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Artistas lançam manifesto para proteger Veneza

Texto traz 10 mandamentos para salvar a cidade ameaçada pela crise climática; Mick Jagger e Wes Anderson estão entre os signatários

2 jun 2021 11h59
| atualizado às 12h37
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Um grupos de personalidades internacionais, como o músico Mick Jagger e os cineastas Francis Ford Coppola e Wes Anderson, enviou uma carta pública às principais autoridades da Itália com 10 "mandamentos" para proteger Veneza.

Navio de cruzeiro no centro histórico de Veneza, em foto de arquivo
Navio de cruzeiro no centro histórico de Veneza, em foto de arquivo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A mensagem é endereçada ao presidente da República, Sergio Mattarella, ao premiê Mario Draghi, ao ministro da Cultura, Dario Franceschini, ao governador do Vêneto, Luca Zaia, e ao prefeito de Veneza, Luigi Brugnaro.

Além de Jagger, Coppola e Anderson, a lista de signatários inclui o cineasta James Ivory, a atriz Tilda Swinton, o artista Anish Kapoor, o diretor do Museu Guggenheim de Nova York, Richard Armstrong, e mecenas do mundo das artes. "É necessário um estatuto especial para Veneza, uma lei que proteja não apenas sua integridade física, mas também seu tecido urbano e sua identidade cultural", diz a carta.

A iniciativa da mensagem é da Fundação Venetian Heritage, que financia obras de restauração no centro histórico da cidade. "Pedimos que seja preservado não apenas o imenso patrimônio artístico, mas também a vida municipal que confere sua alma", acrescenta a carta. As personalidades apresentam uma lista de 10 "mandamentos" para garantir o futuro de Veneza, que está ameaçada pela crise climática e pelo turismo de massa, como a conclusão das obras do "polêmico Mose", sistema de barreiras para impedir o alagamento do centro histórico da cidade.

Construídas desde 2003 ao custo de 5,5 bilhões de euros, as comportas já funcionam em regime experimental desde o ano passado, mas o projeto só deve ser entregue totalmente em dezembro de 2021. Os artistas ainda cobram o fim do tráfego de grandes navios - como os de cruzeiro - pelo centro histórico de Veneza e a proteção do ecossistema da lagoa que abriga o coração da cidade.

Em relação ao turismo de massa, a carta pede a criação de um sistema de "reservas obrigatórias" para o acesso de grupos de visitantes e o combate aos aluguéis por temporada e à especulação imobiliária.

O decálogo ainda recomenda a "facilitação de aluguéis de pontos de negócios para residentes"; o "controle de licenças comerciais" para combater atividades abusivas; medidas para preservar o "decoro urbano" e evitar que Veneza se torne uma "Disneylândia"; uma "nova gestão do tráfego aquático"; e a criação de uma "sala de controle" para planejar eventos culturais.

Cruzeiros

No fim de março, o governo da Itália aprovou um decreto-lei que proíbe o tráfego de embarcações de 40 mil toneladas ou mais pelo centro histórico de Veneza.

Tradicionalmente, navios de cruzeiro atravessavam a Bacia de San Marco e o Canal de Giudecca para chegar a um terminal de passageiros ao lado da principal estação ferroviária da cidade - são famosas as fotos que mostram o contraste entre o gigantismo desses transatlânticos e a fragilidade das construções.

No entanto, o decreto do governo estabelece que, até a aprovação de uma solução definitiva, os grandes navios usem uma via marítima alternativa até o porto comercial de Marghera, na parte continental do município.

A própria Unesco chegou a ameaçar colocar Veneza em uma lista de "lugares em risco" caso transatlânticos continuem atravessando o coração da cidade.

Ansa - Brasil   
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