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'Casa de Dinamite': Pentágono critica filme da Netflix por 'imprecisões' sobre defesa nuclear

Suspense dirigido por Kathryn Bigelow acompanha o que acontece quando um míssil de origem desconhecida é lançado em direção aos Estados Unidos

27 out 2025 - 19h26
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Casa de Dinamite, novo filme dirigido por Kathryn Bigelow e lançado na Netflix na última sexta-feira, 24, recebeu críticas do Pentágono. Em documentos obtidos pela Bloomberg, o Departamento de Defesa dos EUA argumenta que o cenário representado no filme não condiz com o que aconteceria na realidade.

Na história, um míssil sem autoria identificada é lançado em direção aos Estados Unidos, e as autoridades iniciam uma corrida contra o tempo para tentar determinar o responsável pelo ataque e como reagir antes que o pior aconteça. O filme acompanha os últimos 18 minutos após o lançamento do artefato, pela ótica de três setores diferentes do governo norte-americano. Idris Elba, Rebecca Ferguson e Jason Clarke estão no elenco.

Segundo a Bloomberg, a agência ficou incomodada porque acredita que o filme representa a defesa antimísseis dos EUA como ineficaz. Em determinado trecho do documento da MDA (Agência de Defesa de Mísseis, em inglês), o órgão demonstra incômodo com um momento específico do filme, em que os artefatos de interceptação dos mísseis erra o alvo.

"Os interceptadores fictícios no filme erram o alvo, e nós compreendemos que a intenção é que isto seja parte de um drama envolvente e que visa o entretenimento do público", diz o memorando, destacando que "testes reais contam uma história muito diferente".

Na trama, o secretário de defesa, interpretado por Jared Harris, lamenta que o sistema de defesa antimísseis dos EUA tem apenas 50% de chances de acertar o alvo, apesar dos investimentos bilionários. Segundo o MDA, esses dados são baseados em protótipos iniciais, e não correspondem à realidade atual, em que os interceptadores "apresentam uma taxa de precisão de 100% nos testes há mais de uma década".

Em entrevista coletiva concedida antes do lançamento do filme, com a participação do Estadão, Bigelow declarou que trabalhou com vários consultores técnicos durante o processo de produção do filme. Tais consultores tinham diferentes níveis de conhecimento em relação ao sistema de defesa dos EUA, e alguns já haviam trabalho em posições sêniores no Pentágono e na CIA. O filme não contou com apoio dos órgãos governamentais ou da presidência atual norte-americana.

"Eles estavam comigo nos sets, e a gente não filmava nada se eles não dissessem que as coisas estavam relativamente precisas", revelou a cineasta. "A autenticidade é primordial em algo assim. Se você está convidando um público para um espaço que não está facilmente disponível, especialmente uma história como esta, você precisa que ela seja, eu acho, o mais autêntica possível."

Em entrevista ao programa The Weekend, da MSNBC, o roteirista Noah Oppenheim rebateu as acusações do Pentágono, mas disse que este é exatamente o tipo de reação que o filme busca.

"Eu acolho a conversa com satisfação. Fico muito feliz que o Pentágono tenha assistido ou esteja assistindo ao filme e prestando atenção, porque é esse o tipo de conversa que queremos ter", declarou.

"Eles fazem referência a um momento no filme em que nosso sistema de interceptação falha e não consegue parar o míssil. Eles alegam que o sistema da vida real é muito mais preciso do que no filme. Respeitosamente, nós discordamos. Eu não sou um especialista em defesa de mísseis, mas eu conversei com muitos especialistas, e tudo está registrado. Infelizmente, nosso sistema de defesa de mísseis é altamente imperfeito, e se o Pentágono quiser ter esta conversa sobre melhorá-lo ou qual é o próximo passo, é exatamente isso que nós queremos."

Estadão
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