez sentido para muita gente", diz Irene.

"Instituições culturais relevantes logo embarcaram na ideia do festival e se interessaram em colaborar. A adesão de autores também foi imediata, e ficou evidente que havia demanda por um evento que levasse a poesia para o centro da conversa. O assunto rapidamente ganhou fôlego e encorpou", completa.

A ideia também se manifestou no próprio nome Poesia no Centro, que, como explica a organizadora, "brinca com a ideia de trazer a poesia para um espaço central, tirando dela um papel secundário, ao mesmo tempo em que refere-se a esse vínculo regional que nos propusemos a construir."

A livraria Megafauna do Teatro Cultura Artística, na região central de São Paulo.
A livraria Megafauna do Teatro Cultura Artística, na região central de São Paulo.
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

É claro que tudo isso veio com desafios. Irene explica que, pelo público de poesia ser "restrito" e com menos nomes de apelo comercial e midiático, nortear a curadoria não foi um trabalho fácil. É aí que entra Rita Palmeira, que já atua como curadora de livros da Megafauna e assumiu a tarefa de organizar a programação do festival.

Rita explica que, para ela, Irene e Fernanda, era importante que, na medida do possível, o festival representasse a diversidade da poesia que é produzida hoje: "A ideia que nos animava (e que segue nos animando) era lembrar que a poesia é diversa o suficiente para que todo leitor encontre aquela de que gosta."

"Nesse sentido, claro, um desejo do festival sempre foi dar uma contribuição modesta para ampliar o público leitor de poesia", diz a curadora. Ela destaca também o trabalho da colega Bruna Beber com a programação Megafone, que trouxe autores de fora do radar e "possibilitou que os conhecêssemos e os convidássemos para essa programação paralela". Naquele espaço, 50 poetas poderão apresentar seus poemas ao público.

Já sobre as 13 conversas que serão realizadas no Palco, Rita acredita que elas tendem a "dessacralizar a poesia". Ela explica: "Mostrar que ela está em muitos lugares e de muitas formas: num folheto de cordel, numa canção de Bob Dylan, Antonio Cicero ou Chico Buarque, numa performance de Laurie Anderson ou num poema de Adilia Lopes."

Confira a programação do Festival Poesia no Centro

16/05 | Sexta Feira

  • 17h - Quer ver? Escuta - Francisco Alvim conversa com Alice Sant'Anna e Heitor Ferraz Mello

Nome incontornável da poesia brasileira, Francisco Alvim esteve ligado ao grupo da poesia marginal na década de 1970. De lá pra cá, firmou-se como um dos mais inventivos poetas brasileiros, atento à dicção das ruas e à precisão das palavras. Alice Sant'Anna e Heitor Ferraz, dois poetas de gerações distintas à sua, entrevistam Chico, em conversa que versará sobre seus livros e sua trajetória.

  • 19h - No bojo de três poetas - Cuti, Miriam Alves e Oswaldo de Camargo conversam com Fernanda Silva e Sousa

Poetas consagrados, Cuti, Miriam Alves e Oswaldo de Camargo conversam com a crítica literária Fernanda Silva e Sousa sobre seus itinerários poéticos e as dicções distintas de seus poemas, bem como sobre o grupo que os reuniu no início dos anos 1980, o Quilombhoje, que completa 45 anos em 2025 e que se propunha a discutir e aprofundar a experiência afro-brasileira na literatura.

  • 21h Nossos olhos se ajustam à escuridão - Tracy K. Smith conversa com Adriana Ferreira Silva e Nanni Rios

Publicada pela primeira vez no Brasil em 2025, a poeta estadunidense Tracy K. Smith é tida como um dos grandes nomes de sua geração desde o lançamento de seu livro Vida em Marte (2011), pelo qual recebeu o prêmio Pulitzer de poesia. Professora em Harvard, Smith falará sobre esse livro, sobre a coletânea Uma fome tão afiada e também a respeito da situação política de seu país, em especial das universidades.

17/05 l Sábado

  • 11h - O que se fez, enfim, nesse intervalo? - Carlito Azevedo e Jussara Salazar conversam com Tarso de Melo

Dois poetas de uma mesma geração com projetos poéticos muito singulares e autores de livros engenhosos, Carlito Azevedo e Jussara Salazar leem seus poemas e conversam com o editor e também poeta Tarso de Melo sobre seus livros, os percalços de escrever e seus autores de predileção.

  • 15h Dois poetas em jogo - André Dahmer e Stephen Sexton conversam com Alexandra Moraes

Mediados pela quadrinista e jornalista Alexandra Moraes, o poeta irlandês Stephen Sexton e o quadrinista e poeta carioca André Dahmer discutirão o amadurecimento, o luto, bem como as possibilidades de representação poética da masculinidade e do cotidiano.

  • 17h É como apanhar um peixe com as mãos - Leonardo Gandolfi, Lilian Sais e Roberta Iannamico conversam com Paloma Vidal

O carioca Leonardo Gandolfi, a paulistana Lilian Sais e a argentina Roberta Iannamico escrevem poemas que, por trás de aparente simplicidade, produzida por olhar que flerta com o da infância, desnaturalizando os objetos, questionando cenas e sensações, criam relações complexas e imagens de grande beleza. Com mediação da escritora Paloma Vidal, os três conversam sobre escrita, perdas, infância, e leem seus poemas.

  • 19h - Combinamos de nos encontrar nesta mesa - Ana Martins Marques e Fabrício Corsaletti conversam com Fernando Luna

Ana Martins Marques e Fabrício Corsaletti, dois premiados e prolíficos poetas de uma mesma geração, ela mineira, ele paulista, leem seus poemas e conversam com o jornalista Fernando Luna sobre poesia e assuntos tão diversos como o mar, Buenos Aires, cigarros, bares e seus autores de predileção.

  • 21h - Radiorama - Angélica Freitas, Juliana Perdigão e Renato Negrão

A reunião de linguagens diversas marca o encontro entre a poeta gaúcha Angélica Freitas, o poeta e artista visual mineiro Renato Negrão e a musicista Juliana Perdigão, também mineira. Juntos, eles revelarão como poesia, música e performance podem criar diálogos e construir singularidades quando compartilhadas no mesmo espaço.

18/05 l Domingo

  • 11h - De um lado terra, doutro lado terra - Prisca Agustoni e Uljana Wolf conversam com Sofia Mariutti

Nesta mesa, reúnem-se duas poetas - uma suíça que vive no Brasil e uma alemã que vive entre seu país e os Estados Unidos - que são também tradutoras e cujos poemas embaralham as fronteiras das línguas de origem e destino, e, cada uma à sua maneira, fazem desses deslocamentos espaciais e afetivos o mote de seus poemas, tensionando as noções de origem e de língua materna. Em conversa com a também poeta Sofia Mariutti, Prisca Agustoni e Uljana Wolf falam sobre migrações, língua e poesia.

  • 15h - A pedra dá à frase seu grão mais vivo - Edimilson de Almeida Pereira e Josoaldo Lima Rêgo conversam com Júlia de Carvalho Hansen

Edimilson de Almeida Pereira e Josoaldo Lima Rêgo escrevem poemas pouco ou nada confessionais, fazem versos concisos cuja apreensão jamais é facilitada ao leitor. Aproxima-os, entre outras coisas, a inscrição na tradição cabralina. Nessa conversa com a também poeta Júlia de Carvalho Hansen, eles falam das outras tradições poéticas a que se filiam, de seus livros e das implicações éticas e estéticas de escrever em e de um país brutal.

  • 17h - Tentativas de explodir um poema em cena - Performance com Adelaide Ivánova, Mirella Façanha e Nash Laila

A mesa apresenta a adaptação teatral do livro Asma, da poeta pernambucana Adelaide Ivánova, e é resultado de um processo coletivo de adaptação desenvolvido em oficina realizada no Sesc Consolação como parte da programação do Circuito Poesia no Centro. A direção é assinada pelas diretoras e atrizes Mirella Façanha e Nash Laila. A encenação-performance conta com a participação da autora e dos integrantes da oficina, que entrelaçaram suas histórias pessoais às vivências da protagonista do livro, Vashti Setebestas.

  • 19h - Duas poetas desdobram mapas - Encontro com Marília Garcia e Patrícia Lino

O tempo, os mapas, os continentes e as ilhas podem surgir como personagens que ressoam nos poemas rumo ao futuro ou como denúncia de um passado insistente. A poeta carioca Marília Garcia, de modo ensaístico, e a poeta portuguesa Patrícia Lino, lançando mão do humor e da ironia, investigam esses e outros elementos em seus poemas e propõem leituras performáticas de seus versos.

  • 21h - À palavra, minas - Encontro com Carol Dall Farra e Luz Ribeiro

No encerramento do Festival Poesia no Centro, Carol Dall Farra, poeta do Rio de Janeiro, e Luz Ribeiro, de São Paulo, importantes vozes do slam, dividem o palco em uma performance para celebrar a poesia falada feita por mulheres.

Festival Poesia no Centro - Serviço

  • 16 a 18 de maio
  • Livraria Megafauna/Teatro Cultura Artística
  • R. Nestor Pestana, 196, Consolação
  • Grátis (reserva de ingressos no site).
Estadão
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