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Ciência

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Pirâmides do Egito resistem a terremotos há mais de 4 mil anos; ciência explica motivo

Estrutura e distribuição de massa são fatores cruciais para a resistência a abalos sísmicos

26 mai 2026 - 17h22
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Em 7 de agosto de 1847 ocorreu um dos maiores terremotos já registrados no Egito até hoje. Seu epicentro foi na região de Fayún, a cerca de 100 quilômetros ao sul do Cairo. Documentos históricos falam em dezenas de mortos e centenas de construções destruídas. Mas as pirâmides seguiram de pé. Algumas, como a Grande Pirâmide de Gizé resistem a tremores há mais de 4.600 anos.

Uma análise das vibrações no interior da tumba, publicada na semana passada na Scientific Reports mostra como o seu desenho amortiza as frequências vibratórias do exterior, o que impede a amplificação do impacto dos tremores.

"Os relatos históricos indicam que o terremoto afrouxou muitas das pedras do revestimento externo das pirâmides de Gizé, sendo que alguns blocos se soltaram", contou Mohamed ElGabry, pesquisador do Instituto Nacional de Investigação de Astronomia e Geofísica (NRIAG, na sigla em inglês) e primeiro autor do estudo, em entrevista ao jornal espanhol El País. "No entanto, o corpo principal da Grande Pirâmide (e das demais pirâmides) permaneceu em grande parte intacto e estruturalmente sólido."

Arquitetos e engenheiros sempre destacaram a estabilidade das pirâmides do Egito -- durante milhares de anos, as estruturas mais altas já construídas por seres humanos. Algumas razões para essa estabilidade são óbvias: a estrutura piramidal (cujas bases medem 230,33 metros), que vai minguando até uma ponta de 9 metros, faz com que a maior parte da massa se concentre na parte inferior. Além disso, esse desenho rebaixa o centro de gravidade.

Mas isso não explica tudo: a Grande Pirâmide de Quéops, construída com 2,3 milhões de blocos de pedra unidos com uma espécie de gesso, se comporta como uma unidade.

Os cientistas mediram as vibrações naturais em mais de 30 pontos da pirâmide, desde a câmara da rainha até a do faraó, passando por condutos de ventilação. Com pouquíssimas variações, a vibração registrada é sempre a mesma.

"Descobrimos que a maior parte da Grande Pirâmide vibra naturalmente a 2,3 vibrações por segundo", afirmou ElGabry. "Isso indica que ela é extremamente bem construída e uniforme em toda a sua extensão; ou seja, se comporta como uma única estrutura sólida e não como muitas peças separadamente."

Isso significa que toda a pirâmide vibra de forma muito uniforme e equilibrada desde a base até o topo e através de suas diversas câmaras, passagens e condutos internos.

"Praticamente não existem zonas que se comportem de forma muito diferente do resto", afirmou ElGabry. "Essa homogeneidade é excelente para a estabilidade e reduz a probabilidade de que se formem tensões internas perigosas e rachaduras durante um terremoto."

Os egípcios acreditavam na vida após a morte. A construção de suas pirâmides, que nada mais são do que grandes tumbas, se justifica por esse sistema de crenças. Se o faraó terá uma vida eterna, sua pirâmide também precisa ser eterna. Tudo indica que as construíram com base nessa ideia de eternidade. A lógica arquitetônica para alcançar tal longevidade é bem diferente da atual, ao menos no que diz respeito a terremotos.

Como conclui Mohamed ElGabry, "a pirâmide é extremamente rígida em comparação a edifícios modernos muito altos". Na verdade, a lógica arquitetônica atual para enfrentar um sismo é oposta: "um arranha-céus é desenhado intencionalmente para ser relativamente flexível".

Estadão
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