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Caetano Veloso e Maria Bethânia vencem Grammy 2026 e premiação vira festa latina

A cerimônia do Grammy, realizada neste domingo (1º) em Los Angeles, trouxe alegria aos brasileiros. Dois dos maiores ícones da MPB, os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia, levaram o prêmio de Melhor Álbum de Música Global por "Caetano e Bethânia Ao Vivo". A grande festa da música também se tornou uma celebração latina, com Bad Bunny fazendo história ao vencer o maior prêmio da noite com um álbum inteiramente cantado em espanhol, em uma noite pontuada por críticas à política migratória de Donald Trump.

2 fev 2026 - 05h04
(atualizado às 05h07)
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Cleide Kclock, correspondente da RFI em Los Angeles

Caetano Veloso e Maria Bethânia ganham Grammy e premiação vira festa latina
Caetano Veloso e Maria Bethânia ganham Grammy e premiação vira festa latina
Foto: AFP - DANIEL RAMALHO / RFI

O ano começou com reconhecimentos a artistas brasileiros no cinema — com prêmios no Critics' Choice, no Globo de Ouro, indicações ao Oscar — e agora a MPB volta aos palcos da maior premiação da indústria fonográfica. A entrega do prêmio de Melhor Álbum Global aconteceu na cerimônia que antecede a transmissão televisionada, e Caetano Veloso e Maria Bethânia não estavam presentes.

O prêmio foi recebido pela apresentadora Dee Dee Bridgewater em nome dos brasileiros. E, logo após, em um vídeo postado na internet, foi revelado que Caetano, na hora da premiação, assistia a um desenho animado com o neto, na cama, e foi aí que recebeu a notícia e ligou para a irmã para informá-la do prêmio.

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Esse é o primeiro Grammy de Maria Bethânia — que neste ano completa 80 anos — e o terceiro de Caetano (1997 e 2000). Essa foi a primeira vez que uma cantora brasileira venceu o Grammy na categoria de álbum internacional por uma produção 100% nacional. O álbum "Caetano e Bethânia Ao Vivo" é um registro da turnê que celebra mais de seis décadas de parceria dos irmãos nos palcos.

Fiesta Latina

Já o grande vencedor da noite no prêmio principal não poderia ser mais simbólico para o momento vivido nos Estados Unidos. Bad Bunny ganhou Melhor Álbum ("Tirar Más Fotos") e fez história. Esta é a primeira vez, em 68 anos de Grammy, que o prêmio máximo vai para um álbum todo cantado em espanhol.

Lembrando que, em 1965, "Getz/Gilberto", de Stan Getz e João Gilberto, com participação de Tom Jobim e Astrud Gilberto, também fez história ao ser o primeiro álbum de jazz, e com forte presença da língua portuguesa, a ganhar o Grammy de "Álbum do Ano". Até a noite deste domingo, este era o único vencedor da categoria de uma língua não inglesa.

O artista porto-riquenho, muito emocionado, fez a maior parte do discurso em espanhol e dedicou o prêmio "aos imigrantes que precisam deixar seus países para seguir seus sonhos, para quem se sente perdido e ainda assim encontra força para continuar", disse ele.

No início da cerimônia, Bunny ganhou o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana e começou o discurso falando: "Fora a polícia de imigração. Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas, somos humanos e somos americanos." Bad Bunny se apresenta no show do intervalo do Super Bowl no próximo domingo (8), em Santa Clara, também na Califórnia, em mais um momento importante de visibilidade da cultura latina, colocando-a no maior palco da cultura pop americana e refletindo debates atuais sobre identidade, inclusão, imigração e política.

Billie Eilish, ao receber o troféu de Música do Ano, também aproveitou para defender a causa: "Ninguém é ilegal em terras roubadas", falou a cantora de "Wildflower". Olivia Dean, vencedora como Artista Revelação, fez uma homenagem às suas raízes; ela tem ascendência jamaicana-guianense. "Eu estou aqui como uma neta de imigrantes. Na verdade, sou o resultado da luta [deles] e essas pessoas precisam ser celebradas", disse.

Com mais gramofones dourados para a coleção, Kendrick Lamar, na noite deste domingo, se tornou o rapper mais premiado da história do Grammy, ultrapassando Jay-Z, com um total de 27 vitórias na carreira. Lamar recebeu quatro prêmios neste domingo, incluindo Gravação do Ano.

Trump ameaça processar apresentador

Nesta segunda-feira (2), o presidente americano Donald Trump ameaçou abrir um processo judicial contra o humorista Trevor Noah, que apresentou esta edição do Grammy.

Após a vitória de Billie Eilish no Grammy de Canção do Ano por "Wildflower", Trevor Noah mencionou Trump e Epstein. "Parabéns, Billie Eilish. Uau! Esse é o tipo de Grammy que todos os artistas cobiçam, quase tanto quanto Trump cobiça a Groenlândia. O que faz sentido, porque, desde o desaparecimento de Epstein, ele precisa de uma nova ilha para circular com Bill Clinton", disse o apresentador.

O apresentador Trevor Noah "declarou, ERRONEAMENTE a meu respeito, que Donald Trump e Bill Clinton passaram tempo na ilha de Epstein. FALSO!!!", escreveu o presidente em sua rede Truth Social assim que a cerimônia terminou em Los Angeles. "Não posso falar por Bill, mas nunca estive na ilha de Epstein, nem mesmo em algum lugar próximo, e, até essa afirmação falsa e difamatória desta noite, ninguém jamais me acusou de ter estado lá, nem mesmo a imprensa que divulga alegações falsas", afirmou Donald Trump.

"Noah, esse perfeito fracassado, faria melhor em se informar direito, e rápido. Parece que vou mandar meus advogados processarem esse pobre mestre de cerimônias patético, sem talento e completamente idiota, e processá-lo por muito dinheiro", ameaçou. "Prepare-se, Noah, vou me divertir muito com você!", concluiu Donald Trump.

*Com agências

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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