EUA: bactéria de laboratório pode ter causado morte de pesquisador
Uma bactéria de seu próprio laboratório pode ter sido a causa da morte do pesquisador norte-americano Richard Din, 25 anos. Oficiais de saúde pública dos Estados Unidos acreditam que o jovem possa ter contraído a Neisseria meningitidis (meningococo) no laboratório em São Francisco onde ele vinha trabalhando em uma vacina contra a doença. As informações são do jornal The Guardian.
Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) do país estão tentando confirmar suas suspeitas: que Din é um caso atípico de cientistas que morrem infectados por agentes de seus laboratórios.
Tom Skinner, porta-voz do CDC em Atlanta, deve testar uma amostra da biópsia de Din e outra da bactéria de laboratório em que ele trabalhava, criando "impressões digitais" para cada uma. "Se as impressões digitais forem iguais, é altamente provável que ele tenha adquirido a infecção trabalhando no laboratório", afirma Skinner. "Um pesquisador ficar doente e morrer por causa de um organismo com que estava trabalhando é muito raro", acrescenta.
Enquanto isso, dezenas de pessoas, entre elas parentes, amigos próximos, colegas de trabalho e médicos que tenham tratado Din estão recebendo antibióticos como precaução.
Harry Lampiris, chefe do departamento de doenças infecciosas no San Francisco Veterans Affairs Medical Center, onde Din trabalhava, acredita que é provável que o pesquisador tenha morrido em decorrência de seu trabalho com a bactéria, que provoca meningite e infecções na corrente sanguínea. "É nossa responsabilidade presumir que houve associação com o laboratório até que se prove o contrário", garantiu Lampiris.
Desde os anos 1960, estão disponíveis vacinas para alguns tipos de doenças meningocócicas. Contudo, cientistas no laboratório de São Francisco passaram mais de 20 anos tentando, sem sucesso, desenvolver uma vacina contra o sorogrupo B, que matou Din.
Din morreu de falência múltipla de órgãos, causada por infecção meningocócica e choque séptico, segundo Eileen Shields, porta-voz do Departamento de Saúde Pública de São Francisco. O pesquisador morreu menos de um dia após ficar doente.
A enfermidade pode ser rápida, com sintomas como febre alta, dor de cabeça, rigidez do pescoço, vômito, erupções cutâneas, confusão e fadiga.
A Divisão de Segurança Ocupacional da Califórnia está investigando as circunstâncias da morte de Din, juntamente com a seu órgão federal, o CDC, o Departamento de Saúde Pública e o San Francisco VA.