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'A representatividade é o cerne de Percy Jackson', diz escritor Rick Riordan, que lança novo livro

Em 'O Tribunal dos Mortos', autor retoma parceria com Mark Oshiro e expande universo com nova aventura dos semideuses Nico e Will. Ele e Oshiro falam sobre o livro e histórias LGBT+

4 jan 2026 - 05h41
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Rick Riordan é um daqueles escritores que parecem estar sempre em movimento. Enquanto a segunda temporada de Percy Jackson e Os Olimpianos - produção do Disney+ inspirada pela série de livros homônima que o tornou um autor best-seller - atinge resultados recordes na plataforma, o escritor americano de 61 anos continua lançando novas obras.

A mais recente adição ao universo de Riordan é O Tribunal dos Mortos, lançado no Brasil pela Intrínseca e escrito em parceria com Mark Oshiro. A obra é uma continuação de O Sol e A Estrela, spin-off de Percy Jackson cujo personagem principal é Nico Di Angelo, o semideus filho de Hades que se tornou um dos personagens mais amados pelos fãs dos livros. Na adaptação para a TV, ele será introduzido na terceira temporada, já em produção.

Há anos, Riordan sabia que queria retornar ao personagem. Ele já havia aparecido em outras séries, como Heróis do Olimpo e As Provações de Apolo, mas o autor sabia que os fãs mais ávidos de seus romances amariam ganhar novas aventuras do adolescente. Mas ele tinha um receio. Nico é um personagem abertamente gay e ele - um homem heterossexual - queria conseguir captar toda a profundidade necessária para construir sua história, desta vez como protagonista.

Aí que entrou Mark Oshiro. Premiado autor de livros infantis e para jovem adultos (como O Dom da Fúria, publicado pela Gutenberg) e abertamente parte da comunidade LGBT+, Mark foi convidado a escrever O Sol e a Estrela junto com Rick. A trama acompanha Nico e seu namorado, Will Solace, semideus filho de Apolo, em uma jornada contra um Titã no Mundo Inferior.

Mark Oshiro (esq.) e Rick Riordan (dir.), autores de 'O Tribunal dos Mortos', livro que expande o universo de 'Percy Jackson'.
Mark Oshiro (esq.) e Rick Riordan (dir.), autores de 'O Tribunal dos Mortos', livro que expande o universo de 'Percy Jackson'.
Foto: @markdoestuff via Instagram / Estadão

"Trabalhar com Mark permitiu que a história tivesse mais espaço para respirar e explorar emoções. Costumo escrever livros emocionantes, nos quais os personagens passam rapidamente de um dilema a outro, mas nem sempre lhes dou tempo para processar o que viveram", explica Riordan ao Estadão.

"Os livros do Nico e Will continuam sendo aventuras emocionantes, espero, mas também nos permitem conhecer melhor os personagens e apreciar os pequenos momentos do dia a dia de um semideus. Isso se deve muito à influência do Mark", completa o autor.

O Sol e a Estrela passou 73 semanas na lista de mais vendidos do New York Times entre as obras dedicadas ao público juvenil. A parceria deu tão certo que, durante a turnê de divulgação do obra, Mark e Rick decidiram que escreveriam uma nova história. Assim nasceu O Tribunal dos Mortos.

A trama de 'Tribunal dos Mortos'

Na trama, a meia-irmã de Nico, Hazel Levesque, pede a ajuda dele e de Will para lidar com novos hóspedes no Acampamento Júpiter, onde moram os semideuses filhos de deuses romanos. O problema é que esses hóspedes são monstros fugindo do Mundo Inferior, algo completamente novo no universo de Riordan.

"Espero que isso estimule a imaginação dos leitores. Acho sempre fascinante inverter os papéis e considerar as histórias da perspectiva dos 'vilões'. Certamente nunca mais vou olhar para o Minotauro da mesma forma, e adoro isso", brinca o autor.

"Tenho visto uma reação fascinante online sobre as maneiras como este livro desafiou o universo como um todo", completa Oshiro. "A série traçou algumas linhas bastante definidas entre o bem e o mal, mas depois dos eventos de O Sol e a Estrela, pareceu natural para Rick e eu seguirmos essa linha neste livro. Se um titã pode se reformar, o que acontece quando outros monstros — ou autoproclamados 'míticos' — também têm a chance de escolher?"

Parceria frutífera e representatividade

Para Oshiro, ser convidado a escrever com Riordan foi assustador de início. Ele havia lido Percy Jackson e Os Olimpianos em 2018 e sabia do tamanho do sucesso dessa e de outras séries do escritor (só no Brasil, são mais de 8 milhões de exemplares vendidos, segundo a Intrínseca).

"Eu já era fã da série quando fui abordado pela primeira vez para coescrever, então senti uma pressão imensa, tanto externa quanto interna. Acho que o que mais mudou com o tempo foi a nossa certeza. Escrever O Tribunal dos Mortos foi muito mais tranquilo, porque já conhecíamos os estilos e métodos um do outro. Então foi muito fácil voltar a trabalhar juntos em um livro", explica.

Escrever sobre um universo e personagens que já existem é um desafio, diz Oshiro. "Primeiro, você tem que lidar com o cânone existente. O que aconteceu com esse personagem? Onde ele esteve? O que ele fez? Como ele fala? Você não quer assumir o controle e escrever algo que não condiz com o personagem, de forma a arruinar a percepção que as pessoas têm dele."

Capa de 'O Tribunal dos Mortos'
Capa de 'O Tribunal dos Mortos'
Foto: Intrínseca/Divulgação / Estadão

Para além disso, era importante para o escritor saber como deixar sua marca na série: "Sou muito grato por, no início do processo, Rick ter insistido para que eu tornasse o livro o mais 'meu' possível. Foi por isso que trocamos rascunhos completos em vez de enviar capítulos um por um. Escrever um manuscrito inteiro desde o início me ajudou a sentir que estava colocando um toque de Mark Oshiro no universo de Percy Jackson."

Riordan diz que a reação dos fãs tem sido "incrível", especialmente durante eventos de divulgação pelos Estados Unidos. Oshiro concorda. "Nós dois sabíamos que era um risco não apenas coescrever, mas também expandir o mundo interno de Nico di Angelo e Will Solace. Nico já teve capítulos narrados em primeira pessoa antes, mas não na mesma extensão que tem nesses dois livros. Nós nos aprofundamos em seu pensamento, e tem sido muito gratificante ver os leitores responderem a esses livros com alegria e reflexão."

Primeiros fãs cresceram

O primeiro livro de Percy Jackson foi lançado em 2005 nos EUA e em 2008 no Brasil. "Os fãs mais antigos são, de fato, adultos agora, mas ainda há muitas crianças descobrindo Percy pela primeira vez, então o público tende a ir de oito anos a até 30, 40, 80. Como eu sempre digo, se você gosta dos livros, então você tem a idade certa para eles", diz Rick.

Para muitos fãs que cresceram com os livros e se descobriram como parte da comunidade LGBT+, ver Nico ganhar protagonista é gratificante. "Posso disso isso a nível pessoal", afirma Oshiro. "Me senti atraído pelo Nico na minha primeira leitura porque vi nele muitas coisas com as quais me identifiquei. Não tive uma infância fácil, para dizer o mínimo, e a minha homossexualidade teve certamente um papel importante nisso."

Essa identificação é vital e defendida por Riordan. "A representatividade é o cerne de Percy Jackson", diz ele. "O Ladrão de Raios começou como um mito para meu filho sobre dificuldades de aprendizagem. Pessoas LGBT+ fazem parte da vida, então personagens LGBT+ devem fazer parte de nossas histórias. Para mim, como escritor e professor, é simples assim. Todos deveriam poder se imaginar como semideuses."

Estadão
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