China lança missão Shenzhou-23 com astronauta que ficará um ano no espaço
O lançamento faz parte dos planos de Pequim de enviar pessoas à Lua até 2030
A China lançou a nave Shenzhou-23 na noite de domingo, 24, e conseguiu acoplá-la a uma estação espacial na madrugada desta segunda-feira, 25, como parte dos planos de Pequim de enviar pessoas para a Lua até 2030.
Graças a investimentos maciços, o país asiático desenvolveu consideravelmente seu programa espacial e agora compete com os Estados Unidos e seu programa Artemis pelo retorno à superfície lunar.
O foguete Longa Marcha 2F decolou em meio a uma nuvem de chamas e fumaça às 23h08 no horário local (12h08 no horário de Brasília), do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste da China, segundo imagens exibidas pela emissora estatal CCTV.
O veículo impulsionou a espaçonave Shenzhou e seus três tripulantes até a estação espacial Tiangong ("Palácio Celestial", em tradução livre), onde um deles permanecerá por um ano.
A nave acoplou-se com sucesso à estação após um voo de cerca de 3,5 horas, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, que citou a Agência Espacial Tripulada da China (CMSA, na sigla em inglês) como fonte. "Os astronautas estão bem, e o lançamento foi um sucesso total", afirmou a Xinhua.
A experiência permitirá aos cientistas estudar os efeitos da microgravidade prolongada, essenciais para potenciais missões futuras à Lua ou mesmo a Marte.
A missão também marca o primeiro voo espacial de um astronauta de Hong Kong: Li Jiaying, de 43 anos, que anteriormente trabalhava para a polícia no território semiautônomo chinês.
Os outros integrantes da tripulação são o comandante e engenheiro aeroespacial Zhu Yangzhu, de 39, e o ex-piloto da Força Aérea Chinesa Zhang Zhiyuan, também de 39, que viaja ao espaço pela primeira vez.
Além da estadia orbital de um ano, a tripulação realizará diversos experimentos em áreas como ciência dos materiais, física de fluidos e medicina.
Atrofia muscular, radiação, fadiga e mais
A seleção do astronauta encarregado de passar um ano em órbita ocorrerá posteriormente, dependendo do progresso da missão Shenzhou-23, informou um funcionário da CMSA no sábado.
Os "principais desafios" serão "os efeitos sobre o ser humano" das condições que esse ambiente pode gerar: "perda de densidade óssea, atrofia muscular, exposição à radiação, distúrbios do sono e fadiga comportamental e psicológica", explicou à Agence France-Presse (AFP) o astrofísico Richard de Grijs, professor da Escola de Ciências Matemáticas e Físicas da Universidade Macquarie, na Austrália.
Ele também destacou a importância da confiabilidade dos sistemas de reciclagem de água e ar, além da capacidade de gerenciar potenciais emergências médicas longe da Terra.
"A China tornou-se muito competente nessas áreas, mas a duração é importante. Um ano em órbita coloca o equipamento e a tripulação em um regime operacional diferente das missões Shenzhou mais curtas", afirmou De Grijs.
Até agora, as tripulações permaneciam na estação Tiangong por seis meses antes de serem substituídas.
Nave dos sonhos
A China ainda está na fase de desenvolvimento e teste dos equipamentos necessários para enviar astronautas à Lua nesta década.
Este ano, está previsto o voo de teste em órbita da espaçonave Mengzhou ("Nave dos Sonhos", em tradução livre). Ela substituirá a Shenzhou em futuras missões tripuladas com destino à Lua.
Pequim espera concluir até 2035 o primeiro segmento de uma base científica habitada em um satélite da Terra, chamada Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS, na sigla em inglês).
O país asiático investiu bilhões de dólares nas últimas três décadas para equiparar seu programa espacial aos dos EUA, da Rússia e da Europa. Seu progresso tem sido particularmente visível na última década.
Em 2019, a China pousou uma sonda no lado oculto da Lua, uma conquista inédita no cenário mundial, e, em 2021, enviou um pequeno robô a Marte.
A China foi oficialmente excluída da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em 2011, ano em que Washington proibiu a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos EUA (Nasa, na sigla em inglês) de colaborar com Pequim. Isso levou o país asiático a desenvolver seu próprio projeto de estação espacial./Com informações da AFP
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