Aos 51 anos, a atriz Carolina Kasting revelou ter realizado tratamento para lidar com distorção de imagem corporal e anunciou seu retorno aos trabalhos nas telas. A declaração marca um momento de superação pessoal e celebra a retomada de sua trajetória artística, abrindo espaço para diálogos sobre saúde mental e pressão estética na maturidade.
Aos 51 anos, Carolina Kasting vive um momento de profunda reconexão consigo mesma. Longe das novelas desde 'Salve-se Quem Puder' (2020), a atriz dedicou os últimos anos à vida acadêmica. Ela voltou à faculdade e já se prepara para engatar um mestrado.
Contudo, para a alegria dos fãs, a pausa nas telas está prestes a acabar. "Ainda não posso dar detalhes. Estou feliz com a retomada, que vai ser prazerosa. Eu retorno este ano ao audiovisual e ao teatro. Eu nunca deixei nem vou deixar de ser atriz. Tem sempre projetos acontecendo, assim como vou estar sempre envolvida com artes plásticas e performances", revelou em entrevista ao 'O Globo'.
A maturidade de Carolina Kasting como ponto de virada
Longe da pressão e da rotina intensa de gravações, a artista garante que hoje vivencia a sua melhor versão. "É o momento em que eu me sinto mais bonita, capaz, potente, sensual e com força de vida. A maturidade me trouxe uma possibilidade de consciência maior sobre mim mesma, o mundo, a sociedade e os outros. E essa consciência possibilita reparações de traumas e de opressões que você sofreu quando era mais jovem, quando tinha muita necessidade da opinião do outro. Agora, você mesma se dá o aval", refletiu.
Nesse sentido, a atriz questionou os rótulos sociais que costumam associar o envelhecimento feminino à decadência. "A mulher, quando chega a determinada idade, já fez tudo que poderia ter feito. É mãe, trabalhou e foi jovem. Ela vai num declínio. Mas a experiência de vida que eu tenho é o contrário. Trabalhei muito na minha juventude, fiz uma novela atrás da outra. Eu sou muito atenta para manter essa valorização do meu trabalho. Então, as pessoas se surpreendem e dizem: 'Nossa, como você não envelhece'. Recentemente mudei a palavra 'envelhecer' para 'amadurecer', porque essa ideia de decadência para mim não funciona. Eu falo: 'O tempo passa, só que ele passa bem.'", desabafou.
O alerta sobre distorção de imagem e a busca por ajuda
Nas redes sociais, a atriz tem compartilhado sua rotina de alimentação e treinos com um propósito nobre: alertar o público sobre a pressão estética e a distorção de imagem. Ela contou que encarou padrões rígidos desde muito cedo, o que acabou afetando sua relação com o próprio corpo.
"Com essa maturidade, eu comecei a entender que a forma como eu tinha que caber com o meu corpo era um paradigma. Não era uma valorização da singularidade de cada um. Eu vim do ballet clássico, depois trabalhei como modelo, entrei para o teatro e então fui para a televisão. Em todos esses espaços eu fui encontrando essas formas. Estruturalmente, o seu corpo e a sua mente entendem que, para ser bonita, você tem que estar nesse padrão. E ele é violento", relembrou.
Com as mudanças hormonais naturais do tempo, Kasting decidiu reavaliar suas escolhas e procurar auxílio profissional para romper com ciclos de restrição: "Eu fui buscar entender qual seria alimentação adequada para minha idade. Eu fui construindo uma imagem de mim mesma com essa necessidade de corresponder a esse padrão. Quando eu cheguei à maturidade, eu falei: 'Espera aí, por que eu preciso ter esse padrão? Se as curvas são bonitas, se o prazer que eu sinto com o meu corpo é maior do que isso? Por que eu tenho que viver em um tipo de restrição alimentar?'. E aí eu fui procurar ajuda".
Por fim, a artista detalhou como a condição mental alterava a forma como ela se enxergava no dia a dia: "O distúrbio te causa um hiato entre a sua imagem real e a sua autoimagem. Então, você se olha no espelho e não vê exatamente aquilo que é real, mas sim uma projeção distorcida. Eu comecei a me ver fora do peso, por exemplo, e eu não estava", concluiu.