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A Atlântida real? Esta cidade chinesa ficou submersa por séculos.

Entre montanhas e lagos do leste da China, uma antiga cidade se preserva de forma inesperada debaixo d'água.

13 fev 2026 - 06h32
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Entre montanhas e lagos do leste da China, uma antiga cidade se preserva de forma inesperada debaixo d'água. Shicheng, que muitos chamam de Atlântida chinesa, permaneceu esquecida por décadas após a formação de um grande reservatório. O que antes funcionava como um centro urbano ativo hoje se transforma em cenário submerso. Assim, pesquisadores, mergulhadores e curiosos visitam o local e buscam entender o que aconteceu com essa cidade perdida.

A história de Shicheng não envolve mitos de civilizações desaparecidas ou lendas milenares de catástrofes naturais. Nesse caso, o desenvolvimento econômico, a produção de energia e o planejamento de infraestrutura modificaram completamente a paisagem de uma região. A cidade ficou debaixo d'água, mas suas construções continuam surpreendentemente conservadas. Por isso, muitas pessoas comparam o lugar com a famosa Atlântida descrita na tradição ocidental.

O que é Shicheng, a "Atlântida chinesa"?

Shicheng era uma antiga cidade localizada na província de Zhejiang, no leste da China. Há muitos séculos, habitantes construíram templos, portões ornamentados, ruas estreitas e edificações típicas de diferentes dinastias chinesas. Com a criação do Lago Qiandao, na década de 1950, autoridades formaram uma grande barragem para uma usina hidrelétrica. Como consequência, a área urbana acabou totalmente debaixo d'água e hoje repousa a dezenas de metros de profundidade.

A partir dos anos 2000, expedições subaquáticas começaram a registrar em detalhes o chamado "reino submerso de Shicheng". Diversos mergulhadores filmaram fachadas esculpidas, telhados, escadarias e praças inteiras. A água fria e relativamente tranquila do reservatório ajuda a manter esses elementos preservados. Por esse motivo, muitas pessoas passaram a usar a expressão Atlântida chinesa para descrever o local. O termo não se relaciona a uma origem mítica, mas sim ao impacto visual de uma cidade quase intacta no fundo de um lago.

Por que Shicheng foi submersa e como isso aconteceu?

A inundação de Shicheng resulta diretamente de uma decisão de Estado. Na década de 1950, o governo chinês aprovou a construção de uma grande usina hidrelétrica para ampliar a oferta de energia. O país buscava apoiar a industrialização em ritmo acelerado. Para formar o reservatório necessário ao funcionamento da usina, engenheiros planejaram o alagamento de uma vasta área. Essa região incluía campos, vilarejos e a própria cidade histórica de Shicheng.

As autoridades removeram moradores para regiões mais altas. As equipes esvaziaram prédios, desmontaram estruturas móveis e, gradualmente, a água tomou conta das ruas. Ao contrário de cidades destruídas por fenômenos naturais, Shicheng afundou por meio de um processo totalmente planejado. Naquele período, muitos técnicos não imaginaram que o lago funcionaria como uma espécie de cápsula do tempo. No entanto, o reservatório agora protege esculturas, inscrições e detalhes arquitetônicos contra erosão e vandalismo.

Shicheng realmente pode ser chamada de Atlântida chinesa?

A comparação entre Shicheng e a lendária Atlântida possui caráter sobretudo simbólico. No imaginário popular, Atlântida representa uma civilização avançada que desapareceu sob o mar. Textos da Antiguidade mencionam essa cidade idealizada e alimentam teorias diversas. Já Shicheng corresponde a uma cidade documentada. Registros administrativos, mapas e relatos descrevem sua ocupação ao longo dos séculos. Uma decisão política do século XX colocou esse espaço urbano debaixo d'água.

Apesar disso, a expressão Atlântida chinesa submersa se popularizou rapidamente, principalmente na mídia. O apelido resume dois elementos marcantes: o desaparecimento físico da cidade sob as águas e o fascínio gerado pela redescoberta de um espaço urbano preservado no fundo de um lago. Para estudiosos do patrimônio histórico, Shicheng oferece um exemplo raro de paisagem urbana antiga congelada no tempo. Pesquisadores analisam o local e encontram pistas sobre arquitetura tradicional, modos de vida e organização de cidades em períodos anteriores da história chinesa.

O que torna a cidade submersa de Shicheng tão especial hoje?

Nos últimos anos, Shicheng passou a interessar não só a arqueologia, mas também o turismo e a economia local. Empresas especializadas organizam mergulhos guiados no Lago Qiandao. Assim, mergulhadores certificados observam portões de pedra, muros e esculturas ainda de pé. Embora o acesso permaneça controlado, a cidade aparece com frequência em reportagens, documentários e conteúdos digitais sobre viagem e cultura.

Alguns fatores ajudam a explicar o destaque atual:

  • Preservação arquitetônica: a água fria e profunda protege muitos detalhes que, em terra, sofreriam desgaste intenso.
  • Valor histórico: Shicheng reúne elementos de diferentes períodos da história chinesa, o que favorece estudos culturais diversos.
  • Interesse turístico: a ideia de mergulhar em uma "cidade perdida" desperta curiosidade e cria um tipo específico de turismo subaquático.
  • Repercussão midiática: reportagens e fotos internacionais fortaleceram o apelido de "Atlântida chinesa".

Quais desafios cercam o futuro da Atlântida chinesa?

Apesar do encanto que a cidade submersa causa, o futuro de Shicheng apresenta questões importantes. A presença humana intensa pode gerar impactos no ecossistema do lago e na integridade das construções. Mergulhos frequentes, contato físico com as estruturas e alteração da qualidade da água aceleram processos de desgaste. Durante décadas, o reservatório reduziu esses danos, mas o aumento de visitantes muda esse cenário.

Por essa razão, especialistas costumam destacar a importância de:

  1. Definir limites claros para atividades turísticas na região submersa e fiscalizar o cumprimento das regras.
  2. Monitorar de forma constante a qualidade da água e as condições estruturais dos edifícios.
  3. Registrar digitalmente a cidade, por meio de fotos em alta resolução, vídeos detalhados e mapeamentos em 3D.
  4. Promover pesquisas acadêmicas que auxiliem na preservação do patrimônio cultural e orientem políticas públicas.

Entre o mito e a realidade, a chamada Atlântida chinesa continua a despertar interesse em diferentes partes do mundo. Shicheng permanece debaixo d'água, silenciosa, porém cheia de histórias. Cada nova expedição adiciona informações sobre o passado da região e sobre a forma como sociedades lidam com a própria memória ao priorizar obras de grande porte. Nesse cenário, a cidade submersa funciona como ponto de encontro entre história, tecnologia e curiosidade humana. Além disso, o caso inspira debates sobre desenvolvimento, energia limpa e proteção de patrimônios culturais em todo o planeta.

Shicheng_depositphotos.com / beibaoke
Shicheng_depositphotos.com / beibaoke
Foto: Giro 10
Giro 10
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