Unilever, dona da Cif e Omo, denunciou presença de bactéria em produtos Ypê à Anvisa

Multinacional enviou denúncias em outubro de 2025 e março deste ano após realizar testes independentes nos produtos

14 mai 2026 - 12h12
(atualizado às 13h11)
Na foto, embalagens de detergentes Ypê nas prateleiras de supermercado
Na foto, embalagens de detergentes Ypê nas prateleiras de supermercado
Foto: DIRCEU PORTUGAL/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

A multinacional Unilever fez denúncias à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) sobre a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos Ypê, em outubro do ano passado e em março deste ano. Os documentos com as denúncias foram obtidos pelo jornal Folha de S. Paulo.

A Unilever é dona de marcas como Cif, Comfort e Omo, concorrentes da Ypê na linha de sabões para roupa e desinfentantes, mas não possui marcas de detergente.

Publicidade

Segundo os documentos, a multinacional realizou testes nos produtos da Ypê que detectaram a presença da bactéria, o que seria um "iminente risco à saúde e segurança dos consumidores".

Em nota ao Terra, a Unilever disse que realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado e que isso é uma prática comum entre as indústrias do setor. "A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas", complementa. 

Qual é e quais os riscos da bactéria que fez a Anvisa suspender produtos da Ypê? #shorts
Video Player

"Quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão. A companhia reafirma seu compromisso e prioridade absoluta e inegociável com a saúde e segurança dos consumidores", finaliza a multinacional. 

A primeira denúncia, de outubro de 2025, foi feita através do laboratório americano Charles River. O texto dizia que a "Pseudomonas aeruginosa pode se propagar através do contato direto com a pele, lesões, mucosas ou mesmo por meio de objetos contaminados, podendo causar infecções em diversas partes do corpo, como a pele, o trato urinário, olhos e ouvido (otite), sendo que seu tratamento não é simples devido à conhecida resistência aos antibióticos". 

Publicidade

A Unilever acusou ainda a Ypê de saber do problema e ter iniciado um recolhimento voluntário dos produtos dos supermercados. 

Já a segunda denúncia, de março, foi feita através do laboratório Eurofins e detectou 14 lotes de produtos Ypê contaminados pela bactéria. Além disso, em sete deles, havia traços de materiais genéticos de outros gêneros de bactérias.

A Química Amparo, dona da marca Ypê, enviou um posicionamento, ainda em outubro, à Senacon sobre as denúncias. A empresa disse ter recebido com surpresa e indignação e que não havia qualquer regulamentação da Anvisa sobre limites para presença daquele microrganismo em produtos saneantes.

O texto da defesa da empresa dizia que a Anvisa proíbe a presença dessa bactéria apenas em cosméticos, mas não em saneantes. Para os advogados da Química Amparo, essa diferenciação é "óbvia, uma vez que os produtos cosméticos tendem a ser aplicados diretamente na pele, onde permanecem, muitas vezes, por diversas horas em contato direto".

Os lotes analisados pela Unilever na primeira denúncia teriam sido fabricados entre abril e setembro de 2025, e os da segunda, entre julho e novembro de 2025. 

Publicidade

A reportagem procurou pela Anvisa e pela Ypê em busca de posicionamentos, e aguarda retornos. A marca conseguiu suspender a resolução da Agência, que ainda vai julgar, nesta sexta-feira, 15, se mantém ou não a decisão.

Até o momento, a Anvisa informou que continua com a recomendação para que os consumidores não utilizem os produtos Ypê com final lote 1, tendo detectado mais de 100 lotes comprometidos e 76 irregularidades na fábrica de Amparo, em São Paulo.

Fonte: Portal Terra
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações