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Arqueólogos reconstroem carro cerimonial da Pompeia antiga com peças 'perdidas'

Objetos ficaram armazenados por 200 anos em museu na Sicília

6 nov 2026 - 15h48
(atualizado às 16h22)
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Resumo
Arqueólogos reconstruíram um raro carro cerimonial romano do século I d.C., escavado em Pompeia em 1805, a partir de peças de bronze e ferro guardadas por quase 200 anos no Museu Salinas, em Palermo. A identificação dos itens foi possível graças à semelhança com a carruagem achada em Civita Giuliana, em 2021. O luxuoso veículo, chamado pilentum e usado pela elite feminina e sacerdotisas em rituais, foi restaurado em uma base de acrílico e agora está aberto à visitação pública.

Um valioso carro cerimonial do século I d.C., proveniente da Casa de Salústio, no sítio arqueológico de Pompeia, na Itália, foi reconstruído a partir de peças de bronze e ferro que permaneceram "encostadas" durante quase dois séculos em um museu siciliano.

Veículo cerimonial era chamado de 'pilentum' na Roma Antiga
Veículo cerimonial era chamado de 'pilentum' na Roma Antiga
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A descoberta, resultado de uma minuciosa investigação arqueológica, permitiu recuperar um veículo com notáveis semelhanças com a carruagem cerimonial descoberta em 2021 nas escavações de Civita Giuliana ? considerada, até então, o único exemplar de um "pilentum" preservado na Itália.

O "pilentum" era um veículo de quatro rodas, luxuoso e provavelmente coberto, utilizado principalmente pelas matronas romanas ? mulheres casadas de posição social elevada ? para participar de procissões religiosas e comparecer a cerimônias e jogos públicos. As vestais, sacerdotisas da Roma Antiga dedicadas ao culto da deusa Vesta, também o utilizavam.

O carro apresenta refinadas decorações geométricas e vegetais gravadas em seus elementos de bronze ? motivos que se repetem, inclusive, nos arreios dos cavalos ?, bem como grandes anéis de ferro que sustentavam a caixa de madeira.

A reconstrução foi possível graças à identificação e ao estudo de um conjunto de objetos que haviam perdido sua identidade entre os numerosos materiais armazenados no Museu Arqueológico Regional Antonio Salinas, em Palermo.

A arqueóloga do Ministério da Cultura italiano e colaboradora do Salinas, Laura D'Esposito, contou à ANSA que tudo começou com a descoberta da carruagem de Civita Giuliana, em Pompeia.

"Quando as primeiras imagens começaram a circular, notei imediatamente a semelhança com alguns elementos de bronze conservados nos depósitos do museu e que nunca tinham sido expostos", revelou a pesquisadora.

Os objetos chegaram à Sicília em 1831, quando o rei Fernando II de Bourbon decidiu ceder ao Museu de Palermo parte de sua coleção, composta por materiais provenientes de uma escavação realizada em 1805 por Pietro La Vega na Casa de Salústio.

Entre as peças de maior destaque estava o grupo escultórico em bronze de Hércules e a corça, que decorava o átrio principal da residência e que, atualmente, constitui uma das joias do museu. Junto a esses objetos, havia outros de identificação mais difícil, entre eles os componentes que permitiram reconstruir a carruagem.

Uma primeira confirmação da hipótese surgiu dos diários de escavação de La Vega, nos quais foi registrada a presença de vestígios "de um ou vários carros".

Desse veículo, restaram apenas alguns elementos metálicos: duas das quatro rodas, uma parte do encosto, componentes de arreios e algumas peças com ganchos. Os materiais acabaram entre as dezenas de caixas contendo objetos e fragmentos arqueológicos enviados à Sicília pelo rei; com o passar das décadas, esses itens dispersaram-se e perderam sua identificação nos depósitos da instituição.

Sua recuperação, identificação e montagem constituíram uma espécie de "nova escavação", no âmbito de um trabalho mais amplo de revisão dos materiais provenientes da região do Vesúvio, conservados em Palermo.

A pesquisa contou com a direção científica de Chiara Portale, da Universidade de Palermo, e com a participação de arqueólogos do museu.

Os elementos identificados foram, em sua maior parte, restaurados e colocados em uma estrutura de acrílico que reproduz a parte posterior do veículo.

"Trata-se de uma hipótese de reconstrução elaborada tendo como modelo a carruagem de Civita Giuliana, a qual poderá ser objeto de novos estudos, revisões e complementações, uma vez que a pesquisa ainda está em andamento", esclareceu o diretor do Museu Salinas, Giuseppe Parello.

O responsável pelo Departamento de Atividades Culturais do Ministério da Cultura italiano e ex-diretor do Parque Arqueológico de Pompeia, Massimo Osanna, explicou que em Civita Giuliana, as técnicas de microescavação e os moldes de gesso permitiram recuperar as formas da madeira e das cordas, cujos vestígios haviam ficado impressos nas cinzas. Essas marcas, juntamente com os elementos metálicos, tornaram possível reconstruir o veículo em sua totalidade e identificá-lo como um carro cerimonial, ou "pilentum".

A partir desta sexta-feira (6), o público poderá admirar o veículo no Museu Salinas. 

Ansa - Brasil
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