Esqueça os mísseis: para proteger seu petróleo dos drones, Dubai adere à tática das gaiolas gigantes
Diante de drones baratos, numerosos e persistentes, as enormes estruturas metálicas podem ser mais eficientes do que os interceptadores antiaéreos
Na Segunda Guerra Mundial, os britânicos descobriram algo desconcertante ao analisar os bombardeios alemães sobre suas cidades industriais: muitas vezes, não era preciso destruir completamente uma refinaria ou uma fábrica para paralisá-la durante semanas. Bastava atingir alguns poucos pontos vulneráveis para provocar incêndios, interrupções e um efeito econômico desproporcional.
Oito décadas depois, essa mesma lógica volta a dominar outra guerra, só que, agora, a arma que tenta encontrar esses pontos fracos cabe na mochila de um operador e custa uma fração de um míssil antiaéreo.
Durante anos, a segurança dos Emirados Árabes Unidos girou em torno de um sistema bastante sólido: tecnologia de ponta, sistemas antiaéreos avançados e uma das arquiteturas defensivas mais sofisticadas do Oriente Médio. A guerra com o Irã começou a desmontar essa confiança.
Depois de suportar centenas de mísseis e mais de 2.200 drones iranianos, Dubai e Abu Dhabi chegaram à mesma conclusão que a Rússia teve com a Ucrânia: diante de drones baratos, numerosos e persistentes, às vezes é mais eficaz erguer enormes estruturas metálicas sobre depósitos de petróleo do que gastar interceptadores multimilionários tentando destruir cada ameaça no ar.
As imagens surgidas perto do Aeroporto Internacional de Dubai mostram exatamente isso: essas gigantescas "cope cages" cercando tanques de combustível, uma cena que, até pouco tempo atrás, parecia exclusiva de refinarias russas atacadas por drones ucranianos.
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