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Conheça o homem que inspirou 'O Contador de Histórias'

7 ago 2009 - 20h01
(atualizado às 20h03)
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"É tão real que parece filme". A frase, que costuma ser usada à luz de cenas tão "reais" que poderiam ser exibidas no "cinema", deve ser usada em reflexo invertido na vida de Roberto Carlos Ramos. Ele tem uma história tão cinematográfica que nem parece real. E, portanto, só poderia ser filme.

Roberto Carlos Ramos, que inspirou o filme 'O Contador de Histórias'
Roberto Carlos Ramos, que inspirou o filme 'O Contador de Histórias'
Foto: Divulgação

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Foi assim que se fez O Contador de Histórias, filme de Luiz Villaça sobre o real roteiro vivido por Roberto, um menino que, ilhado por uma realidade seca e feia da vida nas ruas e na antiga Febem, conseguiu se aventurar pelo grande oceano de sua própria quimera. Tal como um Capitão Nemo, personagem usado no filme de Villaça como uma alegoria para a capacidade de Roberto em fazer grandes viagens, ele conseguiu navegar por debaixo da superfície do real e se tornou conhecido internacionalmente como um dos maiores contadores de histórias do mundo.

Em entrevista exclusiva ao Terra, Roberto Carlos dá sua opinião sobre o filme que espelha sua vida da maneira como ele espelha suas histórias: "cheia de fantasias."

Normalmente quando as pessoas acham uma história muito interessante, se costuma falar "ah, isso dava um filme". Você sabia que sua história dava um filme?

As pessoas sempre falaram isso. E eu sempre tive uma preocupação porque existem duas maneiras de se contar uma história: chorando ou vendendo lenço. E eu sempre procurei contar a minha história como uma forma de vender lenço pras pessoas. Não como a história de um coitado. A frase que eu mais ouvi foi sempre esse: sua história dava um filme, sua história dava um filme. Até que o Villaça me ligou e falou: ¿olha sua história dá um filme e vamos fazer o filme da sua história.¿ E ele insistiu e conseguiu fazer um filme.

O Luiz Villaça opta por contar tua história quase como uma fábula. Era a maneira como você naturalmente contaria sua vida?

É a maneira como eu conto minha história. Muito cheia de fantasias. Falei que eu poderia fazer da minha história algo trágico. Se eu for contar ela secamente, ela fica uma coisa feia. E aquelas imagens que ele utilizou são as imagens que eu utilizo quando narro a minha história. Ele foi muito fiel à minha capacidade de contar a história. Tem muito daquilo que ele colocou ali.

No filme, no momento em que você é introduzido à narrativa do Capitão Nemo, existe toda uma nova história a ser contada. De que maneira a aventura daquele Capitão Nemo ativou em você uma nova vontade de contar histórias?

Na verdade, eu já contava histórias naquela época. Fui alfabetizado muito tardiamente. E a forma de eu fazer amigos e chamar atenção era criando histórias que meus colegas adoravam. Mas sempre ouvi as histórias, as pessoas contavam, eu adaptava e recontava. Histórias de lobisomem, de mula sem cabeça, meus colegas adoravam. Quando percebi que era capaz de tirar uma história de uma caixinha daquele tamanho (um livro), lendo e folheando, foi uma coisa mágica. Hoje se fala muito no CD, no DVD, mas aquilo pra mim foi o aparelho mais fantástico de ativar a mente. O livro pra mim foi maravilhoso.

O Capitão Nemo foi pontual nisso ou foi apenas um recurso do filme?

Ele (Luiz Villaça) usou a história das Vinte Mil Léguas Submarinas, mas na verdade foram dezenas de histórias que li na época. Vinte Mil Léguas... foi uma dessas.

Você gostou da escolha do elenco que te interpretou e houve uma relação com os atores?

Não houve relação. Na verdade, fui uma vez só no set de filmagens. Só pra cumprimentar as pessoas, dar um alô e me retirar. Porque tenho que me render à minha capacidade. A linguagem do cinema não é a minha linguagem. A minha linguagem é a oralidade. A linguagem pictórica que é a do cinema, o Villaça domina. Então uma coisa que a gente estabeleceu desde o começo: eu confiei no Villaça e ele confiou em mim. Entreguei nas mãos dele e ele fez uma coisa maravilhosa.

E os meninos, você gostou deles?

Muito, acho que eles conseguiram captar. Interessante é pra alguns foi o primeiro trabalho, e eles tiraram de letra.

Fonte: Redação Terra
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