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Colher elétrica da Kirin promete intensificar o sabor sem precisar de sal

Uma colher elétrica criada pela empresa japonesa Kirin vem chamando atenção desde 2024 por propor algo pouco comum na alimentação diária. Conheça a tecnologia que promete intensificar o sabor sem usar sal.

6 fev 2026 - 08h32
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Uma colher elétrica criada pela empresa japonesa Kirin vem chamando atenção desde 2024 por propor algo pouco comum na alimentação diária. Trata-se de intensificar o sabor salgado e o umami dos alimentos sem adicionar mais sal ao prato. Assim, a tecnologia, voltada inicialmente para pessoas que precisam controlar o sódio por motivos de saúde, é uma possível aliada de políticas públicas de redução do sal na dieta.

O equipamento, que à primeira vista parece um talher comum, usa correntes elétricas muito fracas para alterar a forma como as papilas gustativas percebem determinados íons presentes na comida. Assim, em testes que a companhia fez em parceria com pesquisadores japoneses, participantes relataram perceber os pratos como mais salgados mesmo quando preparados com menor quantidade de sal de cozinha.

Na ponta da colher, há um eletrodo especial conectado a um pequeno módulo eletrônico, geralmente preso ao punho do talher ou a uma pulseira leve – Divulgação/Kirin
Na ponta da colher, há um eletrodo especial conectado a um pequeno módulo eletrônico, geralmente preso ao punho do talher ou a uma pulseira leve – Divulgação/Kirin
Foto: Giro 10

Como a colher elétrica da Kirin intensifica o gosto salgado?

A tecnologia que a Kirin desenvolveu explora a interação entre eletricidade e percepção do sabor. Na ponta da colher, há um eletrodo especial conectado a um pequeno módulo eletrônico, geralmente preso ao punho do talher ou a uma pulseira leve. Assim, esse módulo gera uma corrente elétrica de baixa intensidade, ajustada para atuar sobre os íons de sódio e outros minerais presentes nos alimentos.

Quando a colher entra em contato com a comida e, em seguida, com a língua, forma-se um circuito elétrico controlado. Essa corrente não é suficiente para causar desconforto, mas é calibrada para modular a distribuição de íons de sódio na superfície da língua. Assim, amplia a estimulação dos receptores gustativos que se associam ao sabor salgado e ao umami. A sensação, segundo estudos que a empresa apresentou, é de aumento de salinidade na faixa de 50% a 60%, dependendo do tipo de alimento e da sensibilidade individual.

Pela própria natureza do dispositivo, não há adição física de sal. Assim, o que muda é a intensidade com que o cérebro interpreta os sinais das papilas gustativas. Ensaios iniciais foram realizados com sopas, pratos com caldo e alimentos úmidos, formatos em que os íons se dispersam com mais facilidade e potencializam o efeito da colher elétrica.

Qual é o papel da colher elétrica da Kirin na redução do consumo de sal?

O desenvolvimento da colher elétrica associa-se à preocupação com o excesso de sódio na alimentação. No Japão, assim como em vários países, o consumo médio de sal costuma ultrapassar as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). Afinal, a organização indica um limite de cerca de 5 gramas de sal por dia para adultos. Esse cenário associa-se a maior risco de hipertensão, doenças cardiovasculares e problemas renais.

A proposta da Kirin é que a colher elétrica permita reduções significativas de sal nas receitas sem comprometer a percepção de sabor. Em estudos internos que a empresa divulgou, foram testadas receitas com até 20% a 30% menos sal em comparação a preparações tradicionais. Mesmo com o corte, participantes relataram sabor equivalente ou próximo ao de pratos mais salgados quando usavam o talher tecnológico.

Especialistas em nutrição consultados em reportagens japonesas destacam que o recurso pode contribuir para o controle da pressão arterial em grupos que normalmente têm dificuldade para se adaptar a dietas hipossódicas. Assim, a colher elétrica, nesse contexto, surge como uma ferramenta de apoio, e não como solução única, já que hábitos alimentares amplos continuam sendo determinantes.

O que dizem os representantes da Kirin sobre a colher elétrica?

Em comunicados públicos desde 2024, representantes da Kirin têm apresentado a colher elétrica como um passo dentro de uma estratégia mais ampla de "tecnologia alimentar para saúde". De acordo com a empresa, a ideia é "oferecer uma experiência saborosa com menos sal", mantendo o foco em pessoas com necessidades específicas de restrição de sódio e em consumidores interessados em prevenção de doenças crônicas.

Responsáveis pelo projeto explicam que o desenvolvimento levou vários anos de pesquisa em parceria com universidades japonesas, combinando conhecimentos de engenharia elétrica, ciência dos alimentos e neurociência. A calibragem da corrente, por exemplo, passou por testes cuidadosos para garantir segurança e conforto, com limites inferiores aos usados em dispositivos de estimulação nervosa não invasiva.

A empresa também tem reforçado que o equipamento foi projetado para ser utilizado com refeições do dia a dia, e não apenas em ambientes laboratoriais. Por isso, houve preocupação com aspectos como peso, ergonomia do cabo, facilidade de higienização e duração da bateria, que precisa suportar o uso em várias refeições antes de nova recarga.

A hipertensão arterial, associada ao consumo excessivo de sal, está entre os principais fatores de risco para eventos como infarto e AVC – depositphotos.com / HayDmitriy
A hipertensão arterial, associada ao consumo excessivo de sal, está entre os principais fatores de risco para eventos como infarto e AVC – depositphotos.com / HayDmitriy
Foto: Giro 10

Impacto para a saúde pública e desafios de adoção

A colher elétrica da Kirin chega em um momento em que sistemas de saúde de diferentes países tentam reduzir o impacto de doenças relacionadas à alimentação. A hipertensão arterial, associada ao consumo excessivo de sal, está entre os principais fatores de risco para eventos como infarto e AVC. Qualquer ferramenta que contribua para diminuir a ingestão de sódio tende a ser observada com atenção por autoridades sanitárias.

Ao mesmo tempo, especialistas apontam alguns desafios para a adoção em larga escala. Entre eles estão a necessidade de mudança de hábito — já que o uso de um talher eletrônico não faz parte da rotina da maioria das pessoas —, o custo do equipamento e a exigência de manutenção e recarga. Há ainda o fato de que boa parte do sal consumido no dia a dia vem de produtos industrializados, e não apenas do sal adicionado à mesa, o que limita o alcance da tecnologia se não houver outras medidas paralelas.

Mesmo assim, a colher elétrica pode ter papel relevante em ambientes específicos, como hospitais, casas de repouso e programas de reabilitação cardiovascular, onde dietas com pouco sal são parte central do tratamento. Nesse cenário, o dispositivo pode tornar refeições mais atrativas para pacientes, ajudando na adesão às orientações nutricionais.

Quando a colher elétrica chega ao mercado e quanto deve custar?

A partir de 2024, a Kirin iniciou vendas limitadas da colher elétrica no Japão, em esquema de lotes controlados e foco inicial em consumidores interessados em testar a novidade. Em 2025, a empresa vem ampliando a produção gradualmente, com prioridade para o mercado japonês e planos de parceria com restaurantes e instituições de saúde. A expansão internacional ainda depende de processos regulatórios e de adaptação a normas locais de segurança elétrica e sanitária.

Em relação ao preço, a divulgação inicial indicou um valor equivalente a algumas dezenas de milhares de ienes por unidade, posicionando o produto como um item ainda relativamente caro em comparação a talheres comuns, mas alinhado a equipamentos eletrônicos de uso doméstico. A Kirin tem sinalizado a intenção de reduzir custos à medida que a escala de produção aumente e que novos modelos sejam desenvolvidos.

Projeções apontam para a possibilidade de versões futuras com diferentes tamanhos, ajustes de intensidade mais finos e integração com aplicativos que auxiliem no controle do consumo de sódio, o que poderia ampliar o público-alvo e tornar a tecnologia mais presente em cozinhas domésticas.

Perspectivas para a tecnologia de intensificação de sabor sem sal

A colher elétrica da Kirin representa uma abordagem distinta no esforço de tornar refeições com menos sal mais aceitáveis para o paladar. Em vez de substituir o sal por outros ingredientes, a proposta é atuar diretamente na forma como o sabor é percebido. Se conseguir superar barreiras de custo, hábito e regulamentação, a tecnologia pode se somar a iniciativas de reformulação de produtos e educação alimentar.

Para sistemas de saúde, o potencial está na possibilidade de apoiar grupos que enfrentam maior dificuldade em aderir a dietas com pouco sódio. Para a indústria de alimentos, abre-se um campo de experimentação em que equipamentos de mesa passam a dialogar com formulações de produtos. A forma como essa inovação será incorporada à rotina ainda está em construção, mas o interesse crescente em soluções que conciliem prazer à mesa e cuidado com a saúde indica que dispositivos de intensificação de sabor, como a colher elétrica da Kirin, devem continuar em evidência nos próximos anos.

Giro 10
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