O mercado de nutracêuticos, suplementos que combinam nutrição e benefícios terapêuticos, deve quase dobrar até 2032, passando de US$ 458,55 bilhões em 2024 para US$ 986,85 bilhões, com crescimento anual de 10,18%, segundo a Fortune Business Insight.
O avanço reflete a mudança de paradigma no bem-estar: hoje, fatores como sono, energia, humor, foco e imunidade são tão valorizados quanto colesterol ou glicemia.
O crescimento é impulsionado especialmente por mulheres acima dos 35 anos, que enfrentam o climatério e a menopausa.
Sintomas como perda de massa magra, noites mal dormidas, queda de cabelo e alterações hormonais mostram que a saúde vai além da estética.
Nesse contexto, ingredientes como creatina, betaglucana, vitaminas C e B, zinco, cobre, manganês, ferro e biotina ganham destaque.
Por que nutracêuticos conquistam mulheres maduras
O interesse feminino não é apenas estético. Entrar no climatério significa lidar com fogachos, oscilações emocionais, alterações metabólicas e perda de massa magra, ao mesmo tempo em que cresce o desejo de continuar ativa e produtiva.
Vanessa Costa, nutricionista carioca, vivenciou esses desafios. Após uma menopausa precoce sem diagnóstico adequado, ela recorreu a nutracêuticos para tratar os sintomas.
Em 2025, lançou a NutrAlive, voltada a mulheres no climatério e menopausa, combinando fórmulas para sono, energia, massa magra, equilíbrio intestinal e suporte antioxidante.
"Depois da pandemia, ficou ainda mais claro que a saúde física e mental sustenta o dia a dia. Para mulheres na menopausa, os nutracêuticos são aliados para enfrentar essa fase com mais qualidade de vida", afirma Vanessa.
Tendência global e dados de mercado
Mercados maduros como Estados Unidos e Japão já consolidaram a tendência. Entre 2019 e 2024, mais de 15 mil produtos com alegações de bem-estar mental foram lançados nos EUA, incluindo vitamina D, adaptógenos e cogumelos medicinais.
A indústria farmacêutica também migra para soluções híbridas, com fórmulas funcionais para sono, estresse e energia.
Na Ásia-Pacífico, a participação de mercado em 2024 foi de 39,84%, impulsionada por alimentos funcionais, probióticos e bebidas enriquecidas.
O Brasil também acompanha a tendência, com aumento na procura por produtos proteicos e funcionais, voltados à longevidade e vitalidade.
Desafios e futuro do setor
Apesar do crescimento, a indústria enfrenta falta de padronização regulatória e necessidade de maior rigor na qualidade.
Ainda assim, empresas globais seguem investindo em fusões, aquisições, pesquisa e inovação, com startups de Israel ao Japão desenvolvendo bebidas fortificadas, gomas funcionais, blends veganos e pós-bióticos.
O mercado de nutracêuticos mostra que cuidar da saúde preventiva deixou de ser nicho e se tornou estratégia de vida, com mulheres maduras liderando essa transformação.