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Em 'Uma Advogada Brilhante', Leandro Hassum sente na pele o machismo; veja vídeo

Dirigido por Ale McHaddo, comédia fala sobre um advogado que é confundido com uma mulher - e que aceita essa confusão de forma radical

6 mar 2025 - 20h12
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Foi em 2018 que a diretora Ale McHaddo viu uma matéria sobre dois advogados que tiveram suas caixas de e-mail trocadas. Um deles, do nada, passou a receber mensagens perguntando se era casado e sendo chamado para jantares. Foi aí que percebeu que sua assinatura estava como feminina, enquanto sua colega tinha a assinatura masculina. "Ele teve um mês brilhante de experiências inesperadas", diz a diretora, ao Estadão.

E então surgiu a ideia de transformar essa pequena confusão em filme. O resultado é o longa-metragem Uma Advogada Brilhante, comédia estrelada por Leandro Hassum que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 6 de março.

A história é como se fosse uma mistura dessa matéria com Tootsie e Uma Babá Quase Perfeita. Afinal, conta a história do advogado Michelle Barbieri (Hassum) - nome de inspiração italiana e que é sempre confundido com uma mulher.

Ele se aproveita dessa confusão quando o escritório em que trabalha é comprado e todos os homens são mandados embora. O RH, sem entender, acaba mantendo Michelle, que passa a se vestir como mulher para não perder o emprego e, assim, manter a guarda do pequeno filho.

Leandro Hassum vive a dra. Michelle no filme 'Uma Advogada Brilhante'
Leandro Hassum vive a dra. Michelle no filme 'Uma Advogada Brilhante'
Foto: Vans Bumpeers/Divulgação / Estadão

Hassum conta que a diretora Ale McHaddo ajudou o ator a se preparar para o papel - a cineasta passou por uma transição de gênero e conseguiu auxiliar o comediante em questões de voz e corpo. "A Ale me indicou a fonoaudióloga dela, e fizemos um trabalho de voz por quase dois meses. Tenho facilidade com voz por conta da minha experiência com dublagem, então fomos encontrando um tom adequado para a Michelle", conta Hassum.

Como evitar personagens caricatos

Hassum conta que houve uma preocupação central em evitar cair no estereótipo de personagens femininos caricatos, como fazia em esquetes do finado programa de humor Zorra Total. O objetivo era que essa mulher fosse crível, para que o protagonista se enxergasse no universo feminino e sentisse essa vivência de uma forma mais profunda.

"A construção da Michelle passou também pelo figurino. A Ale tem um senso estético forte e ajudou a criar essa 'mulher violão'. O cabelo, os óculos, tudo foi pensado para compor uma personagem impactante", diz. "O desafio é que já sou um ator naturalmente expressivo e caricato. Então, quando estava de Michelle, precisava fazer menos. O personagem já era grande por si só, e eu queria garantir que a interpretação fosse respeitosa".

No filme, aliás, é perceptível como a diretora, que é também a roteirista, teve um desejo claro em diferenciar o que estava acontecendo em cena. Em determinado momento, por exemplo, o personagem de Hassum explica que não é uma mulher trans - é crossdressing, que é quando homens cisgêneros usam roupas e acessórios geralmente feitos para mulheres.

No filme, um escritório de advocacia demite todos os homens, mas o personagem de Hassum, que tem um nome italiano que gera confusão, é mantido no quadro de funcionários
No filme, um escritório de advocacia demite todos os homens, mas o personagem de Hassum, que tem um nome italiano que gera confusão, é mantido no quadro de funcionários
Foto: Helena Yoshika/Divulgação / Estadão

"Por ser uma comédia para todos, achei essencial diferenciar esses conceitos. Algumas pessoas podem pensar que estamos falando de transição, então deixamos claro que não é o caso. O filme tem uma personagem trans, a Olivia, e também fala sobre crossdressing", diz a diretora.

"A comédia pode ajudar a explicar questões importantes de forma leve. Às vezes, as pessoas não sabem como lidar com determinados temas, e o filme ajuda a mostrar que está tudo bem, que essas realidades existem e fazem parte do nosso mundo".

Hassum disse que bateu uma preocupação com a proposta do filme - além da cutucada no machismo, mostrar a visão da mulher sobre preconceitos do dia a dia e ainda ter o comediante ali, vestido de mulher sem ser uma pessoa que vive isso na pele todos os dias.

"Sabia que estávamos lidando com o tema com respeito. Hoje, as redes sociais criam narrativas que nem sempre correspondem à realidade. Recentemente, surgiu um boato de que eu poderia ser deportado dos EUA por causa do Donald Trump! Minha mãe, de quase 80 anos, ficou desesperada. Isso mostra como as coisas podem sair do controle", ressalta.

Já Ale nunca ficou preocupada com qualquer reação. Confia no filme que fez, entende que alcançou a proposta e mostra orgulho do trabalho que apresenta em Uma Advogada Brilhante. "Nunca tive medo porque sabia que o filme não fazia deboche do homem vestido de mulher. O humor está na experiência do protagonista ao viver na pele o que as mulheres passam diariamente", diz.

Estadão
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