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Diretora afegã lecionará na Escola Nacional de Cinema de Roma

Karimi foi uma das protagonistas de debate no Festival de Veneza

11 out 2021 12h52
| atualizado às 13h07
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A cineasta afegã Sahraa Karimi será uma das professoras convidadas do ano acadêmico 2021/2022 do Centro Experimental de Cinematografia da Escola Nacional de Cinema de Roma (CSC), anunciou a organização nesta segunda-feira (11). Ela lecionará em um curso interdisciplinar sobre inovações em storytelling.

Karimi lecionará em universidade de Roma
Karimi lecionará em universidade de Roma
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Karimi fugiu de Cabul em 15 de agosto após a retomada do poder do grupo fundamentalista Talibã. A cineasta foi uma das protagonistas de um debate sobre a cultura no Afeganistão durante um painel do Festival de Veneza deste ano.

"É uma grande oportunidade para uma diretora como eu, mas também é uma grande honra. Para mim, essa oportunidade é uma viagem de cura para sobreviver ao trauma que eu e meu país estamos atravessando nos últimos meses", disse Karimi em comunicado divulgado pelo CSC.

A diretora foi a primeira mulher da história a comandar a instituição nacional que representa o setor da sétima arte no Afeganistão, em 2019, e a primeira a ter um PhD em cinema, mas fugiu perante às ameaças dos talibãs contra os artistas.

Karimi estudou no Irã até os 16 anos e sua carreira começou aos 14 anos ao participar do filme "Daughters of the Sun", de Maryam Shahriar. Em 2018, seu longa de estreia "Hava, Maryam, Ayeshi" foi um dos primeiros filmes do cinema afegão a concorrer na seleção "Horizontes" do Festival de Veneza. A obra também foi a escolhida pelo Afeganistão para concorrer ao Oscar.

A presidente da Fundação CSC, Marta Donzelli, afirmou que a ideia de contratar a cineasta ocorreu ainda em agosto e que o "apelo" que ela fez à época "foi algo que me atingiu profundamente".

"Sahraa não é só uma artista de grande talento, mas uma mulher de extraordinária coragem, que dedicou os últimos anos ao desenvolvimento de um cinema livre em seu país, que deu apoio aos jovens artistas e aos direitos das mulheres", acrescentou.

A italiana ainda afirmou que a aceitação do pedido por parte da afegã é "uma pequena luz no escuro" para as artes do Afeganistão.

Já o ministro dos Bens Culturais, Dario Franceschini, disse no comunicado que "a Itália está próxima ao povo afegão para proteger a liberdade criativa dos artistas".

"A importante colaboração entre o Centro Experimental de Cinematografia e a diretora Sahraa Karimi vai nessa direção e é coerente com o compromisso da Itália, assumido também ao promover o primeiro G20 da Cultura da história que, em seu documento final, cobra os governos do G20 para que criem as bases para que todos os atores culturais, os artistas e os criativos possam trabalhar em um ambiente livre, inclusivo e seguro", acrescentou.

Karimi e a documentarista Sahra Mani fizeram duros relatos durante o painel no Festival de Veneza, ocorrido em 4 de setembro, e pediram que o mundo "não esqueça" de seu país e não caia nas narrativas do Talibã.

"Os talibãs são tão cruéis como eram há 20 anos, só que agora estão mais espertos e capazes de usar melhor a propaganda, fazendo acreditar que eles mudaram", disse à época lembrando o discurso de que não perseguiriam mais as mulheres.

Na visão distorcida do grupo fundamentalista, as artes não são permitidas. Durante seu primeiro governo, entre 1996 e 2001, os extremistas proibiram qualquer tipo de manifestação artística, seja a música, o cinema ou qualquer outra.

Ao retomar o poder, poucas semanas depois, eles voltaram a proibir a música - inclusive a religiosa - em qualquer parte do país. Opositores também denunciaram o assassinato do músico Fawab Andarabi, que foi morto na frente dos familiares por tocar música tradicional regional. .
   

Ansa - Brasil   
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