Personagens Calvin e Haroldo comemoram 25 anos de sucesso
Para os outros, ele é um bicho de pelúcia. Mas para um menino de seis anos, o tigre é seu melhor amigo, com quem conversa sobre os mais diversos temas e vive aventuras. Esse é o mote da tira de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson, publicada pela primeira vez no dia 18 de novembro de 1985, em 35 jornais. O nome original, Calvin and Hobbes, é uma brincadeira: homenageia o teólogo John Calvin e o filósofo Thomas Hobbes.
O autor só desenhou a tira durante dez anos e, nesse tempo, ela chegou a aparecer em 2.400 jornais ao mesmo tempo. Atualmente, ela é republicada em mais de 50 países. Os 18 livros dos personagens venderam cerca de 45 milhões de exemplares.
"Eu adoro a tira. Adoro o desenho sintético e ao mesmo tempo ultraexpressivo que ele imprime no Calvin e seu tigre. Eis um cara que entendeu como funciona a cabeça de uma criança e - muito raro - não quis ficar milionário com isso", elogia o quadrinista Allan Sieber (da tira Vida de Estagiário).
"O texto é muito diferente e eu gosto do desenho. Virou uma referência de uma tira muito bem-feita, muito criativa. Eu não conheço quem não goste", faz coro Fernando Gonsales (de Níquel Náusea). "O fato de ser republicada até hoje mostra que tem muita vitalidade. Eu, por exemplo, sou um cara que não tem muito quadrinho em casa. Os livros do Calvin eu tenho", conta o cartunista.
"É atemporal. Eu gosto porque tem uma ingenuidade da infância que é muito bem expressa, uma criatividade infantil. Influenciou um monte de cartunistas", acredita Daniel Paiva, diretor do documentário Malditos Cartunistas ao lado de Daniel Garcia.
O cartunista Laerte é fã e diz ter influência direta da tira. "Quando a gente aprecia muito um artista e tem admiração pelas soluções gráficas e narrativas, procura trazer para o nosso trabalho, também", explica ele. Laerte já declarou que deixou de fazer seu personagem Grafiteiro quando achou que ele estava ficando parecido demais com Calvin.
Apesar do sucesso de Calvin, seu criador nunca explorou o personagem em merchadising: fora os livros e alguns calendários, qualquer material estampado com o menino é pirata. Nem mesmo animação o lourinho ganhou: Bill Watterson afirma ter orgulho de ter desenhado cada tirinha e escrito cada fala da série.