Obesidade vai além da estética: entenda os riscos silenciosos para a saúde

Nutrólogo explica sinais de alerta, fatores de risco, o papel das canetas emagrecedoras e por que emagrecer de verdade é ganhar saúde, e não apenas perder quilos.

13 out 2026 - 14h24
Resumo
Com alta de 118% no Brasil entre 2006 e 2024, a obesidade é uma doença crônica e multifatorial que vai além da estética, elevando o risco de diabetes, hipertensão e infarto. O diagnóstico não depende só do peso na balança, exigindo atenção à gordura corporal e a alterações metabólicas. O tratamento requer mudanças graduais no estilo de vida e acompanhamento médico contínuo, no qual medicamentos modernos atuam como apoio, e não como substitutos de hábitos saudáveis e consistentes.

A obesidade está crescendo em ritmo preocupante no país. Segundo dados do Ministério da Saúde, o índice no Brasil subiu 118% entre 2006 e 2024. O número ganha destaque no Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, lembrado em 11 de outubro.

Foto: charliepix
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Foto: Saúde em Dia

A data quer chamar atenção para os riscos da doença e para a importância de adotar medidas de prevenção desde cedo. Vale lembrar: a obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que vai muito além de questões estéticas.

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Obesidade: quando procurar ajuda?

Você não precisa esperar o diagnóstico oficial para se cuidar. Segundo Thiago Viana, nutrólogo e médico do esporte com foco no emagrecimento, aumento da circunferência abdominal, perda de massa muscular e alterações metabólicas já justificam uma avaliação médica.

Como referência clínica, percentuais de gordura corporal acima de 25% nos homens e 35% nas mulheres merecem atenção. O especialista alerta, porém, que esses números não devem ser usados isoladamente no diagnóstico, pois variam conforme idade, população e método utilizado.

Sinais de alerta da obesidade

Fique de olho nesta checklist:

  • alterações nos níveis de glicemia, triglicérides e pressão arterial;

  • cansaço excessivo;

  • piora da qualidade do sono;

  • ronco;

  • redução da capacidade física.

Fatores de risco para a obesidade

Alguns hábitos aumentam as chances de desenvolver a doença, segundo Viana:

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  1. consumo frequente de ultraprocessados e açúcar;

  2. sedentarismo;

  3. poucas horas de sono;

  4. consumo excessivo de álcool.

Não é só questão de rotina. "Genética, fatores psicológicos, medicamentos e algumas doenças também podem contribuir para o desenvolvimento da condição", explica o médico.

Obesidade com peso normal existe?

Existe, sim. Uma pessoa pode ter peso e IMC considerados normais e, ainda assim, ter excesso de gordura e pouca massa muscular. É o chamado fenótipo de obesidade com peso normal.

"Estar dentro do peso ideal não significa necessariamente estar metabolicamente saudável. Por isso, olhar apenas para balança ou IMC pode não contar toda a história", afirma Viana.

Riscos da obesidade para a saúde

O excesso de gordura corporal está associado a um risco maior de várias doenças:

  • diabetes tipo 2;

  • hipertensão;

  • infarto e AVC;

  • gordura no fígado;

  • apneia do sono;

  • problemas articulares;

  • alguns tipos de câncer.

"O problema da obesidade não é apenas carregar alguns quilos a mais. É o que esses quilos podem fazer silenciosamente com a saúde ao longo dos anos", pontua o médico. Para ele, o objetivo não deve ser caber em uma roupa menor, e sim reduzir o risco de doenças que comprometem a qualidade e a expectativa de vida.

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Como emagrecer sem radicalismos

Esqueça as mudanças radicais e difíceis de manter. A orientação é apostar em passos graduais.

"Não tente mudar a sua vida inteira de um dia para o outro. Escolha mudanças graduais que você consiga repetir ao longo de semanas, meses e no resto do ano. Emagrecimento saudável depende muito mais de consistência do que de perfeição", orienta Viana.

Canetas emagrecedoras no tratamento da obesidade

Os avanços recentes ampliaram as possibilidades para quem vive com obesidade. As "canetas emagrecedoras" podem promover reduções importantes de peso, mas precisam ser usadas dentro de uma estratégia terapêutica, com acompanhamento profissional.

"Estamos falando de medicações desenvolvidas para tratar doenças como diabetes e obesidade, sendo uma ferramenta dentro de um tratamento. Mas ela não substitui alimentação adequada, exercício físico, preservação de massa muscular, sono e mudança de estilo de vida", afirma Viana.

Obesidade sem julgamentos

Outra mudança importante é abandonar o julgamento moral. "Obesidade não é simplesmente falta de força de vontade. É uma doença crônica, multifatorial e tratável", afirma o especialista.

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Por isso, o sucesso do tratamento não se mede só pelos quilos eliminados. Também contam:

  • redução da gordura corporal;

  • preservação da massa muscular;

  • melhora da pressão arterial e da glicemia;

  • perfil metabólico mais saudável;

  • sono e capacidade física melhores;

  • mais qualidade de vida.

Prevenir a obesidade é ganhar saúde

A data já passou, mas o recado vale o ano todo: prevenir a obesidade começa com informação, acompanhamento médico e hábitos que cabem na sua rotina. Viana resume a mudança de perspectiva:

"Emagrecer não deveria significar simplesmente pesar menos. Talvez a pergunta mais importante ao final de um processo de emagrecimento não seja 'quantos quilos você perdeu?'. Eu prefiro questionar: 'Quanto de saúde você ganhou durante esse processo?'", conclui o profissional.

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