Menopausa e álcool: o que muda no corpo da mulher

Entenda por que a bebida pode piorar sintomas nessa fase, segundo especialista entrevistada no Roda Viva.

27 jan 2026 - 20h07

A relação entre menopausa e álcool ganhou destaque após o programa Roda Viva receber a neurocientista Lisa Mosconi, referência mundial em saúde do cérebro feminino.

Foto: Reprodução/Shutterstock / Alto Astral

Durante a entrevista, exibida nesta segunda-feira (26), a especialista explicou como o consumo de bebida alcoólica afeta o corpo da mulher nesse período.

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Segundo Lisa Mosconi, o álcool pode intensificar sintomas comuns da menopausa.

Entre eles estão insônia, desidratação, alterações de humor e piora da saúde cerebral.

A seguir, entenda o que muda no organismo, por que o álcool pesa mais nessa fase e como consumir com mais consciência.

O que é a menopausa e por que o corpo reage diferente

A menopausa marca o fim da vida reprodutiva da mulher.

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Ela acontece quando os ovários reduzem drasticamente a produção de estrogênio e progesterona.

Essa mudança hormonal afeta todo o organismo.

O impacto vai muito além dos fogachos e da interrupção da menstruação.

O cérebro, o metabolismo, o sono e até a forma como o corpo processa substâncias mudam.

É por isso que hábitos antigos podem ter efeitos diferentes nessa fase.

Menopausa e álcool: por que a bebida pesa mais agora

Durante o Roda Viva, Lisa Mosconi explicou que o álcool não age da mesma forma no corpo da mulher na menopausa.

Com menos estrogênio circulando, o organismo perde parte da proteção natural contra inflamações e desidratação.

Segundo a neurocientista, beber para aliviar desconfortos pode ter efeito contrário.

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"Ingerir mais bebidas alcoólicas na menopausa funciona como um curativo. Você tenta se sentir melhor, mas isso pode sair pela culatra", afirmou.

Ou seja, o alívio momentâneo pode gerar problemas maiores depois.

Desidratação: um dos principais impactos do álcool

Um dos primeiros efeitos do álcool é a desidratação.

Isso acontece porque a bebida inibe o hormônio antidiurético, aumentando a perda de líquidos.

Na menopausa, esse efeito é ainda mais intenso.

O corpo já tende a reter menos água naturalmente.

A desidratação pode provocar:

  • Dor de cabeça.

  • Cansaço excessivo.

  • Ressecamento da pele.

  • Queda de concentração.

Além disso, o cérebro sofre com a falta de hidratação adequada.

Álcool e cérebro feminino na menopausa

Lisa Mosconi é especialista em saúde cerebral feminina.

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Em seus estudos, ela destaca que o cérebro da mulher passa por mudanças importantes na menopausa.

O álcool interfere diretamente nesse processo.

"O álcool não é tão bom para o cérebro em si. A desidratação não é boa nem para o cérebro, nem para o corpo", explicou no programa.

Com menos estrogênio, o cérebro fica mais sensível a inflamações.

Isso pode afetar memória, foco e clareza mental.

Risco maior de insônia e sono fragmentado

Outro ponto destacado pela neurocientista é o impacto do álcool no sono.

Muitas mulheres acreditam que beber ajuda a relaxar e dormir melhor.

Na menopausa, isso raramente acontece.

"O álcool também pode causar insônia", alertou Lisa Mosconi.

A bebida até pode induzir o sono inicialmente.

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No entanto, ela fragmenta o descanso ao longo da noite.

O resultado é acordar cansada, mesmo dormindo várias horas.

Menopausa, álcool e fogachos

O consumo de álcool também está associado à piora dos fogachos.

Isso ocorre porque a bebida dilata os vasos sanguíneos.

Na menopausa, o sistema de regulação térmica já está instável.

O álcool intensifica essa sensação de calor repentino.

Vinho, cerveja e destilados podem aumentar a frequência e a intensidade dos fogachos.

Especialmente quando consumidos à noite.

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Alterações de humor e ansiedade

Mudanças hormonais afetam diretamente o humor.

Na menopausa, é comum sentir irritabilidade, ansiedade e oscilações emocionais.

O álcool pode intensificar esses sintomas.

Ele age como depressor do sistema nervoso central.

Após o efeito inicial de relaxamento, podem surgir:

  • Tristeza.

  • Irritação.

  • Ansiedade.

  • Sensação de vazio.

Por isso, o uso frequente como válvula de escape emocional é um risco.

Álcool aumenta inflamações no corpo da mulher

A menopausa já é um período de maior propensão inflamatória.

O álcool contribui para esse cenário.

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Ele pode agravar dores articulares, inchaços e desconfortos digestivos.

Também interfere na saúde intestinal, essencial para o equilíbrio hormonal.

Com o tempo, o consumo excessivo afeta a imunidade e o bem-estar geral.

É preciso cortar o álcool completamente?

Segundo Lisa Mosconi, não é necessário abolir totalmente a bebida.

O ponto central é consciência e moderação.

"Não estou desencorajando ninguém a beber um pouco de vez em quando", explicou.

"Mas é preciso saber que pode não ser seu melhor aliado durante a menopausa."

Ou seja, o consumo ocasional pode ser mantido.

Mas ele deve ser feito com atenção aos sinais do corpo.

Dicas para consumir álcool com mais equilíbrio na menopausa

Se você não abre mão de um drink, algumas atitudes ajudam a reduzir os impactos:

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  • Evite beber em dias de muito calor.

  • Nunca consuma álcool em jejum.

  • Intercale cada bebida com água.

  • Observe como seu corpo reage.

  • Priorize qualidade, não quantidade.

Além disso, evite usar o álcool como forma de aliviar estresse emocional.

Nutrição e hábitos fazem diferença nessa fase

Durante o Roda Viva, Lisa Mosconi reforçou a importância da nutrição.

Uma alimentação equilibrada ajuda a reduzir os impactos hormonais da menopausa.

Alimentos ricos em antioxidantes, fibras e gorduras boas protegem o cérebro.

Eles também ajudam no controle do sono e do humor.

Dormir bem, praticar atividade física e cuidar da saúde emocional são pilares fundamentais.

Informação é aliada da mulher na menopausa

A menopausa não é doença, mas é uma fase de grandes transformações.

Entender como o corpo reage ao álcool ajuda a fazer escolhas melhores.

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O alerta feito no Roda Viva mostra que hábitos comuns merecem revisão.

O que funcionava antes pode não funcionar agora.

Com informação, equilíbrio e escuta do próprio corpo, é possível atravessar a menopausa com mais bem-estar.

E fazer escolhas que protegem o cérebro, o sono e a qualidade de vida.

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