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O que é a técnica de bebês com "três pais" e por que pode ser perigosa

Terapias de substituição mitocondrial (MRT, no inglês) diminuem, mas não anulam risco de bebê desenvolver doenças devido a mutações

2 mar 2023 - 11h55
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Substituição de DNA mitocondrial pode ter efeitos incertos no futuro de bebês
Substituição de DNA mitocondrial pode ter efeitos incertos no futuro de bebês
Foto: Unsplash

Cientistas estão preocupados com efeitos imprevistos das terapias de substituição mitocondrial (MRT, no inglês), que têm como um de seus efeitos uma fertilização na qual o bebê recebe genes de "três pais" diferentes. Os especialistas falaram sobre o assunto em um artigo publicado no site MIT Technology Review.

O tratamento era visto até então como uma bala de prata para casais com problemas de doenças genéticas transmitidas via DNA mitocondrial (mtDNA), uma parte de nosso DNA localizado na mitocôndria de células.

As MRTs usam diferentes técnicas para chegar a um feto com genes de três pessoas: a mãe, o pai, e uma doadora cujo mtDNA saudável substitui o gene "ruim" que a mãe biológica da crança carrega.

A ideia é tirar a parte do DNA transmitido somente pelas mães, que carrega genes propensos a mutações e o desenvolvimento de doenças. Casais que não têm nenhum histórico de doenças mitocondriais, mas apresentam infertilidades inexplicadas, também tiveram resultados positivos com a mesma terapia.

A técnica foi implementada pela primeira vez em 2016 e, desde então, clínicas no Reino Unido, Grécia e Ucrânia têm oferecido o tratamento.

Mitocôndrias carregam parte do DNA humano
Mitocôndrias carregam parte do DNA humano
Foto: Wikimedia Commons

O problema é que estudos recentes mostram que alguns bebês concebidos via técnicas MRT voltaram a apresentar o mtDNA "ruim", de suas mães biológicas, que havia sido substituído pelo da pessoa doadora. 

Após a substituição, cerca de 1% do mtDNA original é deixado no óvulo, o que é considerado aceitável pelos cientistas. Entretanto, foram registrados casos em que bebês e crianças apresentavam o crescimento da porcentagem de mtDNA "ruim" para até 60% com o passar do tempo.

"Se esta família estivesse carregando mutações no mtDNA, isso seria uma grande preocupação — 60% é [um índice] alto e pode causar doenças", disse Dagan Wells, biólogo reprodutivo na Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Vale o risco?

Como a amostra testada ainda é muito pequena, é difícil cravar a incidência das mutações, mas o biólogo Shoukhrat Mitalipov, que conduz estudos sobre o tema na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, nos EUA, estima que a reversão do mtDNA ocorre em 20% dos casos em que foi usada a terapia MRT.

"Não é muito raro", disse, ao MIT Technology Review.

Para casais que desejam somente tratar a infertilidade, mas que não apresentam nenhum histórico de doença mitocondrial na família, a alternativa parece ser viável e segura. Mas, para os que podem passar doenças genéticas mitocondriais a seus filhos, 20% pode ser um valor muito alto.

Alguns especialistas defendem que a redução de 80% do risco pode ser aceitável para casais que, caso a tecnologia não existisse, tentariam do mesmo jeito ter uma criança. Entretanto, considerando que existem alternativas como a doação de óvulos inteiros ou até a adoção, a linha se torna mais tênue. 

A situação ficou ainda mais complexa quando cientistas descobriram que os níveis de mtDNA "ruim" podem variar em diferentes locais do corpo, e as próprias proporções em um mesmo conjunto de células podem mudar com o passar dos anos. Um bebê com baixos níveis do mtDNA "ruim" em seu sangue pode ter altos níveis nas células de seu cérebro ou músculos, e tais concentrações podem mudar completamente no decorrer de sua vida. 

Agora, a comunidade científica se divide sobre a viabilidade de ensaios MRT envolvendo famílias com doenças mitocondriais. Cientistas defendem que, enquanto a segurança da técnica não for reavaliada, ela deveria ser restrita a casos como o de casais inférteis, mas sem doenças atreladas ao mtDNA. 

Fonte: Redação Byte
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