Artistas brasileiros geraram quase R$ 2 bilhões de royalties em 2025, aponta pesquisa do Spotify
Crescimento na plataforma em relação a 2024 foi de mais de 24%; funk é grande destaque do relatório anual Loud & Clear
O Spotify divulgou nesta segunda-feira, 11, seu relatório anual com números do seu sistema de pagamento de royalties a artistas e outros detentores da cadeia de direitos autorais da música no Brasil em 2025.
Chamado de Loud & Clear, expressão em inglês que indica uma comunicação direta, o balanço já havia revelado recentemente, em sua versão global, um crescimento de mais de 10% da distribuição em relação a 2024, totalizando US$ 11bilhões, pouco mais de R$ 54 bilhões.
Os números relacionados ao Brasil também pegaram ritmo acentuado, segundo o relatório da plataforma de música. Os artistas brasileiros geraram quase R$ 2 bilhões de royalties em 2025 no Spotify, quantia 24% maior do que no ano anterior. O balanço destaca, utilizando números da Pro-Musica/IFIP 9 (Federação Internacional da Indústria Fonográfica), que esse crescimento foi quase quatro vezes maior do que a aceleração do mercado de global de música gravada.
Para número de comparação, o Spotify relacionou a soma com a bilheteria do cinema nacional em 2024, que fechou em R$ 2,5 bilhões. Ou seja, na plataforma os ganhos gerados por artistas brasileiros equivalem a 80% de toda a arrecadação das salas de cinema.
A expansão da receita no Brasil está vinculada a outro dado já divulgado pela IFIP neste ano: O Brasil está no Top 8 mercados musicais do planeta pela primeira vez na história, subindo uma posição em relação a 2024. Atualmente, o streaming representa 87% de toda a receita da música gravada no País.
Outra informação que chama atenção no relatório é que, em 2025, o português teve o maior crescimento entre os principais idiomas musicais no Spotify. A alta foi de 26% em um ano e 51% em dois, superando inglês, espanhol e coreano, este último, idioma principal do K-pop, um fenômeno musical global.
É importante ressaltar que os dados divulgados pelo Spotify se referem à receita bruta dos royalties gerados. Esse dinheiro não vai direto para os artistas da música, mas sim para entidades de direitos autorais e editoras que os representam para, depois, o repasse ser feito de acordo com contratos firmados entre as partes.
O Spotify também esclarece, junto com a pesquisa, que não há um valor fixo pago por play em uma música. O modelo de pagamento é baseado na participação do artista no total de streams (quantidade de vezes que o conteúdo foi reproduzido) da plataforma. Ou seja, se um artista é responsável por 1% dos streams de um país, ele recebe 1% dos royalties pagos nesse país. A receita das plataformas são geradas pelos assinantes e anunciantes, em perfis que usam contas gratuitas.
Funk brasileiro lidera destaque global
Em relação à música brasileira, o funk foi o que mais se destacou a nível global. O gênero, ainda de acordo com os dados da pesquisa do Spotify, foi responsável por gerar mais de mais de US$ 100 milhões em 2025, aproximadamente R$ 491milhões. O número aponta um avanço de 36% se comparado a 2024.
Como forma de validar sua atuação junto ao funk - que ocupa posição de destaque em sua lista de faixas mais ouvidas, ao lado do sertanejo pop, o aplicativo divulgou vídeos de artistas brasileiros contando sobre como a plataforma os ajudou no início da carreira.
Uma das convidadas a opinar foi a cantora Anitta, que no mês de abril lançou um novo álbum, Equilibrivm, cuja música Desgraça está entre as 30 mais ouvidas no ranking do serviço atualmente.
"Foi importante para vencer o preconceito e mostrar onde o quão longe meu trabalho estava chegando, principalmente nos primeiros funks que eu fiz", diz a cantora no material. Para Anitta, um dos pontos positivos da plataforma é incentivar quem está começando, adicionando a música desses artistas em playlists - elas são oferecidas aos usuários separadas por tema, a fim de manter o circulação deles pelo maior número de faixas possíveis.
O rapper Veigh, com oito milhões de ouvintes mensais no aplicativo de música, aponta os mesmo motivos de Anitta - levar sua música adiante -, mas ressalta ainda que a marca também faz o papel de lhe apresentar músicas novas lançadas por artistas de outros países. "Me trazem esse conteúdo para que eu tenha mais inspiração para trabalhar, me conecto com eles", diz.
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