Zé Felipe recusa ozonioterapia retal e viraliza nas redes
O cantor Zé Felipe viralizou ao contar que se recusou a fazer ozonioterapia retal. Ele explicou que já havia feito o tratamento na veia, mas se assustou com a proposta de aplicação pelo ânus.
"Quando o profissional falou que era pelo ânus, saí na hora. Achei que fosse na veia", disse o artista nas redes sociais.
O caso dividiu opiniões e levantou dúvidas sobre o procedimento. Afinal, o que é ozonioterapia e por que ela gera tanta polêmica?
O que é ozonioterapia
A ozonioterapia é um tratamento alternativo que utiliza ozônio medicinal — um gás formado por três átomos de oxigênio. Segundo seus defensores, o método teria efeito anti-inflamatório, analgésico e imunomodulador.
O gás é aplicado de diferentes formas:
- Via retal (pelo ânus).
- Via vaginal.
- Por injeção intravenosa.
- De forma tópica, sobre a pele.
- Ou ainda em auto-hemoterapia, quando o sangue é ozonizado e reinfundido.
Os adeptos afirmam que o procedimento aumenta a oxigenação e melhora a imunidade. No entanto, as autoridades de saúde não reconhecem esses benefícios.
O que diz a lei sobre a ozonioterapia no Brasil
No Brasil, a ozonioterapia é classificada como terapia complementar. Isso significa que não substitui tratamentos médicos convencionais e deve ser feita com cautela.
A Anvisa autoriza o uso do ozônio apenas em odontologia e estética, para limpeza bucal e cicatrização de feridas. Fora dessas áreas, o método não tem comprovação de eficácia.
O equipamento utilizado deve ser regularizado pela Anvisa, e o profissional precisa ter formação em saúde. Além disso, o paciente deve ser informado de que o tratamento é experimental e não garante resultados.
Segundo nota da Anvisa: "Não há evidências de benefícios clínicos para o uso do ozônio em doenças crônicas ou infecciosas".
O que diz a ciência sobre a ozonioterapia
Apesar da popularidade crescente, não existem estudos conclusivos sobre a eficácia da ozonioterapia. A maioria das pesquisas mostra resultados inconsistentes ou sem relevância estatística.
A Food and Drug Administration (FDA), agência dos Estados Unidos, não reconhece o ozônio como substância segura para uso médico. Segundo a FDA, o gás é tóxico se inalado e não deve ser injetado no corpo humano.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) também classifica a ozonioterapia como procedimento experimental. O CFM determina que o método só deve ser usado em estudos científicos autorizados e com acompanhamento ético.
Em nota oficial, o CFM afirma: "A ozonioterapia carece de evidências científicas e deve permanecer restrita à pesquisa".
Esses órgãos concordam que, até o momento, não há provas de que o ozônio cure ou alivie doenças.
Riscos e efeitos colaterais da ozonioterapia
O ozônio é um gás reativo que pode ser tóxico se administrado de forma incorreta. Por isso, a ozonioterapia retal ou intravenosa deve ser feita apenas sob supervisão de profissionais qualificados.
Quando aplicada de forma inadequada, a técnica pode causar:
- Irritação intestinal.
- Dor abdominal e gases.
- Inflamações locais.
- Infecções.
- Em casos raros, embolia gasosa.
A inalação de ozônio é considerada perigosa. O gás pode causar irritação pulmonar e danos às vias respiratórias. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a FDA reforçam que o ozônio não é seguro para uso médico em altas concentrações.
Por que a ozonioterapia é polêmica
A ozonioterapia divide opiniões entre pacientes e profissionais de saúde. Enquanto alguns relatam melhora dos sintomas, órgãos oficiais afirmam que falta base científica para comprovar o efeito terapêutico.
Durante a pandemia de Covid-19, o método ganhou força nas redes sociais. Alguns influenciadores divulgaram o tratamento como opção para fortalecer a imunidade sem comprovação médica.
O Ministério da Saúde reforçou, em nota pública, que não recomenda o uso de ozonioterapia para tratar infecções virais. A divulgação indevida levou a advertências e suspensões de profissionais.
Ozonioterapia retal: como é feita
Na aplicação retal, o ozônio é administrado por meio de uma sonda fina introduzida no ânus. O gás chega ao intestino grosso e é absorvido pelas mucosas, segundo profissionais que aplicam o método.
O processo leva poucos minutos e pode causar leve desconforto. A promessa é de que o gás melhore a oxigenação do sangue e estimule o sistema imunológico.
Contudo, não há estudos clínicos que confirmem esses efeitos. A via anal se tornou o centro das discussões por ser vista como invasiva e constrangedora.
"Achei que fosse na veia. Quando disseram que era no bumbum, fui embora", brincou o cantor.
O que dizem as autoridades de saúde?
Os principais órgãos de saúde mantêm posição unânime sobre o tema:
- A Anvisa libera o ozônio apenas como terapia auxiliar em estética e odontologia.
- O CFM considera a ozonioterapia experimental, sem comprovação científica.
- A FDA classifica o ozônio como substância tóxica.
- E a OMS reforça que o gás não deve ser inalado nem usado como medicamento.
Essas instituições alertam que nenhuma aplicação de ozônio substitui o tratamento médico convencional. O uso indevido pode gerar efeitos adversos e riscos sérios à saúde.
Quando a ozonioterapia é segura
Em contextos controlados, a ozonioterapia pode ser usada com segurança. Na odontologia, auxilia na limpeza de canais e na cicatrização de feridas bucais. Na estética, pode ser aplicada sobre a pele para melhorar a circulação e o aspecto cutâneo.
Essas formas de uso são seguras porque o ozônio não entra na corrente sanguínea. O gás é administrado em quantidades controladas e por equipamentos aprovados pela Anvisa.
"Em pequenas doses e aplicações locais, o ozônio pode ter efeito antimicrobiano. Mas não deve ser usado como tratamento sistêmico", explica a Sociedade Brasileira de Dermatologia.
A ozonioterapia voltou aos holofotes após o caso de Zé Felipe, mas continua cercada de dúvidas e informações desencontradas. Embora muitas clínicas ofereçam o tratamento, ainda não há provas científicas de sua eficácia médica.
O procedimento pode ser usado em contextos controlados, como na odontologia e na estética, sempre com acompanhamento de profissionais habilitados e equipamentos aprovados pela Anvisa. Fora disso, o uso deve ser visto com cautela e responsabilidade.
Em resumo: informação e orientação médica são as melhores formas de cuidar da sua saúde. Antes de buscar terapias alternativas, converse com um especialista e avalie as evidências disponíveis. Evite riscos e priorize decisões seguras.
Por fim, lembre-se de que cuidar da saúde é também buscar conhecimento confiável. Fique atento aos modismos e mantenha sua mente aberta, mas crítica.
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