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Maloca Cultural: Hip Hop salva vidas na Grande Salvador

“A arte e a cultura são ferramentas pelas quais você pode alcançar a vida”, diz Rilk MC, artista de Salvador

21 dez 2021 19h48
| atualizado em 5/1/2022 às 09h37
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Júnior MC, Rilk MC e o produtor Vitor Torrez
Júnior MC, Rilk MC e o produtor Vitor Torrez
Foto: Jadson Nascimento

O coletivo Família Tríplice, formado pelos artistas Rilk MC, Junior MC e Rafael Rocha, promove transformação social há 14 anos, através de música, arte, projetos culturais e atividades sociais, com base na cultura do Hip Hop, em comunidades de Lauro de Freitas, região Metropolitana de Salvador.

Durante esse tempo, o grupo criou o projeto “Maloca Cultural”, comprovando que a cultura e projetos sociais, salvam vidas e proporcionam aos jovens e a toda comunidade um novo olhar. O grupo que atua de maneira itinerante realiza palestras nas escolas, centros de educação, praças e eventos públicos e percebeu a necessidade de ter um espaço próprio, uma sede, escritório, para concentrar atividades profissionais, além de desenvolver os projetos nas comunidades de Itinga e adjacências.

“Como as atividades foram progredindo e os projetos sociais também, a gente resolveu criar esse espaço com intuito de ter uma base - o nosso QG - para realizar nossas atividades e produções. Estamos aqui há quase cinco anos e, com esse projeto, disponibilizamos oficinas na área da música, artes plásticas, dança, cinema, e produção audiovisual de forma gratuita para a comunidade”, comenta Rilk MC.

O coletivo conta com 15 integrantes, alguns moradores do bairro, e conta com apoio dos familiares dos membros, moradores da região, instituições sociais e religiosas como as igrejas e as mulheres do bairro que contribuem para ajudar o projeto a continuar caminhando e revelando novos talentos, a exemplo do jovem Vitor Torrez, de 18 anos, que hoje é um dos produtores do selo Família Tríplice, junto com Denis no “beat”.

Torrez foi destaque na oficina “Som na Pista”, onde foi feita uma seleção com artistas do bairro que não tinham condições de produzir e gravar as músicas. Todos os jovens que participaram do projeto tiveram a oportunidade de entrar num estúdio, alguns pela primeira vez, além de conhecer o processo de produção e de gravação das músicas. Foram selecionados 10 novos artistas e ele estava entre eles, na época, com apenas 16 anos. “É muito gratificante, aqui no bairro a gente não tem tantas oportunidades, e eles nos proporcionam isso. Tem gente que abraça a oportunidade, outros não. Eu escolhi abraçar e estou com eles até hoje, saindo e produzindo com eles”, relata agradecido.

Atravessando a pandemia

O grupo vinha se recuperando de uma enchente que atingiu o bairro há alguns anos, momento difícil no qual tiveram todo o QG alagado e perderam os equipamentos do projeto, além do CD que estava em produção final, um EP que marcou o grupo, com ótima aceitação pela crítica, os colocando nas paradas musicais por nomes como Gilberto Gil, Gal Costa, entre outros. A banda concorreu com os melhores discos de 2019 pelo Site Elcabong e ficou em terceiro lugar pela votação popular, tendo concorrido com mais de 200 grandes artistas, entre eles, a Baiana System, outra banda baiana.

Capa do CD Grandão sem Medo - Arte Rilk MC
Capa do CD Grandão sem Medo - Arte Rilk MC
Foto: Rilk MC / ANF

“Tivemos que recomeçar do zero, quando estávamos voltando, tivemos que parar novamente por causa da pandemia, sendo que o nosso EP estava sendo bem aceito, tendo grande repercussão, já esperávamos grandes shows mas, com a pandemia, as coisas ficaram mais difíceis”, desabafa Júnior MC.

Mesmo com as adversidades e transtornos da pandemia, o coletivo mostrou que a palavra “família” não está no nome do grupo por acaso. As oficinas foram suspensas por conta dos protocolos de saúde, obedecendo ao distanciamento social.

O coletivo já conseguiu distribuir cerca de sete toneladas de alimentos, produzir mais de 1500 máscaras com a marca do coletivo, com distribuição gratuita, além de realizar aproximadamente 500 atendimentos de saúde, entre dentistas, fisioterapeuta e psicólogo, etc, tudo oferecido gratuitamente para a comunidade. Também disponibilizaram suporte à internet para aqueles que tiveram dificuldades em relação ao cadastro social e recebimento do auxílio emergencial, o que fez com que o grupo ganhasse prêmios nacionais devido às iniciativas.

Em novembro deste ano, quando é celebrado o mês da Consciência Negra, o grupo fez apresentações em centro de recuperação, instituições para menores, comunidades quilombolas e indígenas, se apresentou no complexo penal em Lauro de Freitas, em dois pavilhões da unidade ocupada por cerca de 500 internos. O convite surgiu através da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), órgão responsável pelo sistema prisional.  O grupo já tinha se apresentado no complexo em 2020.

Família Tríplice em apresentação no complexo Penal de Lauro de Freitas-BA
Família Tríplice em apresentação no complexo Penal de Lauro de Freitas-BA
Foto: Família Tríplice / ANF

 “Nosso trabalho social é muito forte, a gente busca sempre ser honesto com nosso trabalho e com o público, principalmente levando uma mensagem positiva utilizando a arte, porque a arte e cultura são ferramentas por meio das quais você pode alcançar a vida, a transformação”, enfatiza Rilk MC.

ANF
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