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Bienal de SP cancela de última hora debate com princesa belga por oposição da curadoria; entenda

Princesa Marie-Esmeralda participaria de uma conversa com o fotógrafo João Farkas sobre preservação da natureza na quinta, 6. Assessoria de Esmeralda não comentou

5 nov 2025 - 12h08
(atualizado às 13h16)
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A Bienal de São Paulo cancelou de última hora um debate com a princesa Marie-Esmeralda, da Bélgica, e o fotógrafo e documentarista João Farkas que ocorreria na quinta, 6. A decisão foi confirmada pelo evento em nota enviada ao Estadão nesta quarta, 5.

Segundo a Fundação Bienal de São Paulo, o cancelamento foi motivado por "preocupações com segurança" e uma decisão da curadoria, "dado o conflito entre o trágico passado colonial belga e os temas abordados pela exposição".

A reportagem entrou em contato com a assessoria de Esmeralda, que não divulgou um pronunciamento sobre a decisão.

A princesa é um nome importante na defesa do meio-ambiente e herdou do pai, o Rei Leopoldo III, um comprometimento com a defesa da Amazônia. Esmeralda também vai participar da COP-30, em Belém, evento que tem início na segunda, 10.

Passado colonial belga

O cancelamento do evento da Bienal está relacionado ao parentesco de Esmeralda com o Rei Leopoldo II, monarca responsável pelo violento domínio colonial do Congo no final do século 19. A princesa é bisneta de Leopoldo II.

Esmeralda, porém, já se posicionou contra o passado da família e chegou a pedir para retirar estátuas de Leopoldo II da Bélgica. Em entrevista à AFP em 2022, a princesa afirmou que o país deve "desculpas" pelo passado colonial.

Segundo Esmeralda, o posicionamento lhe rendeu críticas. "Eu não estava atacando minha família atual. Não somos responsáveis ??por nossos ancestrais, mas temos a responsabilidade de falar sobre isso", disse à época.

Defesa do meio-ambiente

A princesa atualmente é presidente do Fundo Rei Leopoldo III, criado pelo pai em defesa da conservação da natureza. Leopoldo III visitou o Brasil pela primeira vez em 1920, durante a "Visita dos Reis Belgas ao Brasil", e se apaixonou pela Amazônia.

Após abdicar do trono, ele passou a se dedicar ao meio-ambiente e se tornou um dos primeiros estrangeiros a visitar o Xingu. Esmeralda trabalhou como jornalista sob um pseudônimo por anos e decidiu adotar seu nome de princesa da Bélgica para prosseguir com o ativismo herdado do pai.

A princesa também é reconhecida pela defesa do direito das mulheres e dos povos originários. "Temos que mudar a mensagem para falar sobre o meio ambiente: usar arte, música, fotos e outras formas de comunicação para passar esperança", comentou ela em entrevista à Coluna Alice Ferraz, do Estadão, na terça, 4.

Nota completa da Bienal de São Paulo

"A Fundação Bienal de São Paulo confirma o cancelamento de atividade de programação prevista para quinta-feira, 6 de novembro, com a princesa Esmeralda da Bélgica e o fotógrafo João Farkas.

A decisão foi motivada por preocupações com segurança e em consonância com avaliação da curadoria da 36ª Bienal, dado o conflito entre o trágico passado colonial belga e os temas abordados pela exposição."

Estadão
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