Por que é tão difícil emagrecer depois dos 40? Médica explica e dá dicas

19 mar 2026 - 04h57
Entenda por que é mais difícil perder peso depois dos 40 anos
Entenda por que é mais difícil perder peso depois dos 40 anos
Foto: Freepik

Após os 40 anos, muitas pessoas percebem que emagrecer se torna mais difícil, e isso ocorre por uma combinação de fatores fisiológicos, hormonais e comportamentais associados ao processo natural de envelhecimento. 

"Um dos principais fatores é a redução progressiva da massa e força muscular, fenômeno conhecido como sarcopenia. O músculo é metabolicamente mais ativo que o tecido adiposo, portanto, quando há perda de massa muscular, o gasto energético basal diminui", explica a médica geriatra Simone de Paula Pessoa Lima.

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Isso significa que o organismo passa a consumir menos calorias em repouso, facilitando o acúmulo de gordura mesmo quando a alimentação não muda significativamente.

"Outro aspecto relevante são as alterações hormonais. Nas mulheres, a transição para o climatério e a menopausa provocam redução de estrogênio, o que favorece o aumento da gordura abdominal e altera o metabolismo da glicose e dos lipídios", diz. 

Nos homens, a especialista explica que há uma queda gradual da testosterona, que também contribui para redução de massa muscular e aumento da gordura corporal. 

"Além disso, com o avanço da idade, ocorre maior resistência à insulina, alterações no sono, redução da atividade física e, frequentemente, maior exposição ao estresse crônico, fatores que impactam diretamente no controle do peso".

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No caso de idosos, a médica explica ainda que na geriatria se trabalha com o conceito de que um IMC (ìndice de massa corporal) levemente superior (sobrepeso) pode ser protetor contra a fragilidade em mais velhos. 

"O foco não deve ser "ser magro", mas sim "ser forte". O emagrecimento após os 40 deve ser estratégico: perder gordura preservando o músculo a todo custo", diz.

Estratégias para perder peso após os 40

Diante desse cenário, estratégias de emagrecimento após os 40 precisam ser mais estruturadas e baseadas em ciência. 

"A base continua sendo a combinação de alimentação equilibrada, atividade física regular e controle de fatores metabólicos. A prática de exercícios de força é particularmente importante, pois ajuda a preservar ou recuperar massa muscular, aumentando o gasto energético e melhorando a sensibilidade à insulina. Exercícios aeróbicos também têm papel relevante no controle do peso e na saúde cardiovascular". 

O emagrecimento mal conduzido pode levar à perda de densidade mineral óssea. "A combinação de exercício de força com aporte de Cálcio e Vitamina D é inegociável nesse processo", completa.

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Do ponto de vista nutricional, dietas muito restritivas tendem a ser contraproducentes nessa fase da vida, pois podem acelerar a perda muscular. 

"O ideal é um plano alimentar equilibrado, com ingestão adequada de proteínas, fibras, vegetais, gorduras de boa qualidade e controle de carboidratos refinados. Não basta apenas "comer proteína". É preciso considerar a resistência anabólica do envelhecimento", explica. 

A especialista conta que o fracionamento da proteína ao longo do dia (cerca de 25-30g por refeição) é a chave para sinalizar a síntese muscular. "Em alguns casos selecionados, quando há obesidade ou doenças associadas como diabetes ou hipertensão, pode-se considerar tratamento medicamentoso para perda de peso, sempre com indicação e acompanhamento médico".

Com o envelhecimento, é fundamental ficar mais atento ao peso corporal porque o excesso de gordura, especialmente abdominal, está associado a maior risco de diversas doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, esteatose hepática, osteoartrite e declínio funcional. 

"Além disso, o peso inadequado pode agravar a fragilidade, reduzir mobilidade e aumentar o risco de quedas e perda de autonomia, aspectos particularmente relevantes no cuidado com a saúde do adulto maduro e do idoso".

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A especialista conclui que estratégias individualizadas, acompanhamento profissional e mudanças sustentáveis no estilo de vida "são os pilares para um emagrecimento eficiente e seguro à medida que os anos avançam".

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