Vaticano expõe obras pouco vistas de nomes como Munch e Dalí
150 gravuras, xilogravuras, água-tintas, litografias e outros tipos de arte gráfica do século 20 estão sendo expostas à luz do dia
Elas poderiam ser chamadas de reproduções "vampiras" do Vaticano — obras tão delicadas de mestres como Henri Matisse, Edvard Munch e Salvador Dalí que normalmente passam anos escondidas no escuro de armazéns de museus.
Agora, 150 gravuras, xilogravuras, água-tintas, litografias e outros tipos de arte gráfica do século 20 estão sendo expostas à luz do dia — muitas pela primeira vez — na sala de exibições Braccio Carlo Magno da Praça São Pedro.
Intitulada Os Sinais do Sagrado - As Marcas do Real, a mostra é uma mistura de trabalhos com temas espirituais, interpretações modernas de cenas bíblicas, naturezas mortas, cenas naturais e peças que refletem a vida cotidiana, a guerra e a maternidade.
"Elas certamente não amam a luz", disse Francesca Boschetti, curadora da exibição, explicando que só podem ser expostas durante um período curto para evitar que se apaguem e deteriorem.
Elas emergem do que Micol Forti, chefe do departamento de arte moderna e contemporânea dos Museus do Vaticano, classifica como uma "vida oculta e secreta, passada na escuridão de gabinetes e cofres".
Alguns dos artistas cujas obras estão à mostra, como Edvard Munch, famoso por O Grito, tiveram estilos de vida boêmios e às vezes hedonistas e não eram conhecidos por serem religiosos, mas se sentiram atraídos por temas espirituais — um exemplo é Velho Pintando, xilogravura de 1902 de Munch em papel de arroz japonês.
A exibição inclui o Cristo de Gala de Dalí, uma suíte estereoscópica de duas litografias com a qual o surrealista pretendia criar um efeito tridimensional quando vistas juntas.