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Mandacaru: o cacto do Nordeste que alimenta e encanta

Entre as paisagens do semiárido nordestino, o mandacaru se destaca como um dos símbolos mais marcantes da caatinga. Saiba curiosidades sobre esse cacto que alimenta e encanta.

11 fev 2026 - 07h32
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Entre as paisagens do semiárido nordestino, o mandacaru se destaca como um dos símbolos mais marcantes da caatinga. Afinal, esse cacto alto, ereto e espinhoso está presente em canções, histórias populares e no dia a dia de muitas comunidades rurais. Além de sua presença visual, o mandacaru tem funções alimentares, culturais e ecológicas que ajudam a entender melhor como a vida se adapta às condições de seca que se prolonga.

Visualmente, o mandacaru chama atenção pelo porte e pelo formato de coluna, com vários braços que se ramificam a partir do tronco principal. Ademais, sua cor verde intensa contrasta com o solo seco e pedregoso. Mesmo em períodos de estiagem, a planta permanece firme, o que faz com que associe-se à resistência e à sobrevivência no sertão. Nas noites de floração, muitas comunidades observam o cacto como um sinal de renovação e esperança de chuva.

O caule do mandacaru divide-se em gomos com costelas bem marcadas, onde se encontram os espinhos longos e rígidos, que formam uma barreira natural contra animais e ajudam a reduzir a perda de água – depositphotos.com / Raul_Romario
O caule do mandacaru divide-se em gomos com costelas bem marcadas, onde se encontram os espinhos longos e rígidos, que formam uma barreira natural contra animais e ajudam a reduzir a perda de água – depositphotos.com / Raul_Romario
Foto: Giro 10

Mandacaru: características, aparência e crescimento

O mandacaru pode alcançar entre 3 e 6 metros de altura, havendo registros de exemplares que ultrapassam esse tamanho em áreas bem preservadas. Seu caule divide-se em gomos com costelas bem marcadas, onde se encontram os espinhos longos e rígidos, que formam uma barreira natural contra animais e ajudam a reduzir a perda de água. A superfície do caule funciona como reserva hídrica, armazenando umidade durante os períodos de chuva para ser utilizada na seca.

As raízes do mandacaru são relativamente rasas, mas se espalham amplamente pelo solo, o que permite que a planta aproveite rapidamente qualquer umidade disponível após chuvas breves. Assim, esse sistema radicular extenso ajuda a fixar o solo, contribuindo para reduzir a erosão em áreas degradadas. Em alguns casos, as raízes mais grossas também armazenam água e reservas de nutrientes, garantindo que o cacto suporte longos intervalos sem precipitação.

Como são as flores e os frutos do mandacaru?

As flores do mandacaru são grandes, de coloração branca ou esbranquiçada, com muitas pétalas e formato que se alongam. Costumam se abrir ao entardecer ou durante a noite e permanecem abertas por pouco tempo, geralmente até o início da manhã seguinte. Assim, essa floração noturna favorece a visita de morcegos e insetos polinizadores, essenciais para a formação dos frutos. A floração costuma ocorrer em períodos mais quentes e, em várias regiões, associa-se ao início ou à expectativa do período chuvoso.

O fruto do mandacaru é uma espécie de baga carnosa, geralmente em formato oval, que pode apresentar tonalidades que vão do verde ao vermelho ou roxo intenso quando está maduro. Por sua vez, a polpa é suculenta, com sabor doce e levemente ácido, com o recheio de pequenas sementes escuras. Portanto, essa combinação de textura e sabor torna o fruto atrativo tanto para humanos quanto para aves e outros animais. Assim, eles ajudam a dispersar as sementes pelo ambiente, favorecendo a regeneração da caatinga.

Mandacaru é comestível? Usos na alimentação humana e animal

Tanto o fruto do mandacaru comestível quanto partes do caule são utilizados na alimentação em diferentes contextos. Para o consumo humano, o uso mais comum é o aproveitamento do fruto maduro. Afinal, o seu consumo pode se dar in natura, após a remoção da casca e dos espinhos, ou utilizado em preparações caseiras. Em algumas localidades, famílias rurais utilizam o mandacaru como complemento alimentar em épocas de menor oferta de frutas cultivadas.

Na alimentação animal, o mandacaru tem papel importante em momentos de seca intensa. Por isso, produtores rurais costumam cortar os cladódios (os "braços" do cacto), retirar os espinhos por queima ou raspagem e oferecê-los como forragem para bovinos, caprinos e ovinos. Porém, essa prática exige cuidado, pois o manejo inadequado pode causar ferimentos nos animais. Mesmo assim, o cacto é uma reserva estratégica de alimento. Em especial, em regiões onde a pastagem é escassa durante longos períodos.

Formas de consumo do fruto de mandacaru e benefícios nutricionais

O consumo do fruto do mandacaru se dá de forma simples, em pedaços, ou transformado em doces artesanais. Em algumas comunidades, é comum o preparo de:

  • Geléias e compotas caseiras;
  • Sucos misturados com outras frutas regionais, como umbu e maracujá do mato;
  • Doces de corte e recheios para bolos, de forma semelhante ao uso de outras cactáceas;
  • Polpa congelada para consumo ao longo do ano.

Do ponto de vista nutricional, a polpa do mandacaru tende a apresentar boa quantidade de água, fibras e carboidratos, além de vitaminas e minerais em níveis variados. Entre os nutrientes mais associados a esse tipo de fruta estão:

  1. Fibras alimentares, que auxiliam o funcionamento intestinal;
  2. Vitamina C, presente em muitas frutas da caatinga, relacionada à proteção das células;
  3. Compostos antioxidantes naturais, que ajudam a reduzir a ação de radicais livres;
  4. Minerais como cálcio e ferro, que contribuem para funções ósseas e sanguíneas.

Os teores exatos podem variar conforme o solo, o clima e o estágio de maturação. Ainda assim, o mandacaru se encaixa no grupo de frutas nativas com potencial para diversificar a alimentação regional e ampliar a oferta de nutrientes em contextos de vulnerabilidade alimentar.

As flores do mandacaru são grandes, de coloração branca ou esbranquiçada, com muitas pétalas e formato que se alongam – depositphotos.com / Raul_Romario
As flores do mandacaru são grandes, de coloração branca ou esbranquiçada, com muitas pétalas e formato que se alongam – depositphotos.com / Raul_Romario
Foto: Giro 10

Importância ecológica e papel cultural do mandacaru no Nordeste

No ambiente da caatinga, o mandacaru na caatinga funciona como abrigo, alimento e ponto de referência para diversas espécies. Aves se alimentam dos frutos e utilizam os ramos para nidificação; pequenos mamíferos encontram proteção entre os espinhos; insetos aproveitam flores e cavidades do caule. Além disso, a capacidade de armazenar água e fixar o solo torna o cacto um aliado em iniciativas de recuperação de áreas degradadas e combate à desertificação.

Culturalmente, o mandacaru aparece em músicas, poemas, literatura de cordel e na memória coletiva do sertão. É comum ser citado como sinal de chuva, de mudança de tempo ou de transformação na paisagem. Em festas e celebrações regionais, sua imagem é utilizada em bandeiras, pinturas e artesanato, reforçando o vínculo identitário entre a planta, o povo nordestino e o bioma da caatinga.

Entre as curiosidades regionais, destaca-se o uso do mandacaru em cercas vivas, formando barreiras naturais para animais, e em quintais de comunidades rurais, onde a planta assume tanto função ornamental quanto prática. Em alguns relatos, o florescimento do cacto à noite é observado por famílias como um pequeno evento, marcando a resistência da vida em um ambiente de condições climáticas desafiadoras.

Giro 10
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