Caramujo pega carona em outros por necessidade, diz estudo
Henry Fountain
Do New York Times
No Pacífico Sul, existem espécies de caramujo que nunca receberam a mensagem de que pegar carona pode ser perigoso, já que caramujos jovens montam na concha de parentes maiores para migrarem corrente acima. Yasunori Kano, da Universidade de Miyazaki, no Japão, observou o comportamento de espécimes do caramujo Neritina asperulata nas ilhas Salomão e em Vanuatu, onde caramujos juvenis, cada um com cerca de 3 mm, se prendiam às conchas de subadultos N. pulligera, que têm cerca de 25 mm.
A espécie N. asperulata nasce na água doce, mas, enquanto larva, é carregada pela corrente até o oceano. Torna-se necessário, portanto, migrarem novamente rio acima, geralmente 8 km ou mais. Montar às costas de caramujos maiores aumenta a chance de sucesso dessa migração ao acelerar o processo, embora eles ainda precisem provavelmente de um ou dois anos para viajarem cerca de 4 km, Kano afirma em artigo publicado na Biology Letters. O comportamento também pode fornecer certa proteção contra predadores.
Kano relata que jovens de outras espécies de caramujo são conhecidos por se prenderem a indivíduos maiores, aparentemente um comportamento opcional - existem muitos caramujos pequenos andando sozinhos. A N. asperulata, por outro lado, pega carona por necessidade. Kano afirma que, pelo que sabe, é o primeiro caso relatado de carona "que transfere o custo de migração para outros organismos enquanto colhe o benefício".
Tradução: Amy Traduções