A leucemia é o câncer mais comum em crianças e jovens. Nas últimas décadas, ele tornou-se um dos temas centrais da oncologia pediátrica. Trata-se de um tipo de câncer que afeta diretamente o sangue e a medula óssea, região onde as células sanguíneas são produzidas. Em idade infantil, o organismo está em intensa fase de crescimento, com grande atividade de renovação celular. Isso ajuda a explicar por que os casos de leucemia aparecem com mais frequência nesse grupo etário.
Apesar de ser um diagnóstico que causa grande preocupação em famílias e equipes de saúde, pesquisas mostram que a leucemia infantil tem características próprias, diferentes das que aparecem em adultos. Alguns tipos são mais agressivos, porém respondem melhor aos tratamentos modernos. A observação de fatores genéticos, ambientais e biológicos ajuda a entender por que essa doença é tão representativa entre os cânceres da infância e adolescência.
O que é leucemia infantil e como ela se desenvolve?
A leucemia é um câncer das células brancas do sangue, os leucócitos. Na criança, essa alteração começa geralmente na medula óssea, onde ocorre uma produção descontrolada de células imaturas, chamadas de blastos. Em vez de amadurecerem e cumprirem funções de defesa, essas células doentes se multiplicam rapidamente e "ocupam espaço" de glóbulos vermelhos, plaquetas e leucócitos saudáveis.
Esse desequilíbrio provoca sintomas como cansaço, palidez, manchas roxas, sangramentos, febre persistente e infecções frequentes. A forma mais comum em crianças é a leucemia linfoblástica aguda (LLA), seguida pela leucemia mieloide aguda (LMA). A rápida divisão celular típica da infância favorece o surgimento de erros no DNA durante a formação dessas células. Portanto, isso aumenta o risco de aparecimento de clones malignos.
Por que a leucemia é o câncer mais comum em crianças e jovens?
A leucemia infantil se relaciona diretamente com o modo como o corpo cresce. Na infância e na adolescência, a medula óssea está em plena atividade para dar conta do crescimento, da reposição de células sanguíneas e da adaptação do organismo às mudanças dessa fase. Quanto maior a taxa de divisão celular, maior a chance de ocorrerem mutações aleatórias, algumas delas capazes de originar uma célula cancerígena.
Outro ponto observado pela comunidade científica é que muitos cânceres comuns em adultos, como os de pulmão, mama ou intestino, estão fortemente ligados a exposições prolongadas ao longo da vida, como tabagismo, radiação solar acumulada e hábitos alimentares de décadas. Como crianças e adolescentes tiveram menos tempo de exposição, esses tumores sólidos são menos frequentes. Assim, os cânceres da infância tendem a se originar principalmente de alterações genéticas internas, e a leucemia se destaca nesse cenário por atingir justamente um tecido em constante renovação.
Estudos apontam ainda a participação de fatores genéticos herdados ou síndromes específicas, como síndrome de Down e outras condições que aumentam o risco de leucemia em jovens. No entanto, na maioria dos casos não é possível identificar uma causa única ou um fator isolado responsável pelo desenvolvimento da doença, o que reforça a ideia de um conjunto de influências biológicas e ambientais.
Quais fatores podem aumentar o risco de leucemia em crianças?
Embora a maior parte das leucemias pediátricas surja de forma aparentemente espontânea, alguns elementos são considerados fatores de risco. Entre eles, ganham destaque alterações genéticas congênitas, histórico familiar de câncer hematológico e exposição prévia a altas doses de radiação ionizante, geralmente em contextos muito específicos, como tratamentos médicos anteriores. Ainda assim, esses fatores explicam apenas uma parcela pequena dos casos.
- Síndromes genéticas: certas condições hereditárias aumentam a probabilidade de erros na formação das células sanguíneas.
- Exposição a quimioterapia ou radioterapia prévias: crianças tratadas por outros tipos de câncer podem desenvolver leucemia secundária, embora isso seja raro.
- Alterações no sistema imunológico: defeitos imunológicos congênitos podem facilitar o surgimento de clones celulares anormais.
Nessa faixa etária, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e passa por constantes ajustes. Alguns pesquisadores estudam a hipótese de que infecções comuns da infância, combinadas a predisposições genéticas, possam desencadear processos que favorecem o aparecimento da leucemia em crianças. Até o momento, porém, não há consenso definitivo, e a orientação predominante é que a maioria dos casos não está ligada a algo que poderia ter sido evitado pela família.
Como são feitos o diagnóstico e o tratamento da leucemia em jovens?
O diagnóstico da leucemia pediátrica começa geralmente com a suspeita clínica a partir de sinais como febre prolongada, sangramentos, infecções repetidas ou aumento de gânglios e do abdômen. Exames de sangue simples podem mostrar alterações importantes, como queda de hemoglobina, plaquetas baixas ou presença de células imaturas na circulação. A confirmação é feita por meio de mielograma ou biópsia de medula óssea, associada a testes genéticos e imunológicos.
O tratamento é planejado conforme o tipo de leucemia, a idade, a carga de células doentes e as alterações genéticas encontradas. Em geral, ele inclui:
- Quimioterapia sistêmica: combinação de medicamentos que agem diretamente nas células leucêmicas.
- Terapias-alvo e imunoterapias: drogas e anticorpos que reconhecem marcadores específicos das células doentes.
- Transplante de medula óssea: indicado em situações de maior risco ou recidiva, com doador compatível.
- Suporte clínico: antibióticos, transfusões e cuidados gerais para manter o organismo em condições de enfrentar o tratamento.
Com o avanço da oncologia pediátrica, as taxas de sobrevivência da leucemia infantil melhoraram de forma expressiva em países que oferecem diagnóstico precoce e acesso a protocolos atualizados. O acompanhamento a longo prazo também se tornou parte fundamental do cuidado, monitorando possíveis efeitos tardios e a qualidade de vida na fase adulta. Dessa forma, compreender por que a leucemia é o câncer mais comum em crianças e jovens ajuda a direcionar políticas públicas, pesquisas e estratégias de detecção precoce, ampliando as chances de tratamento eficaz.