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Ciência

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Somos capazes de salvar os grandes lagos da Terra?

4 set 2026 - 13h32
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Resumo
Grandes lagos do planeta enfrentam sérios riscos de secagem e degradação devido a mudanças climáticas, poluição e desvios hídricos excessivos. Casos críticos como o Mar Cáspio, o Mar de Aral e o Lago Chade geram graves impactos ecológicos e humanos. Contudo, iniciativas focadas em saneamento, contenção e reflorestamento, como as aplicadas com sucesso no Lago de Constança e no Lago Muskegon, provam que a recuperação ambiental desses vitais recursos hídricos ainda é viável com ações coordenadas.

Do Mar Cáspio ao Lago Chade, mudanças climáticas, barragens e uso intensivo da água transformam ecossistemas. Mas há também histórias de recuperação bem-sucedida.Alguns dos maiores corpos d'água interiores do planeta podem desaparecer parcialmente ainda neste século, com consequências dramáticas para as pessoas e os ecossistemas. Um quarto da população mundial vive em regiões afetadas. Em alguns lagos, como o Lago de Constança, projetos de recuperação ambiental obtiveram sucesso. Em outros, a situação continua difícil. Veja como estão cinco grandes lagos, do Mar de Aral ao Lago Muskegon, nos Estados Unidos.

Mar Cáspio: o maior lago do mundo sob pressão

O Mar Cáspio é, na verdade, um lago, o maior corpo d'água interior da Terra. Irã, Rússia, Azerbaijão, Turcomenistão e Cazaquistão compartilham suas margens. Mas desde a década de 1990, sua superfície vem diminuindo rapidamente.

As razões incluem barragens e a gestão dos recursos hídricos na bacia do rio Volga, além da crescente influência da mudança climática causada pelas atividades humanas, especialmente pela queima de carvão, petróleo e gás. O aumento das temperaturas intensifica ainda mais a evaporação.

Modelos científicos projetam que, até 2100, o nível da água poderá cair até 21 metros. Mesmo uma redução de dez metros já seria suficiente para secar grandes áreas da parte norte do lago, mais rasa, fazendo desaparecer quase um terço de sua área atual.

As consequências já são visíveis: portos precisam ser dragados cada vez mais, estoques pesqueiros e áreas úmidas estão sob pressão, e os habitats da foca-do-cáspio estão secando. Cientistas também alertam para o risco de poeira e poluentes provenientes do leito exposto, semelhante ao que ocorreu no Mar de Aral. Projetos conjuntos de proteção entre os cinco países costeiros enfrentam dificuldades devido a questões políticas.

Lago de Constança: o que as estações de tratamento podem fazer

O Lago de Constança está localizado na fronteira entre Alemanha, Áustria e Suíça. Nos últimos meses, durante o verão europeu, a evaporação foi extremamente elevada, e algumas áreas do lago, com até 63 quilômetros de largura, registraram níveis muito baixos de água.

Porém, a falta de água não era o principal problema no fim da década de 1970. Naquela época, o lago sofria com a eutrofização (excesso de nutrientes) e corria o risco de colapso ecológico. O crescimento excessivo de algas e a falta de oxigênio nas camadas mais profundas ameaçavam os estoques de peixes e chegaram a provocar proibições para banho.

A expansão do tratamento de esgoto e a remoção de fósforo das águas residuais reduziram significativamente a concentração desse nutriente.

Os benefícios foram amplos para a natureza e para a população: a truta-do-lago, praticamente desaparecida, voltou a encontrar habitat adequado tanto no lago quanto em muitos de seus afluentes. Além disso, cerca de quatro milhões de pessoas em Baden-Württemberg obtêm sua água potável do Lago de Constança.

Mesmo assim, o ecossistema ainda não está totalmente recuperado. Margens artificializadas, espécies invasoras e a mudança climática continuam sendo grandes desafios. A restauração de mais áreas de margem poderia ajudar.

Mar de Aral: uma catástrofe ambiental com pequenos sinais de esperança

O Mar de Aral, na Ásia Central, é o exemplo mais emblemático de como o desvio excessivo de água pode secar até mesmo enormes corpos hídricos.

Há poucas décadas, o Mar de Aral era o quarto maior lago do mundo. Durante o período soviético, no entanto, grandes volumes de água foram desviados para o cultivo de algodão e arroz, provocando uma catástrofe ecológica cujos efeitos persistem até hoje. Até 2010, o Mar de Aral havia perdido mais de 50 mil quilômetros quadrados de superfície aquática.

Trinta das espécies de peixes anteriormente exploradas comercialmente desapareceram. Junto com elas, desapareceram também comunidades inteiras que viviam às margens do lago.

No fundo seco surgiu o deserto de Aralkum, com cerca de 62 mil quilômetros quadrados. Tempestades de poeira e areia, carregadas de sal e substâncias tóxicas do antigo leito, afetam atualmente as regiões vizinhas e a saúde da população.

Apesar disso, o lago não está totalmente perdido. Na parte norte, a construção da barragem Kokaral elevou novamente o nível do lago e permitiu que áreas antes secas voltassem a ser inundadas.

Onde o retorno da água é considerado inviável, são plantados arbustos do deserto para fixar a areia e reduzir a dispersão de poeira contaminada. As primeiras plantações sobreviveram e algumas já produzem frutos.

Segundo o governo do Cazaquistão, mais de 1,8 milhão de hectares foram reflorestados desde 2018.

Lago Muskegon: de área industrial degradada a espaço de lazer

Durante décadas, resíduos industriais e sedimentos contaminados degradaram o Lago Muskegon, em Michigan, no norte dos Estados Unidos.

Em amplos projetos de recuperação ambiental, as autoridades locais removeram solos contaminados e mais de 110 mil toneladas de resíduos antigos da indústria madeireira. Com isso, foram restaurados 54 hectares de habitat ao longo das margens e em áreas adjacentes. Em 2025, o lago foi finalmente retirado da lista oficial de corpos d'água gravemente degradados.

Os benefícios também chegaram à população. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), a recuperação ambiental gera atualmente cerca de 28 milhões de dólares por ano em valor recreativo adicional e atrai aproximadamente 500 mil visitantes extras.

Ainda assim, o lago não está completamente livre da poluição. As autoridades continuam alertando que algumas espécies de peixes não devem ser consumidas devido à alta concentração de contaminantes.

Lago Chade: fonte de vida de uma região em crise

A vasta região do Sahel forma a transição entre o Deserto do Saara, ao norte, e as savanas africanas ao sul. Ela se estende por todo o continente, do Oceano Atlântico ao Mar Vermelho.

No coração dessa região está o Lago Chade, um ecossistema singular marcado por areia, ventos fortes e condições extremamente difíceis. Essa área úmida é uma fonte vital de água e de subsistência para pessoas e animais.

Na década de 1960, durante períodos de cheia, o Lago Chade alcançava cerca de 25 mil quilômetros quadrados, uma área um pouco maior que a do estado americano de Nova Jersey.

Durante as severas secas das décadas de 1970 e 1980, ele perdeu temporariamente mais de 90% dessa superfície. Desde então, recuperou-se parcialmente. Sua extensão varia consideravelmente conforme a época do ano e o volume de chuvas, oscilando entre 12 mil e 20 mil quilômetros quadrados.

Mudança climática, irrigação agrícola e desmatamento: segundo a organização Welthungerhilfe, a degradação do lago desencadeou uma crise ecológica que afeta toda a região e ameaça a segurança alimentar de milhões de pessoas.

Além disso, confrontos envolvendo os grupos extremistas "Estado Islâmico" e Boko Haram, bem como as forças armadas dos países vizinhos, provocam repetidas crises humanitárias.

Apesar da situação dramática para a população e para a natureza, também houve avanços positivos. Centenas de espécies de aves migram da Europa e da Ásia para a África durante o inverno.

Muitas delas fazem parada no Lago Chade. Alguns cursos d'água anteriormente bloqueados por barragens foram reabertos.

Em maio, o Banco Africano de Desenvolvimento, a Comissão da Bacia do Lago Chade e cinco países da região lançaram projetos de investimento no valor de 10 milhões de dólares. O objetivo é ajudar a preservar o lago como habitat natural e como base econômica para as populações locais.

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