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Pesquisa

Mamíferos chegaram em balsas à Madagascar, diz estudo

27 jan 2010 - 09h49
(atualizado às 09h59)
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Náufragos estão provavelmente por trás da incrível biodiversidade da ilha de Madagascar. Um novo modelo fornece forte evidência de que lêmures e outros pequenos mamíferos chegaram à ilha há milhões de anos, viajando sobre "balsas" ou troncos africanos que foram levados pelo mar.

Lêmures chegaram à Madagascar navegando em troncos
Lêmures chegaram à Madagascar navegando em troncos
Foto: Nature

O modelo, publicado na Nature, encerra um longo debate sobre como se deu a biodiversidade de Madagascar. Ele também pode dar pistas de como animais pré-históricos se espalharam para outras partes do globo.

Madagascar é considerada um dos habitats naturais mais diversos e ameaçados do mundo. Suas florestas são o lar de mais de 150 espécies só de mamíferos, incluindo o lêmure-de-cauda-anelada, tenrecídeos e ratos saltadores gigantes. Mas todos esses mamíferos pertencem a apenas quatro ordens.

A razão de existirem tantas espécies e tão poucas ordens é um mistério. Alguns pesquisadores propuseram que talvez houvesse uma ligação de terra entre Madagascar e o continente africano há cerca de 20-60 milhões de anos. Mas a geologia da região mostra poucas provas de tal ponte. Além disso, uma ponte terrestre permitiria que mais ordens de animal chegassem à ilha.

Uma hipótese alternativa é que os animais "surfaram¿ até a ilha. Apresentada pela primeira vez 70 anos atrás pelo paleontólogo americano George Gaylord Simpson, a ideia é que pequenos mamíferos foram inadvertidamente arrastados para o mar por tempestades e flutuaram até a costa de Madagascar. Os sobreviventes evoluíram por milhões de anos para povoar os inúmeros nichos do ecossistema da ilha.

Uma teoria impopular

A ideia de animais atravessando centenas de quilômetros de mar aberto agarrados a um tronco "soa meio duvidosa", admite Matthew Huber, paleoclimatologista da Universidade Purdue, em West Lafayette (Indiana), e autor do artigo publicado na Nature. "O importante a se lembrar é que não precisa acontecer sempre." Alguns poucos lêmures sortudos ao longo de milhões de anos já bastariam, afirma ele.

Mas seria impossível isso acontecer uma vez em um milhão de anos sob as condições atuais: as correntes oceânicas que fluem entre Madagascar e o continente se afastam da ilha, não o contrário.

Os paleontólogos estavam empacados na problemática corrente até o coautor de Huber, Jason Ali, geólogo da Universidade de Hong Kong, na China, pedir a Huber que investigasse o problema. Em menos de um dia, Huber decifrou o enigma. Há quase 60 milhões de anos, Madagascar e o continente africano estavam a cerca de 1.650 km ao sul de suas atuais posições, o que, de acordo com o modelo de Huber, os coloca em um redemoinho oceânico diferente. O redemoinho reverte a corrente, propelindo animais à deriva em direção a Madagascar.

As correntes não só fluíam na direção certa como também eram bem mais fortes, reduzindo o tempo de viagem de animais naufragados para 30 dias ou talvez menos, especialmente se houvesse um forte ciclone tropical na região.

"Na verdade, é bem direto", afirma Ian Tattersall, paleontólogo do Museu Americano de História Natural da cidade de Nova York. Muitos biólogos já privilegiavam a teoria da jangada, pois ela explicaria a atual biodiversidade, afirma ele. A nova análise resolve o último notório problema.

"Para mim, o debate está encerrado", concorda Anne Yoder, antropóloga evolucionária da Universidade Duke, em Durham (Carolina do Norte). Yoder acredita que muitos outros tipos de animais e plantas também chegaram à ilha por meio de troncos flutuantes.

Dada a simplicidade da solução do problema, pode parecer impressionante que ninguém o tenha resolvido antes. Mas Tattersall conta que paleontólogos e ecologistas não estão equipados para simular correntes oceânicas antigas. "Isso realmente exige uma especialização diferente das pessoas que normalmente agonizam em cima disso."

Huber afirma que, agora que ele ajudou os biólogos, talvez eles possam ajudá-lo. Pelo estudo dos registros de fósseis e biodiversidade atuais, diz, ele pode saber mais sobre como as antigas correntes marítimas fluíam.

Tradução: Amy Traduções

Nature
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