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Pesquisa

Cientistas buscam origens da parceria entre homem e cão

21 ago 2009 - 11h03
(atualizado às 12h09)
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Amostras de DNA obtidas de cães vira-latas em aldeias da África estão suscitando dúvidas sobre a teoria de que os cachorros primeiro se tornaram "o melhor amigo do homem" no leste da Ásia. Com base em indícios relacionados a DNA, os cientistas acreditam que os cães domésticos se tenham originado de lobos cinzentos eurasianos, entre 15 mil e 40 mil anos atrás. A história de como os cachorros se tornaram companheiros dos humanos permanece obscura, no entanto.

Os cachorros são considerados "os melhores amigos do homem"
Os cachorros são considerados "os melhores amigos do homem"
Foto: Getty Images

Em 2002, pesquisadores que examinaram o DNA de centenas de cachorros em todo o mundo constataram que os cães do leste da Ásia são os mais diversificados geneticamente. Já que a maior diversidade deveria existir na região em que os cachorros primeiro evoluíram dos lobos, o estudo parecia sugerir que o elo entre homens e cachorros foi formado no leste da Ásia.

O estudo incluía números iguais de cães "de raça" e "de rua" da região, diz Adam Boyko, co-autor do estudo e biólogo na Universidade Cornell, em Ithaca, Nova York. Os cães de raça incluem animais de raça pura e híbridos. Os de rua são os próprios de uma região e que não "tenham sido sujeitados ao mesmo grau de seleção artificial intensiva e práticas de criação fechada que caracterizam os modernos cães de raça", afirmam os autores.

Igualmente diversificados
Para a nova pesquisa, Boyko e seus colegas examinaram o DNA de cães de raça e rua de toda a África, e mais animais de rua de Porto Rico e de raças mistas dos Estados Unidos. A equipe constatou que a diversidade genética dos cães de rua africanos se equipara à do leste asiático. Os autores apontam que isso não significa que os cães domésticos possam ter origem na África.

"Sabemos que a África não pode ser o local de domesticação de cães, porque não existem lobos cinzentos no continente", diz Boyko. Mas as constatações questionam os indícios anteriores de que a domesticação aconteceu no leste da Ásia.

"O que acredito estarmos detectando é o sinal de que cães de rua apresentam maior diversidade genética do que cães de raça", disse. Isso não significa que o leste da Ásia esteja fora da disputa. Mas para resolver o enigma de vez, os cientistas deveriam obter amostras genéticas de cães de rua na Europa, Oriente Médio e leste da Ásia, disse Boyko.

Quando o momento e local da domesticação forem determinados, acrescentou, o DNA canino poderá ajudar a decifrar mistérios sobre padrões migratórios e histórias populacionais dos seres humanos primitivos. Ele apontou, por exemplo, que "existem indícios fortes de que os cachorros tenham acompanhado os seres humanos ao Novo Mundo, e certamente acompanharam os polinésios em suas viagens de exploração".

As constatações foram publicadas pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Tradução: Paulo Migliacci ME

National Geographic
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