Reposição hormonal engorda? Ginecologista explica o que acontece na menopausa

Ganho de peso que pode ocorrer nessa fase da vida está muito mais ligado a fatores naturais do envelhecimento

23 jan 2026 - 06h44
Resumo
A reposição hormonal não causa ganho de peso significativo, sendo o aumento de peso na menopausa mais relacionado ao envelhecimento, metabolismo lento e estilo de vida, podendo a terapia até ajudar com acompanhamento médico e hábitos saudáveis.
Reposição hormonal engorda? Ginecologista explica o que acontece na menopausa
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A reposição hormonal costuma ser cercada de dúvidas e receios. Entre os principais mitos que circulam nos consultórios, um dos mais comuns é a crença de que o tratamento inevitavelmente leva ao ganho de peso. Mas, essa ideia tem fundamento? 

“A associação entre reposição hormonal e aumento de peso tem raízes em estudos antigos e em experiências pessoais de pacientes. Durante a menopausa, muitas mulheres ganham peso devido à redução natural do metabolismo e à redistribuição da gordura corporal, especialmente na região abdominal. Como isso ocorre no mesmo período em que a reposição costuma ser iniciada, criou-se a impressão de que os hormônios seriam os responsáveis, o que não é verdade”, explica a ginecologista Ana Paula Fabrício, com título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO) e Pós-graduação em Nutrologia pela ABRAN. “Com relação ao peso, o fator determinante é o balanço energético. Se o consumo de calorias é maior que o gasto, há um processo de ganho de peso”, acrescenta.

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Segundo Ana Paula, as pesquisas mostram que a terapia hormonal não é uma causa direta de ganho de peso. “A variação de peso em mulheres em uso de hormônios é semelhante à de quem não faz reposição. Em alguns casos, a terapia até contribui para reduzir o acúmulo de gordura abdominal, principal queixa dessa fase”, esclarece a médica. Os efeitos até podem variar de acordo com a forma como o hormônio é administrado — seja oral, transdérmica (adesivos, géis), injetável ou por implantes. No entanto, nenhuma dessas vias tem relação comprovada com aumento de peso significativo, de acordo com Ana Paula Fabrício. “O que muda, na prática, é a adaptação de cada paciente ao tipo de tratamento e o perfil de segurança individual”, explica.

Outro ponto importante é que a reposição pode contribuir para preservar a massa magra, segundo a ginecologista. 

“A massa magra tende a diminuir com a queda do estrogênio. Isso significa que, quando associada a um estilo de vida saudável, a terapia hormonal pode favorecer uma composição corporal mais equilibrada, com menos perda muscular e menor tendência ao acúmulo de gordura visceral. Para potencializar os benefícios, a reposição deve ser acompanhada de uma rotina de cuidados. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, incluindo exercícios de força para preservar músculos, além de garantir boas noites de sono, são atitudes que fazem diferença tanto no controle do peso quanto na saúde geral da mulher”, explica Ana. 

“O ganho de peso que pode ocorrer nessa fase da vida está muito mais ligado a fatores naturais do envelhecimento, ao metabolismo mais lento e ao estilo de vida do que ao uso da terapia em si. Com acompanhamento médico individualizado e hábitos saudáveis, a reposição hormonal pode ser uma aliada e não uma vilã”, finaliza Ana Paula.

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(*) Homework inspira transformação no mundo do trabalho, nos negócios, na sociedade. É criação da Compasso, agência de conteúdo e conexão.

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