O design italiano na concepção das 'cidades inteligentes'
Objetos são pensados para garantir maior sustentabilidade
Por Luciana Ribeiro - Caracterizado por sua leveza, contemporaneidade, sensibilidade e ousadia, o design italiano é referência em todo o mundo. No entanto, apesar de sua tradição, a revolução tecnológica e digital tem feito o setor refletir sobre novas funcionalidades e inovações, principalmente na concepção das chamadas "Smart Cities".
Baseadas na ideia de que beleza arquitetônica, funcionalidades para melhorar a vida das pessoas e sustentabilidade são indissociáveis, as "cidades inteligentes" também podem se beneficiar com a evolução do design "made in Italy".
"Quando os designers desenham um objeto, como uma simples cadeira, eles sempre pensam em contribuir com formas melhores que as anteriores, mais sustentáveis, com menos impacto ambiental", explicou à ANSA o diretor acadêmico do Instituto Europeu de Design (IED), Stefano Carta.
Esse novo modelo de municípios tem transformado o modo de viver das pessoas, gerando uma demanda por espaços urbanos mais sustentáveis e saudáveis, além de um modelo de desenvolvimento que produza menos desigualdade e desperdício de recursos.
Com isso, os habitantes de cidades inteligentes precisam cada vez mais ter objetos de design práticos, mas sem perder sua qualidade.
"A ideia é termos cidades inteligentes com pequenos produtores, e não mais aquelas grandes fábricas. Essa escala é muito sustentável e inteligente. As futuras smart cities vão precisar retomar, de forma mais sustentável, essa pequena escala de produção, o 'feito à mão', e não aquela massiva das cidades históricas", acrescentou o diretor do IED.
De acordo com o especialista, entre os exemplos interessantes de produtos de design italiano para cidades inteligentes está "uma máquina que faz suco de laranja", apresentada na Expo Milão 2015.
"A coisa mais interessante, falando de economia circular, que vai ser fundamental nas cidades inteligentes, é que essa máquina tira a casca da laranja, e essa casca é depositada em outra parte do equipamento porque ela se torna, depois de um trabalho químico, o próprio material que a máquina usa para imprimir o copo onde a pessoa vai tomar o seu suco de laranja", detalhou Carta.
O diretor IED também destacou os benefícios da produção artesanal, porque "quando você tem uma grande fábrica, ela polui mais e, se ela fecha, gera um impacto social maior, porque haverá muito mais pessoas desempregadas".
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), 70% da população mundial viverá em zonas urbanas até 2050 e, por isso, é necessário repensar a mobilidade e a sustentabilidade das cidades para evitar seu colapso.