Já podemos medir o hidrogênio cósmico sem mapas de galáxias — um passo essencial para compreender a energia escura
Avanço no experimento CHIME permite rastrear diretamente a matéria do Universo primitivo, reduz custos de pesquisa e abre caminho para prever o destino da expansão cósmica
Astrônomos desenvolveram uma nova abordagem com o radiotelescópio CHIME para medir a emissão de hidrogênio cósmico de forma autônoma, sem depender de catálogos ópticos prévios de galáxias. Graças a atualizações de software que filtram interferências e ruídos da Via Láctea, o método torna o mapeamento mais direto e acessível, representando um avanço crucial para investigar a ação da energia escura e entender a aceleração da expansão do universo.
O universo está em constante expansão, e esse processo vem se acelerando ao longo do tempo. A principal hipótese para essa aceleração é a ação daenergia escura, uma força invisível cuja evolução futura ainda é desconhecida pela cosmologia.
Para investigar como essa energia atua, uma equipe internacional de astrônomos desenvolveu uma nova abordagem para medir a emissão de hidrogênio neutro pelo cosmos, aperfeiçoando métodos existentes para torná-los mais diretos e acessíveis.
O papel do radiotelescópio CHIME
O experimento canadense CHIME (Canadian Hydrogen Intensity Mapping Experiment) tem como foco mapear o hidrogênio, o elemento mais abundante e formador das primeiras estrelas.
Até recentemente, o uso do instrumento enfrentava dois grandes obstáculos técnicos:
- Ruído e interferência: O equipamento capta fortes sinais terrestres e ruídos emitidos pela própria Via Láctea.
- Dependência de mapas prévios: Para confirmar se o sinal indicava aglomerados galácticos reais, era obrigatório cruzar os dados com catálogos ópticos obtidos por telescópios convencionais — um processo lento e com alto custo operacional.
Atualizações recentes no software do CHIME conseguiram filtrar o ruído e extrair os dados de hidrogênio de forma autônoma, dispensando a comparação com catálogos externos.
A marca cósmica do hidrogênio
Cerca de 380 mil anos após o Big Bang, o Universo resfriou o suficiente para interromper a propagação de ondas acústicas que viajavam pelo plasma primordial. Essas ondas ficaram ...
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