Parestesia: entenda o formigamento e dormência no corpo

Parestesia: entenda o distúrbio neurológico, sintomas e causas, e relembre o caso de Henri Castelli agredido em cidade nordestina

22 jan 2026 - 09h01

A parestesia ganhou espaço recente em debates de saúde após novos relatos sobre o quadro enfrentado pelo ator Henri Castelli. O termo médico, que pode soar distante do dia a dia, descreve uma alteração da sensibilidade que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo, muitas vezes de forma silenciosa. Formigamento, dormência e sensação de agulhadas são alguns dos sinais mais conhecidos desse problema neurológico.

Embora pareça algo simples à primeira vista, a parestesia pode estar ligada a diversas causas, desde situações passageiras até lesões mais graves. Em alguns casos, o incômodo é temporário e se resolve sem intervenção. Em outros, torna-se persistente, interferindo na rotina, no trabalho e até na mobilidade, o que exige avaliação detalhada de profissionais de saúde para identificar a origem exata do quadro.

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O que é parestesia e como ela se manifesta?

A palavra parestesia é utilizada pela medicina para descrever sensações anormais na pele, sem que haja um estímulo evidente. Entre as queixas mais comuns estão dormência, formigamento, sensação de "choque" leve, queimação ou picadas em regiões como mãos, pés, braços, pernas e rosto. Essas sensações podem surgir de forma espontânea, em um ponto específico ou se espalhar ao longo de um nervo.

Em muitos episódios, a parestesia é transitória, como quando alguém permanece muito tempo sentado ou dorme em posição desconfortável. Nessas situações, a pressão temporária sobre nervos e vasos sanguíneos prejudica a condução dos estímulos, gerando o incômodo. Quando a postura é corrigida e a circulação volta ao normal, a sensação tende a desaparecer.

O alerta costuma surgir quando a dormência e o formigamento se tornam frequentes, prolongados ou aparecem sem um motivo claro. Nesse cenário, a parestesia deixa de ser apenas um desconforto e passa a funcionar como um sinal de que algo mais complexo pode estar acontecendo no sistema nervoso periférico ou central.

O quadro pode ter causas simples, como postura, ou estar ligado a doenças e lesões mais graves – depositphotos.com / Shidlovski
O quadro pode ter causas simples, como postura, ou estar ligado a doenças e lesões mais graves – depositphotos.com / Shidlovski
Foto: Giro 10

Quais são as principais causas da parestesia?

A origem da parestesia crônica é variada e envolve tanto fatores neurológicos quanto metabólicos, vasculares e até traumáticos. Entre as causas mais relatadas por especialistas estão compressões de nervos, como no caso da hérnia de disco na coluna lombar ou cervical, que pode irradiar dor e dormência para braços ou pernas. Síndromes de compressão, como a síndrome do túnel do carpo, também figuram como motivo frequente de formigamento nas mãos.

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Doenças sistêmicas são outra fonte importante do problema. A neuropatia diabética, por exemplo, ocorre quando níveis elevados de glicose danificam gradualmente os nervos, em especial nos membros inferiores. Carências de vitaminas do complexo B, distúrbios da tireoide, doenças autoimunes, infecções virais e uso prolongado de certos medicamentos podem igualmente desencadear alterações de sensibilidade.

  • Compressão nervosa por hérnias ou traumas;
  • Diabetes e outras doenças metabólicas;
  • Deficiência de vitaminas, principalmente B1, B6 e B12;
  • Alterações circulatórias e vasculares;
  • Lesões diretas em nervos por acidentes ou agressões;
  • Doenças neurológicas degenerativas ou inflamatórias.

Além disso, fatores como consumo excessivo de álcool, exposição a toxinas, sedentarismo e condições ocupacionais que exigem movimentos repetitivos podem contribuir para o surgimento ou agravamento da parestesia. A avaliação clínica costuma considerar esse conjunto de elementos antes de chegar a um diagnóstico definitivo.

Parestesia tem cura? Como é o diagnóstico e o tratamento?

A pergunta sobre cura para a parestesia não tem resposta única, porque o desfecho depende diretamente da causa identificada. Em termos práticos, quando o problema está ligado a situações pontuais, como compressão por postura, a melhora costuma ser rápida, sem necessidade de tratamento complexo. Já nas formas persistentes, o objetivo dos profissionais é corrigir ou controlar o fator de base e aliviar os sintomas.

O diagnóstico geralmente começa com uma coleta detalhada da história clínica: tempo de duração do formigamento, localização, intensidade, fatores que pioram ou aliviam e presença de outros sinais neurológicos, como perda de força ou dificuldade de coordenação. Exames físicos e neurológicos ajudam a mapear o trajeto dos nervos possivelmente envolvidos.

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  1. Avaliação clínica: análise dos sintomas, histórico de doenças e uso de medicamentos;
  2. Exames de sangue: investigação de diabetes, alterações vitamínicas e hormonais;
  3. Exames de imagem: como radiografias, tomografias ou ressonâncias para pesquisar compressões;
  4. Estudos neurofisiológicos: eletroneuromiografia para avaliar condução nervosa e função muscular.

O tratamento pode incluir medicamentos para dor neuropática, suplementação vitamínica, fisioterapia, mudanças de hábitos de vida e, em alguns casos específicos, intervenção cirúrgica para descompressão de nervos. A orientação é individualizada e leva em conta a gravidade da lesão, a presença de outras doenças e o impacto na rotina da pessoa.

Por que o caso de Henri Castelli chama atenção para a parestesia?

O termo parestesia voltou a ser citado com frequência desde que, há cerca de seis anos, o ator Henri Castelli relatou publicamente sofrer com esse tipo de alteração de sensibilidade após ter sido agredido em uma cidade do Nordeste. O episódio, amplamente noticiado na época, envolveu trauma na região do rosto, com fraturas e lesões que, segundo relatos, resultaram em sequelas neurológicas.

Casos como o do ator ajudam a expor um aspecto muitas vezes pouco discutido das agressões físicas: as consequências de longo prazo sobre nervos e estruturas sensíveis. Quando há impacto direto, fraturas ou deslocamentos ósseos, estruturas nervosas podem ser comprimidas, estiradas ou cortadas. A partir daí, surgem queixas de dormência, perda parcial de sensibilidade e formigamentos persistentes, compatíveis com quadros de parestesia.

Seis anos depois do episódio, o fato de o problema ainda ser mencionado mostra que a parestesia pode se tornar uma sequela duradoura, principalmente quando associada a traumas significativos. A discussão em torno da experiência de Henri Castelli contribui para ampliar a compreensão pública de que sensações de dormência e formigamento contínuas não devem ser encaradas apenas como desconfortos passageiros, mas como sinais que merecem investigação adequada por parte de profissionais de saúde.

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Casos como o de Henri Castelli reforçam que sintomas persistentes exigem avaliação médica – REPRODUÇÃO/TV GLOBO
Foto: Giro 10
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