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Itália ajudará a tirar obras de escombros do Museu Nacional

Parceria foi anunciada por vice-ministra dos Bens Culturais

19 jun 2019
13h08
atualizado às 13h17
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Renomada mundialmente por sua experiência na tutela e restauração de patrimônios históricos e culturais, a Itália ajudará a salvar obras que ainda estão perdidas nos escombros do Museu Nacional do Rio de Janeiro, destruído por um incêndio em setembro de 2018.

Obras de reconstrução do Museu Nacional do Rio de Janeiro
Obras de reconstrução do Museu Nacional do Rio de Janeiro
Foto: EPA / Ansa - Brasil

A parceria foi revelada pela subsecretária do Ministério dos Bens Culturais italiano, Lucia Borgonzoni, em entrevista exclusiva à ANSA nesta quarta-feira (19), durante sua visita ao Rio. No início do mês, a pasta já havia se comprometido a enviar itens arqueológicos para uma exposição no Brasil, mas a colaboração deve ser maior do que o previsto.

Durante uma visita ao Museu Nacional, Borgonzoni descobriu que muitos itens do acervo continuam perdidos em meio aos escombros. "O raciocínio que fizemos é que podemos dar uma mão nessa fase de recuperação para salvar o maior número de coisas que possam ser salvas", disse a subsecretária, cargo equivalente a vice-ministra.

Devido à situação atual do prédio, Borgonzoni não entrou no museu, mas visitou contêineres que abrigam itens já removidos e viu slides que mostram o estado dos espaços internos. "A ideia [da ajuda para retirar as obras dos escombros] nasceu da inspeção feita no museu, quando vimos que ainda há muitos passos a serem dados. Daremos uma mão e, enquanto o museu é recuperado, faremos uma exposição no Instituto Italiano de Cultura e no Consulado", acrescentou.

Segundo a subsecretária, um grupo de técnicos ainda avaliará como a Itália pode ajudar e quais especialistas são mais adequados à tarefa. "Acho que é um dever dar uma mão e proteger aquilo que houver de salvável", afirmou Borgonzoni, lembrando a experiência italiana na recuperação e tutela de bens culturais.

A entrevista foi concedida por telefone, enquanto a subsecretária participava de um simpósio internacional no Rio de Janeiro chamado "O museu como laboratório: memória, sustentabilidade e inovação", realizado no Instituto Italiano de Cultura e que discute justamente a gestão do patrimônio artístico e histórico.

Borgonzoni veio ao Brasil com uma delegação que inclui o diretor do Parque Arqueológico de Ercolano, Francesco Sirano, e o diretor do Museu Arqueológico Nacional de Nápoles, Paolo Giulierini, além de historiadores da arte e restauradores.

Uma das integrantes da comitiva, Elisabetta Canna, restauradora do Parque de Ercolano, teve acesso a algumas peças tiradas do Museu Nacional para definir como a Itália poderá ajudar também na restauração das obras.

Em sua visita, Borgonzoni se reuniu com o ministro da Cidadania, Osmar Terra, com o secretário especial da Cultura, Henrique Pires, visitou a Biblioteca Nacional do Rio e discutiu parcerias no setor audiovisual.

Exposição

O acervo do Museu Nacional incluía uma coleção arqueológica trazida ao Brasil por Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, nascida em Nápoles, como dote de seu casamento com o imperador Dom Pedro II.

Enquanto o museu é recuperado, a Itália enviará para exposição no Rio de Janeiro, por tempo indeterminado, uma série de itens dos parques de Pompeia e Ercolano e do Museu Arqueológico de Nápoles.

A mostra ainda não tem data definida, mas acontecerá no Consulado-Geral da Itália na capital fluminense. Além disso, o país europeu ofereceu uma colaboração para restaurar uma estatueta koré (estátua feminina grega em pé e com postura rígida) trazida por Teresa Cristina e danificada no incêndio. 

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Ansa - Brasil   
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