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Ciência

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Incêndios na Amazônia registram mínimo histórico em 2025

21 jul 2026 - 14h15
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Área queimada foi a menor desde 1985, segundo o MapBiomas. Queda no desmatamento e extensão do período de chuvas contribuíram. Ao todo, Brasil teve redução de 32% nos incêndios florestais.Os incêndios na Amazônia brasileira caíram em 2025 ao seu menor nível histórico dos últimos 41 anos, depois de ter batido recorde em 2024, aponta um relatório anual da rede de monitoramento ambiental MapBiomas divulgado nesta terça-feira (21/07).

Relatório Anual do Fogo do MapBiomas registrou a menor área queimadas na Amazônia desde 1985
Relatório Anual do Fogo do MapBiomas registrou a menor área queimadas na Amazônia desde 1985
Foto: DW / Deutsche Welle

Segundo o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas, foram 3,1 milhões de hectares incendiados, a menor área afetada no bioma desde o início dos registros por satélite da Amazônia, em 1985.

Os números estão muito abaixo dos de 2024, quando 15,8 milhões de hectares da floresta amazônica foram queimados em meio a uma seca histórica. Os incêndios, na maioria dos casos, foram iniciados por atividades humanas, como queimadas de pastagens não autorizadas - ou mal realizadas - ou outras práticas ilegais, como o uso de fogo para desmatar áreas para a prática do garimpo.

Os dados também apontam uma queda nos incêndios florestais em todo o Brasil, com o registro mais baixo de áreas queimadas desde 2018, somando 12,7 milhões de hectares, o que representa uma redução de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões de hectares por ano e quase metade da área incendiada em 2024.

Segundo o relatório do MapBiomas, a queda dos incêndios no Brasil "interrompe uma sequência de anos de expansão do fogo e devolve o país a um patamar historicamente mais baixo de área queimada".

"Fora da curva"

A diretora de ciências do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam) e coordenadora do relatório do MapBiomas avalia que a queda das queimadas na Amazônia, que ela considerou "fora da curva", se deve a uma soma de fatores, incluindo a questão climática.

"O período chuvoso atrasou de 2024 para 2025 e foi até abril, maio, em grande parte da região. Em algumas regiões, a chuva nem parou completamente. Isso foi importante para segurar o processo de queima", explicou. Esse atraso do período de chuvas impediu que se criasse uma "janela ideal para ter a queima em alguns lugares" onde o fogo é usado para limpar terras agrícolas.

A geógrafa citou ainda um "fator psicológico" nas comunidades afetadas pelos incêndios de 2024, segundo o qual o medo de uma situação semelhante ao ano anterior fez com que houvesse maior controle do fogo nessas regiões.

Ela, no entanto, alertou que o Cerrado, segundo maior bioma brasileiro e a savana mais biodiversa do mundo, continuou queimando em níveis semelhantes aos de 2024. Juntos, a Amazônia e Cerrado concentram 86% de toda a área queimada no país desde 1985.

Alencar alertou ainda que a possível chegada do fenômeno climático "super El Niño" poderá trazer uma ampliação do período seco e aumentar a possibilidade de incêndios florestais.

Queda no desmatamento ajudou

Um fator que contribuiu significativamente para a diminuição das queimadas na Amazônia foi a queda do desmatamento em 2025, que limitou as fontes de ignição das chamas.

No ano passado, perdeu-se uma média de 985 mil hectares de vegetação nativa por dia — o equivalente a 112 campos de futebol por hora ou 17 parques do Ibirapuera, em São Paulo. Ainda assim, o registro ficou, pela primeira vez, abaixo do 1 milhão de hectares de vegetação perdida.

Segundo dados oficiais de 2026, a Amazônia teve sua menor taxa de desmatamento da última década durante o primeiro semestre deste ano.

Essa tendência de queda vem se mantendo desde 2023, quanto teve início o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que prometeu erradicar o desmatamento ilegal até 2030.

Os dados do MapBiomas são uma boa notícia para Lula a poucos meses das eleições, em meio a críticas de ambientalistas à iniciativa do governo de explorar petróleo na foz do rio Amazonas.

O relatório anual do MapBiomas inclui dados de universidades, ONGs ambientalistas e empresas de tecnologia.

rc/ra (ots)

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