Comediante italiano desiste de Sanremo após polêmica com piadas homofóbicas
Meloni saiu em defesa de Andrea Pucci após decisão
O humorista italiano Andrea Pucci desistiu de participar do Festival de Sanremo, que começa no próximo dia 24 de fevereiro, após ser alvo de críticas por suas piadas homofóbicas e sexistas e por suas supostas conexões com a extrema direita.
O humorista havia sido escolhido como co-apresentador do concurso musical italiano pelo diretor artístico Carlo Conti, mas a decisão foi imediatamente questionada por parte do público e por partidos de centro-esquerda.
Em comunicado à imprensa, Pucci denunciou uma série de ataques que ele e seus parentes receberam, descrevendo uma "onda midiática negativa" que altera "o pacto fundamental" com o público.
"Os insultos, ameaças e xingamentos que minha família e eu recebemos nos últimos dias são incompreensíveis e inaceitáveis", lamentou. O artista enfatizou ainda que seu trabalho "tem sido fazer as pessoas rirem por 35 anos", mas "poderia dizer para sempre".
"Sempre levei os costumes e tradições do meu país para o palco, satirizando traços de caráter de homens e mulheres. Através do meu trabalho, alcancei metas e objetivos com a intenção de levar sorrisos e alegria a quem sempre veio assistir aos meus espetáculos", afirmou.
Aos 61 anos, Pucci explicou que, após problemas de saúde recentes, não se sente motivado a se envolver em "uma batalha intelectualmente desigual". Ele agradeceu a Carlo Conti, à Rai e a todos que acreditaram nele, destacando que a oportunidade teria sido uma grande celebração.
"O termo fascista não deveria mais existir. Homofobia e racismo evidenciam ódio à raça humana, e eu nunca odiei ninguém", concluiu.
O caso gerou grande repercussão política. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, saiu em defesa do humorista, expressando sua "solidariedade" diante da "pressão ideológica" que, em sua opinião, ele vem sofrendo.
"É preocupante que em 2026 um artista se sinta forçado a abandonar seu trabalho por causa de um clima de intimidação e ódio", enfatizou ela, acrescentando que a "guinada iliberal da esquerda na Itália está se tornando alarmante".
Já o vice-prmeiê e ministro de Infraestrutura, Matteo Salvini, expressou solidariedade a Pucci em suas redes sociais, assim como o chanceler italiano, Antonio Tajani.
A decisão foi tomada por Pucci após uma série de piadas publicadas em suas redes sociais serem recuperadas. Por exemplo, ele ridicularizou o físico da secretária do Partido Democrático (PD), da oposição, Elly Schlein, e o da ex-ministra Rosy Bindi, enquanto elogiava as políticas e "vitórias" de Meloni.
Além disso, foi relembrada uma piada que ele fez sobre uma personalidade televisiva bastante conhecida, Tommaso Zorzi, fazendo alusão à sua homossexualidade.
A 76ª edição do Festival de Sanremo será realizada entre os dias 24 e 28 de fevereiro para eleger o artista vencedor, que consequentemente terá a oportunidade de representar a Itália no Eurovision.