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Pesquisa

Cientista contesta investigação do FBI sobre envio de antraz

18 mar 2009 - 17h03
(atualizado às 17h37)
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Os esporos de bactérias letais enviados por correio a vítimas dos ataques de antraz nos Estados Unidos, dizem os cientistas, compartilham uma "assinatura" química que não é encontrada na bactéria proveniente do frasco ligado a Bruce Ivins, o pesquisador de biodefesa envolvido no crime.

Esporos de bactérias letais enviados por correio não seriam provenientes do frasco de Bruce Ivins, que o FBI coloca como autor do crime
Esporos de bactérias letais enviados por correio não seriam provenientes do frasco de Bruce Ivins, que o FBI coloca como autor do crime
Foto: Nature

O FBI alega que Ivins, que cometeu suicídio em julho do ano passado, foi o responsável por enviar as cartas infectadas com Bacillus anthracis para veículos de mídia e gabinetes do Congresso em 2001, matando cinco pessoas e deixando 17 doentes. O FBI usou análise genética para rastrear os esporos enviados até um frasco chamado RMR-1029, que Ivins podia acessar em seu laboratório no Instituto Médico de Pesquisa de Doenças Infecciosas do Exército (USAMRIID), em Fort Detrick, Maryland.

Em uma reunião de biodefesa em 24 fevereiro, Joseph Michael, um cientista de materiais dos laboratórios Sandia National, em Albuquerque, Novo México, apresentou análises de três cartas enviadas aos Correios de Nova York e aos gabinetes dos senadores Tom Daschle e Patrick Leahy.

Esporos de duas delas mostraram uma assinatura química distinta, que inclui silício, oxigênio, ferro e estanho; a terceira carta tinha silício, oxigênio, ferro e possivelmente também estanho, diz Michael. As bactérias do frasco RMR-1029 de Ivins não continham nenhum desses quatro elementos.

Duas culturas da mesma variedade de antraz desenvolvidas utilizando processos similares - uma vinda do laboratório de Ivins, a outra de uma instalação do Exército em Utah - mostraram a assinatura silício-oxigênio, mas não continham estanho nem ferro. Michael apresentou a análise no Congresso da Sociedade Americana para Pesquisa da Biodefesa em Microbiologia e Doenças Emergentes, em Baltimore, Maryland.

A incompatibilidade química não significa necessariamente que os esporos letais usados nos ataques não tenham se originado a partir do frasco RMR-1029 de Ivin, diz Jason Bannan, microbiologista e especialista forense da Unidade de Ciências Químicas e Biológicas do FBI, em Quantico, Virginia. A cultura RMR-1029 foi criada em 1997, e os esporos enviados por correio podem ter sido tirados do frasco e desenvolvidos em condições diferentes, resultando em conteúdos químicos variados. "Não me surpreende que sejam diferentes", afirma.

Os dados sugerem que os esporos das três cartas foram criados usando o mesmo processo, diz Michael. Não está claro como estanho e ferro entraram na cultura, acrescenta. Bannan sugere que o meio de cultura poderia conter ferro, e o estanho pode ter vindo de uma fonte de água.

Difíceis de diferenciar
O congresso ofereceu aos cientistas que colaboraram com o FBI na investigação uma oportunidade para compartilhar informações detalhadas. As análises serão futuramente publicadas em publicações especializadas, de acordo com o FBI.

Jacques Ravel, cientista genômico da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore, descreveu os esforços de sua equipe para encontrar diferenças entre culturas da variedade Ames, a Bacillus anthracis identificada nas cartas de antraz.

A princípio, a equipe se surpreendeu ao descobrir que as seqüências de DNA de uma variedade Ames de referência e das amostras Ames da investigação - como bactérias isoladas do líquido raquidiano da primeira vítima - eram exatamente as mesmas. "Foi meio que um choque", diz Ravel.

Para ajudar, os pesquisadores se voltaram para variantes encontradas por uma equipe no USAMRIID. Patricia Worsham e seus colegas tinham notado diferenças na forma, cor e velocidade de mutações associadas com quatro variantes, e desenvolveram um ensaio para um deles, chamado Morph E.

Pesquisadores do Commonwealth Biotechnologies, um laboratório em Richmond, Virginia, e a Divisão da Flórida do Instituto de Pesquisa de Midwest, em Palm Bay, criaram ensaios para outras três variantes.O FBI usou esse arsenal de testes para definir as origens das cartas de antraz, comparando a mistura de variantes genéticas nos esporos das cartas com o frasco RMR-1029 de Ivins. "O frasco tem as assinaturas genéticas que o identificam como a fonte mais provável de criação", diz Bannan.

Ravel também seqüenciou o genoma de uma variedade de Bacillus subtilis encontrada em uma das cartas. Essa amostra não coincidiu com a variedade de Bacillus subtilis encontrada no laboratório de Ivins, diz Bannan, mas a contaminação bacteriana ainda pode ter vindo de algum outro lugar da instituição de Ivins.

O FBI pediu à Academia Nacional de Ciências para reunir uma junta independente de especialistas para revisar os dados da investigação. Segundo a porta-voz da academia, Christine Stencel, ainda está sendo redigido um contrato com o FBI, que traça um acordo para conduzir o estudo.

Thomas DeGonia, advogado de Ivins na Venable LLP, em Rockville, Maryland, sustenta a inocência de Ivins.

Tradução: Amy Traduções

Nature
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