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'Não podemos equiparar negacionismo a rigor científico', diz Leandro Karnal

Ao lado do astrofísico Marcelo Gleiser, o historiador fez palestra nesta quinta-feira, 14, na Rio Innovation Week, sobre a importância da divulgação da ciência

15 ago 2025 - 07h11
(atualizado às 08h12)
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Resumo
Leandro Karnal e Marcelo Gleiser destacaram na Rio Innovation Week a importância da divulgação científica para combater o negacionismo e defenderam que opiniões não são equivalentes ao rigor científico, enfatizando a necessidade de ocupar espaços de comunicação como redes sociais.
O astrofísico Marcelo Gleiser e o historiador Leandro Karnal participaram da Rio Innovation Week em mesa sobre a importância da divulgação da ciência
O astrofísico Marcelo Gleiser e o historiador Leandro Karnal participaram da Rio Innovation Week em mesa sobre a importância da divulgação da ciência
Foto: Pedro Kirilos/Estadão / Estadão

Leandro Karnal é historiador e Marcelo Gleiser, astrofísico. Mas ambos são reconhecidos divulgadores científicos e se uniram para escrever o livro "A humanidade em busca de si", o segundo volume da coleção "Segredos da vida", que aborda temas como verdade, justiça e incertezas crescentes, à luz de temas contemporâneos. Os dois estiveram juntos também na tarde desta quinta-feira, 14, na Rio Innovation Week.

Ambos afirmaram que ainda há muito preconceito contra cientistas e acadêmicos que conversam sobre seus temas de pesquisa com o público em geral, como o que se reuniu hoje no evento de inovação. Eles acreditam, no entanto, que o fato de muitos acadêmicos só falarem para seus pares - e não para o público em geral - abriu espaço para a ascensão de negacionistas de vacinas, terraplanistas, racistas e homofóbicos, entre muitos outros.

"Vivemos na era da opinião. Houve uma troca da reflexão sistemática pela doxa, ou seja, pela opinião: a internet equiparou as duas coisas", afirmou Karnal. "A 'opinião' sobre história de alguém com mais de quarenta anos de sala de aula e dezenas de livros publicados não pode ter o mesmo peso que a de outra pessoa. Não são 'opiniões' equivalentes porque ambos têm Instagram. Minha tia me disse para não tomar a vacina, então não importa Sabin, Pasteur, o método científico? Não dá."

De acordo com Karnal, muitos discursos não são equiparáveis mesmo em nome da democracia ou da liberdade de expressão.

"Não podemos equiparar o negacionismo com o rigor científico, os nazistas com os não nazistas, como se fossem duas versões", disse. "Temos que ser tolerantes com opiniões individuais, eu, por exemplo, odeio coentro; também tenho o direito de adorar alguns deuses e acreditar que existam, mas não posso transformar isso em política pública, não posso ser eleito presidente e proibir o comércio de coentro no Brasil."

Em sintonia com o colega, Gleiser disse que ainda há muita resistência à figura do divulgador científico.

"É como se um cientista sério não pudesse perder tempo falando para o público", disse. "Sempre achei isso uma grande besteira. Platão e Sócrates eram divulgadores científicos. Galileu optou por escrever italiano para falar com o público leigo, Einstein foi um grande divulgador. O conhecimento acadêmico não pode ficar preso dentro da academia. Precisamos dar voz ao conhecimento."

Para Karnal, é preciso ocupar todos os espaços.

"A ciência e o pensamento crítico se apropriam menos de espaços como o TikTok do que os reacionários, que têm uma linguagem mais dinâmica", afirmou. "Precisamos ocupar todos os espaços."

Estadão
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