Dor e vermelhidão na perna podem indicar trombose; veja os sinais de alerta

Doença ocorre quando um coágulo se forma no interior de uma veia e dificulta ou impede a circulação sanguínea

13 out 2026 - 13h00
Resumo
Dor persistente, inchaço e vermelhidão nas pernas são sinais de alerta para trombose venosa, condição grave que pode levar à embolia pulmonar. O problema não afeta apenas idosos, sendo impulsionado por sedentarismo, imobilidade e internações. Especialistas da SBACV-SP alertam que a desinformação e a confusão com queixas ortopédicas atrasam o diagnóstico por ultrassom Doppler. Reconhecer os sintomas atípicos e buscar atendimento médico imediato é essencial para prevenir complicações fatais.

Dor e inchaço na perna podem parecer sintomas de menor importância à primeira vista, mas, em muitos casos, indicam um problema sério que exige investigação médica. A trombose venosa ocorre quando um coágulo se forma no interior de uma veia e dificulta ou impede a circulação sanguínea. Se parte desse trombo se desprender e migrar para os pulmões, pode provocar uma embolia pulmonar, quadro considerado potencialmente grave.

A trombose pode afetar pessoas de diferentes idades e está associada a fatores que vão além do envelhecimento
A trombose pode afetar pessoas de diferentes idades e está associada a fatores que vão além do envelhecimento
Foto: KateStudio | Shutterstock / Portal EdiCase

No Dia Mundial da Trombose, celebrado em 13 de outubro, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular - Regional São Paulo (SBACV-SP) alerta para sinais que muitas vezes passam despercebidos e reforça os fatores que aumentam a possibilidade de desenvolver a doença.

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Apesar dos riscos, a trombose ainda não desperta a mesma preocupação associada ao infarto e ao acidente vascular cerebral (AVC). Para a cirurgiã vascular Dra. Dafne Braga Diamante Leiderman, um dos motivos é a falta de conhecimento sobre a doença e suas possíveis complicações. 

"Muita gente ainda pensa na trombose como algo mais relacionado ao idoso e não entende que é um evento agudo. Quando o sintoma aparece, ele é diferente do habitual. Por isso, é importante conhecer os momentos de maior risco, os sinais de alerta e saber o que fazer ao percebê-los", explica.

Trombose não atinge apenas idosos

Associar a trombose exclusivamente à velhice deixa de lado outros fatores de risco. Segundo a Dra. Dafne Braga Diamante Leiderman, viagens longas, tabagismo, determinadas doenças crônicas e períodos de imobilidade também merecem atenção.

A redução dos movimentos cotidianos é outro aspecto que a médica destaca. O sedentarismo, o home office contínuo e os longos períodos sentados favorecem uma rotina com menos deslocamentos e atividade física, o que pode aumentar o risco de trombose.

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Sinais de alerta

Qualquer alteração física que fuja do padrão habitual merece avaliação especializada. De acordo com a especialista, a falta de informação faz com que muitos pacientes desconsiderem o desconforto nos membros inferiores e adiem a busca por atendimento. 

"No consultório, deparo-me frequentemente com pacientes que apresentam varizes calibrosas e quadros de tromboflebite, tanto em histórico prévio quanto em fase ativa", afirma a médica, destacando que parte dessas pessoas desconhece a gravidade e a relação desses indícios com a trombose.

Os principais sinais de alerta são:

  • Dor persistente em uma das pernas;
  • Inchaço que não melhora com o repouso;
  • Vermelhidão e aumento da temperatura no local.

Ao identificar qualquer um desses sintomas, é importante procurar atendimento médico imediato.

A demora no diagnóstico da trombose pode aumentar os riscos para o paciente
Foto: Wasana Kunpol | Shutterstock / Portal EdiCase

O acesso ao exame interfere no diagnóstico

Para a Dra. Dafne Braga Diamante Leiderman, reconhecer a suspeita clínica e garantir o acesso rápido ao ultrassom Doppler continuam sendo barreiras no atendimento de saúde. Ela relata que quadros de dor na perna são, por vezes, interpretados inicialmente como queixas ortopédicas tratadas apenas com analgésicos. 

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"Não é raro ver pacientes que passam pelo pronto-socorro e retornam para casa duas ou três vezes antes de terem o diagnóstico correto", aponta. Segundo ela, esse percurso prolongado até o diagnóstico atrasa a identificação e favorece a progressão da doença.

A prevenção na rotina hospitalar

Internações, cirurgias e tratamentos em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) podem reunir condições que favorecem o tromboembolismo venoso (TEV). A médica lembra que a baixa mobilidade, a debilidade física e a desidratação, somadas a diagnósticos como câncer e afecções respiratórias, cardíacas ou renais, aumentam o risco.

Nos ambientes hospitalares, a utilização de escores clínicos individualizados ajuda a estimar a probabilidade de trombose e embolia pulmonar. Com base nessa análise, a equipe médica define a prevenção adequada, que pode incluir o uso de anticoagulantes ou meias de compressão elástica.

A SBACV-SP defende que o preenchimento sistemático desses instrumentos de avaliação integre de forma obrigatória a rotina das instituições de saúde, contando com equipes dedicadas a monitorar a aplicação para garantir a segurança do paciente durante todo o período de internação.

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A gravidade da trombose vai muito além das alterações estéticas ou do desconforto nas pernas, estando associada a quadros clínicos complexos e risco de morte súbita. A orientação da Dra. Dafne Braga Diamante Leiderman é clara: "Conheça os fatores de risco, atente-se a qualquer mudança fora do padrão e busque ajuda médica imediata diante dos sinais de alerta", finaliza. 

Por Elenice Costola

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