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Os desafios do Havaí em busca da independência energética

7 jun 2026 - 18h41
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Arquipélago, que importa grande parte de sua energia, corre para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis após estabelecer meta de 100% de eletricidade renovável até 2045.O Havaí, um arquipélago no meio do Oceano Pacífico sem reservas nacionais de petróleo ou gás, depende há muito da importação de combustíveis fósseis para impulsionar sua economia.

Painéis solares e turbinas eólicas na ilha de Oahu contribuem para a transição energética no Havaí
Painéis solares e turbinas eólicas na ilha de Oahu contribuem para a transição energética no Havaí
Foto: DW / Deutsche Welle

O petróleo vindo de fora abastece grande parte da rede elétrica e o transporte marítimo e aéreo do qual o 50º estado americano depende para movimentar pessoas e mercadorias - e para trazer os quase dez milhões de turistas que visitam suas praias anualmente.

O Havaí começou a reduzir essa dependência de combustíveis em 2015, quando se tornou o primeiro estado americano a se comprometer com a transição para 100% de eletricidade renovável até 2045. O objetivo era explorar a energia solar, eólica, bioenergia, hidrelétrica e geotérmica produzida localmente em sua paisagem vulcânica.

Essa meta foi ampliada para toda a economia em 2018, com a adoção de uma meta pioneira de emissões de carbono "negativas líquidas" até, no máximo, 2045. Além disso, um processo climático inédito, liderado por jovens, também forçou o estado a se comprometer com descarbonização do setor de transportes no mesmo prazo.

Essas metas ambiciosas de energia sustentável — que "minimizam ou eliminam completamente a dependência de energia importada" — foram impulsionadas por uma busca pela autossuficiência energética, afirma Peter Sternlicht, membro do conselho da organização sem fins lucrativos de energia renovável Sustainable Energy Hawaii.

Isso se tornou ainda mais relevante diante do mais recente choque do petróleo causado pela guerra de EUA e Israel contra o Irã.

Mas como alcançar uma economia descarbonizada e independente em termos de energia em apenas 20 anos?

Os desafios à transição energética

"O estado precisará de muitas políticas públicas se quiser atingir sua meta de 2045", afirma Paul Bernstein, especialista em política econômica da Universidade do Havaí.

O arquipélago tem necessidades energéticas diversas, baseadas na sua população e geografia. A ilha de Oahu, que abriga a maior cidade do estado, Honolulu, não será fácil de descarbonizar.

"Em Oahu, onde a densidade populacional e as limitações de espaço tornam a transição mais desafiadora, o estado vem priorizando a modernização da rede elétrica, a geração mais eficiente e grandes investimentos do setor privado para apoiar energias renováveis e armazenamento em larga escala nos próximos anos", explica Mark B. Glick, diretor do Escritório de Energia do Estado do Havaí.

Ao mesmo tempo, em Maui, onde um furacão em 2023 derrubou linhas de energia, provocando incêndios florestais e 102 mortes, o escritório de energia afirma que tem sido um desafio para a Hawaiian Electric, a maior concessionária do estado, manter uma transição acessível para energia renovável.

Mesmo onde a energia eólica, solar e as baterias já ajudam na transição - e com cerca de 50% das casas em Oahu tendo painéis solares -, Glick diz que a energia geotérmica precisa ter um papel maior na matriz energética.

Na Ilha do Havaí, a maior e mais abundante fonte de energia geotérmica do estado foi aproveitada para fornecer um pico de cerca de 30% de sua eletricidade em 2017. A produção foi posteriormente reduzida por uma erupção vulcânica, mas as autoridades planejam atualmente uma expansão de capacidade de 20% até o final de 2026.

Um grande desafio para o Havaí é a descarbonização do transporte marítimo e aéreo, agravado pela dependência do transporte aéreo devido ao turismo.

"Basicamente, todos os nossos produtos são trazidos de algum lugar", aponta Paul Bernstein. Ele pontua que o combustível de aviação sustentável e as melhorias na eficiência das aeronaves ajudarão a reduzir as emissões atmosféricas, mas que a eletrificação dos voos ainda está longe de ser uma realidade.

Caminhos para a descarbonização

Em 2022, o Havaí aprovou uma lei que incumbiu o escritório estadual de energia de "analisar caminhos" para alcançar as "metas de descarbonização para toda a economia" do estado.

Um relatório encomendado pelo Legislativo estadual apresentou cenários de descarbonização nos quais o setor energético do Havaí poderia passar por essa transição em algumas décadas. Isso exigiria a implantação de energia solar, eólica e de armazenamento em uma taxa sem precedentes, a eliminação gradual de veículos com motor de combustão interna em favor de veículos elétricos com emissão zero e a modernização de edifícios para maior eficiência de aquecimento e resfriamento.

Além disso, quantidades maiores de combustível de aviação sustentável teriam que substituir o querosene padrão necessário para viagens aéreas.

No entanto, o relatório também observa que a geração de biodiesel, biomassa, energia geotérmica e hidrelétrica teria que desempenhar um "papel notável" para que todas as ilhas havaianas possam alcançar a meta de emissões líquidas zero até 2045.

A eliminação gradual dos combustíveis fósseis também poderia ser acelerada com um imposto sobre o carbono que aumentasse os preços do petróleo ou do gás para promover a transição para energia limpa. Hoje, impostos sobre cada barril de combustível importado já financiam programas de descarbonização.

A importância da energia geotérmica

Um imposto sobre o carbono também poderia ser vital para o desenvolvimento da energia geotérmica, que continua sendo a maior esperança para uma transição para energia doméstica limpa. Uma usina geotérmica de porte relativamente pequeno normalmente utiliza o calor vulcânico subterrâneo para criar vapor que aciona uma turbina para gerar energia com zero emissões de carbono.

"O estado está realizando a caracterização dos recursos do potencial geotérmico para entender melhor onde a energia geotérmica pode ser desenvolvida, de acordo com os valores culturais e os interesses da comunidade", diz Glick.

Embora por muito tempo se tenha presumido que essa fonte de energia não seria viável na ilha mais populosa, Oahu, discussões mais recentes indicam "que a energia geotérmica pode, na verdade, estar disponível onde é mais necessária", pontua Bernstein. "Se for esse o caso, poderá realmente mudar o jogo."

Embora os custos de produção sejam relativamente baixos ao longo da vida útil de uma instalação, descobrir os recursos geotérmicos pode ser caro, demandando mais investimentos na fase exploratória. As análises locais também serão vitais devido à resistência das comunidades nativas havaianas à exploração de vulcões sagrados.

Obstáculos às energias renováveis e apelos ao GNL

Como será difícil aumentar a energia geotérmica nos próximos 20 anos a ponto de atingir as metas de transição para 2045, o governo do Havaí tem considerado recentemente combustíveis de "transição" com menores emissões.

Uma das opções seria aposentar geradores de eletricidade ineficientes movidos a óleo e substituí-los por geradores a gás de alta eficiência, abastecidos com gás natural liquefeito (GNL) importado.

A usina de última geração reduziria as emissões de gases de efeito estufa em 20% ao longo de 20 anos e seria 20% mais barata do que a energia gerada a partir do petróleo - a eletricidade do Havaí é a mais cara dos EUA.

Mark Glick afirma que a usina a gás, tecnologicamente mais avançada, é mais capaz de "aumentar a integração de energias renováveis" na rede elétrica.

No entanto, especialistas apontam que, embora o GNL seja mais barato e gere menos emissões que o petróleo, os custos de resfriamento, transporte e regaseificação também são altos.

Se a energia renovável continuar a se expandir juntamente com o armazenamento em baterias, as usinas de GNL poderão se tornar ativos caros e subutilizados. "Os sistemas solares e de baterias já são competitivos com os combustíveis fósseis e evitam os riscos associados aos mercados globais de combustíveis", observou uma análise da Organização de Pesquisa Econômica da Universidade do Havaí.

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