Veja como os fatos vem se sucedendo depois que o MST ameaçou, pela quarta vez, invadir a fazendo da famlília de Fernando Henrique.
Segunda-feira
13h - O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, entra em contato com o governador Itamar Franco. A informação era de que havia "fortes indícios" de invasão da fazenda da família do presidente Fernando Henrique Cardoso por membros do Movimento dos Sem-Terra (MST). Cardoso pedia providências.
Por intermédio do comandante da Polícia Militar de Minas, coronel Mauro Lúcio Contijo, Itamar responde que não tinha essa informação. O general Cardoso manda um fax com mais dados, mas o governo mineiro não se manifesta.
19h - O general descreve a situação a FHC, que decide acionar os Ministérios da Justiça e da Defesa. O ministro José Gregori, da Justiça, ordena que a Polícia Federal para ir à fazenda.
22h - O diretor da PF, Agílio Monteiro Filho, tenta negociar com o comando da PM de Minas. O chefe de gabinete do general Cardoso, coronel Fernando de Lima Santos, envia fax ao secretário de Itamar, Saulo Moreira, informando que tropas federais se deslocavam para a área.
23h - Itamar liga para o presidente do STF, ministro Carlos Velloso, e diz que reagiria se o governo federal insistisse em mandar o Exército à fazenda.
23h30 - Um contingente do Comando de Operações Táticas da PF chega à fazenda.
Meia-noite - Itamar liga novamente para Carlos Velloso e comunica que membros do MST iriam mesmo para a frente da fazenda, mas não haveria invasão. O presidente do STF liga para o presidente para mediar uma solução.
Terça-feira
2h - Manifestantes do MST chegam à fazenda. Itamar determina que a PM seja retirada do território mineiro.
6 horas - O Exército reforça a segurança da fazenda.
18h - Em entrevista coletiva, Itamar dá o ultimato de 12h para que o Exército se retire da fazenda.
19h - O secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, liga para Velloso, que acabara de receber a carta de Itamar com o ultimato. Aloysio afirma que FHC iria reunir-se com os ministros e não aceitaria o descumprimento da ordem pública.
19h30 - FHC chega a Brasília, vindo de São Paulo.
20h10 - O presidente se reúne com o general Cardoso, Gregori, Aloysio, Pedro Parente, o advogado-geral da União, Gilmar Mendes, o assessor especial Moreira Franco e um representante do Ministério da Defesa. FHC não admite o ultimato.
22h - O ministro Velloso liga para Aloysio e em seguida para FHC, dizendo que Itamar ligara para dizer que colocaria a PM para manter a ordem se o governo federal retirasse o Exército.
23h45 - O governo divulga carta a Itamar e ao STF, confirmando a decisão de manter o Exército na fazenda. O presidente classifica de "bazófia" e "recaída autoritária" o ultimato do Itamar e admite retirar as tropas federais se o governador enviasse a PM para o local. A carta foi levada ao STF por Aloysio e Mendes.
Quarta-feira
0h40 - Velloso liga para Itamar Franco apelando para que o governador evitasse o confronto de tropas, caso enviasse a PM ao local. Itamar concordou.
1h - Velloso ligou para FHC dizendo que Itamar se comprometeria a evitar conflito. Com isso, o presidente do STF dá por encerrada sua tarefa de mediador.
6h - Término do prazo dado pelo governador Itamar para a saída do Exército da fazenda pertencente à família do presidente.
16h30 - O governador Itamar Franco determina à Procuradoria Geral do Estado que inicie estudos para a desapropriação da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis.
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