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'Mambembe' borra linhas entre documentário e ficção para retratar artistas circenses

Longa de Fabio Meira, que levou 19 anos para ficar pronto, reflete sobre o próprio fazer cinematográfico

22 mai 2026 - 15h06
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O diretor Fabio Meira demorou 19 anos para fazer 'Mambembe'
O diretor Fabio Meira demorou 19 anos para fazer 'Mambembe'
Foto: Elisa Mendes/Divulgação / Estadão

Em algum momento entre 2007 e hoje, Mambembe deixou de ser o sonho obstinado de Fabio Meira, na época um jovem goiano estudando cinema em Cuba, e se tornou outra coisa. Sem perceber, o projeto do longa-metragem virou um filme que carrega dentro de si o próprio tempo que levou para existir: uma lona de circo armada e desarmada por anos; três mulheres que vivem na estrada e nunca param no mesmo lugar; e, claro, um diretor que percebeu, na mesa de montagem, que a história que queria contar era também, inevitavelmente, a história de tê-la contado.

Com isso, são 19 anos desde a primeira ideia do roteiro de Mambembe e sua estreia nos cinemas, nesta quinta-feira, 21. Não como atraso, tropeço ou derrota, mas como método. "Não fosse esse hiato repleto de desencontros o filme não teria a beleza e a profundidade que tem. O tempo fez bem ao filme", diz Meira ao Estadão.

O cinema e o cineasta

Fabio Meira tem 45 anos, nasceu em Goiânia e chegou ao cinema pelo caminho mais lento e mais sólido possível: como assistente de Ruy Guerra, um dos fundadores do Cinema Novo e um dos maiores cineastas brasileiros vivos. Dessa convivência, Meira saiu com algo que nenhuma escola garante.

Não à toa, o circo mambembe funciona no filme como metáfora de uma ideia maior: a de que a vida pode ser reinventada, que o destino não é dado. "Talvez seja a liberdade que me atraiu desde sempre no circo", reflete Meira. "Saber que a vida pode ser reinventada e não um destino estabelecido".

Ele próprio se reconhece nessa errância: já morou em várias cidades e países diferentes, muda de casa com frequência. Seus filmes são o rastro dessa inquietação. "Minhas personagens têm uma vontade constante de se lançar no mundo e não aceitam a condição de vida que lhes propuseram. Precisam se deslocar em busca de uma vida que lhes pareça mais feliz", afirma.

Aliás, quem coloca os três longas de Meira lado a lado percebe diferenças de linguagem e de forma — o próprio diretor admite que levou um susto quando os apresentou juntos pela primeira vez a alunos universitários. "Não os lembrava tão diferentes, mas de fato o são", admite. Mas há um fio que os une: a atenção obstinada a personagens que buscam seu lugar ao sol, que resistem à condição de vida que lhes foi proposta, e que precisam, acima de tudo, aprender a amar a si mesmas.

Em As Duas Irenes, era a adolescência e o duplo identitário. Em Tia Virgínia, o envelhecimento e as dinâmicas familiares. Em Mambembe, o deslocamento físico e existencial de mulheres que vivem literalmente em trânsito. "Os três filmes trazem um olhar atento às pessoas à margem, em diferentes situações, que de certa maneira buscam o seu lugar ao sol e a possibilidade de amar, principalmente a si mesmas", resume Meira.

Estadão
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